As fotos colocadas por debaixo da porta de Bruno Paixão, no Sp. Braga-U. Leiria, vão dar origem a um processo de inquérito da Comissão Disciplinar, apurou o Maisfutebol, que terá de passar por três passos. No fim fica bastante claro que não será fácil penalizar alguma das partes por coacção sobre o árbitro.

O processo de inquérito começa por tentar perceber quem colocou as fotos debaixo da porta e mais tarde perceber com que intenção o fez. No último momento, torna-se necessário perceber se o árbitro ficou condicionado, sendo que o testemunho de Bruno Paixão é decisivo nesse aspecto. Uma investigação para meses.

Fotos para Bruno Paixão já estão na Liga

José Manuel Meirim, por outro lado, considera que as fotografias colocadas por debaixo da porta dificilmente podem ser consideradas coacção. O especialista em direito desportivo interpretou o caso ocorrido este domingo em Braga à luz dos regulamentos e procurou casos anteriores semelhantes.

Na perspectiva de José Manuel Meirim, não é possível provar que a colocação das fotos por debaixo da porta do balneário do árbitro pretenderam «ocasionar condições anormais na direcção do encontro com consequências no resultado», como diz o regulamento disciplinar, no artigo 55 relativo à Coacção.

«O que as fotos demonstram são erros, ou possíveis erros. Se fosse colocado um papel ou uma mensagem a dizer para o árbitro ter cuidado por eles sabem que ele tem uma casa nova muito bonita ou que tem um carro estacionado em determinado local, isso sim é um caso de coação e enquadrável no artigo 55», referiu.

Até porque é muito complicado de fazer prova das intenções do gesto. «O artigo 55 procura defender a liberdade de decisão do árbitro. Quando se mete duas fotografias que apontam erros na arbitragem visa-se ocasionar condições anormais na direcção do encontro? Não me parece que se possa provar isso.»

Na perspectiva do especialista em direito desportivo poder-se-á no máximo interpretar a colocação das fotos como meio de procurar uma compensação pelos erros anteriores e por isso enquadrável na tentativa de coacção. O que será punido «com pena de derrota e multa acessória de € 12.500 (doze mil quinhentos euros)».

Para além disso, insiste José Manuel Meirim, «será muito difícil provar quem realmente colocou lá as fotografias». Isto porque as imagens do circuito interno de vigilância, no caso de existirem, não podem ser utilizadas neste caso, «à semelhança do que aconteceu com o caso de Sapunaru no túnel da Luz», lembrou.