O Belenenses goleou a U. Leiria no adeus do Restelo à Liga, foi superior ao candidato europeu e nem a «vergonha» dos adeptos, lia-se numa tarja, intimidou a equipa, decidida a deixar a prova de cabeça erguida. Sete golos foi o saldo de um desafio com pouco a acrescentar à contabilidade da época, naquele que foi um dos melhores jogos dos azuis. Uma despedida em cheio, com direito a aplausos, mas também contestação.

Mesmo perante pouco mais de duas centenas de adeptos, que dividiram a atenção com as decisões nos outros relvados (festejaram-se os golos de F.C. Porto, Benfica e Sp. Braga), os azuis lutaram para que a última imagem prevalecesse, procurando alimentar a interrogação de como poderia a equipa ter caído no abismo. E conseguiram-no, pelo menos durante 90 minutos.

Sem nada para conquistar, a não ser o apoio dos sócios, o Belenenses, que viu confirmada a despromoção na ronda anterior, em Guimarães, apresentou-se sem a pressão dos resultados frente a uma U. Leiria, que podia e devia ter feito mais. É certo que a candidatura europeia era apenas matematicamente possível, a União não dependia de si, mas só na primeira parte foi possível ver momentos de uma equipa que chegou a ser europeia.

Ao intervalo, o marcador registava um empate a duas bolas, mas não espelhava a superioridade dos anfitriões. Com Zé Pedro de início, que não era titular há seis jornadas, os azuis ganham outra profundidade (e qualidade) no meio-campo. Um regresso bem-vindo e determinante para o sucesso da equipa, ainda que por 45 minutos.

Dos pés do médio saiu a primeira ameaça à baliza de Djuricic, logo aos três minutos, ao lançar Lima na direita, que atirou cruzado para defesa apertada do guarda-redes sérvio.

Contra a corrente do jogo, Cássio inaugurou o marcador pouco depois, aos cinco, após trabalho de Vinicius na esquerda. Bruno Vale ainda defendeu o primeiro remate, mas não conseguiu evitar o segundo. Os azuis não esmoreceram e três minutos depois empataram, com Lima a bater finalmente Djuricic. Uma grande abertura de Zé Pedro para Lima culminou em mais um golo, mas através da conversão de uma grande penalidade. Djuricic derrubou o camisola 90, mas foi o médio que se encarregou de empurrar o Belenenses para a frente. Estavam decorridos 14 minutos.

A história de golos, que é, também, a deste desafio, só foi para o descanso depois do empate da União, na marcação de um livre directo por Marco Soares.

No segundo tempo, se melhor parecia impossível, não o foi. Depois de Bruno Vale segurar o empate logo nos minutos iniciais, Mustafá desfez a igualdade aos 52 minutos, numa recarga a canto de Miguelito. Seguiu-se o esquerdino a facturar, com um grande golo, desta feita após canto de Celestino, que entrara ao intervalo para o lugar do lesionado Zé Pedro.

Não satisfeito com o 4-2, o Belenenses partiu para a goleada (a U. Leiria desapareceu no segundo tempo), que chegaria através de André Pires.

Os aplausos que faltaram ao longo da época marcaram presença na despedida, mas também a «vergonha» da claque belenense. Resta saber o que o futuro reserva aos azuis, depois da queda da direcção.