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Há que empurrar os adversários através das várias jardas, 10 a 10, para atingir o local sagrado do campo, a «grande área» deste tipo de futebol jogado com as mãos mais do que com os pés. Nada falta. Nem os termos hollywoodescos: a «defense» e a «offense»! Na offense, os avançados dispõem de quatro downs para avançar, quatro rounds para subir dez ou mais jardas. Se conseguirem cumprir esse objectivo, mantêm a posse e têm direito a mais quatro combinações de jogadas. Se falharem, a bola passa para a equipa adversária.

O público não é muito, mas parece perceber do assunto e manifesta-se de acordo com as suas cores. Curiosamente, temos um Porto de preto e uma equipa lisboeta... de azul e branco.

Em campo, fala-se português, grita-se em espanhol, ouvem-se indicações em inglês. Duas equipas portuguesas repletas de nacionalidades estrangeiras. Não há barreiras linguísticas, todos se entendem, todos sabem o que fazer. Os árbitros são animados, bem-dispostos. Aqui ninguém os insulta, aqui até brincam entre eles. Se calhar porque são cinco e funcionam como uma equipa. Até são sincronizados ao atirar bandeiras amarelas pelo ar, para assinalar as infracções. Houve muitas faltas, mas nenhuma expulsão. Não houve discussões, não houve momentos quentes, além do que é próprio de um desporto de contacto.

«Jogar em Espanha é caro»

Juan Ortiz admite que jogar em Espanha tem ajudado sobremaneira ao desenvolvimento da sua equipa e os senhores do apito têm a sua quota-parte de responsabilidade. «Os jogos contra os espanhóis estão a dar-nos muita experiência. Estão-nos a ajudar a subir de nível. Estamos a jogar com árbitros com muito conhecimento do jogo, os espanhóis, que também já são profissionais há vários anos e nos ajudam com as regras. Para a nossa preparação é muito bom», elogia o capitão.

Já o presidente dos Porto Renegades, satisfeito com a qualidade da liga, apenas lamenta os custos que são obrigados a suportar nesta ponte ibérica tão regular. «O facto de jogarmos no campeonato espanhol traz muitas despesas. Primeiro, porque temos de jogar fora e nunca é perto e depois, mesmo jogando em casa, temos despesas com os bombeiros, o arrendamento do campo, o pagamento da viagem e estadia aos árbitros, que são todos espanhóis. Jogando em casa ou fora temos sempre despesas, a nível de custos é praticamente a mesma coisa.»

Patrocínios precisam-se

E não há apoios praticamente nenhuns, ou mesmo nenhuns. «Temos dois patrocínios recentes e reduzidos. Nem chega para cobrir a época, os jogadores praticamente pagam para jogar. Daqui a duas semanas temos de ir a Barcelona e cada um tem de pagar a sua viagem, não há outra hipótese», explica o fundador do clube portuense.

Ortiz conta que os lisboetas nem essa sorte têm. «Cada equipa procura apoios, mas na realidade são os jogadores e os familiares que vão conseguindo a subsistência. Ainda não temos nenhum patrocínio, porque o desporto não é suficientemente conhecido para irmos bater à porta das empresas e obter um sim