V. Guimarães, mais revigorado na classificação e ainda com a motivação extra de alcançar um lugar na Liga Europa, abordou o encontro na primeira parte com o desejo de «pacto» de não agressão ao adversário. O U. Leiria trocava a bola, mas faltava progressão.

O jogo tinha fases pouco interessantes: um remate de Bruno Moraes a abrir o encontro, um livre bem cobrado por Bruno Teles e duas tentativas de Soudani. Nada mais.

Futebol mais concreto dos vitorianos levou Leirienses ao «abismo»

A equipa do Lis tinha resistido 48 minutos. Mas o contra-golpe de Soudani a abrir a segunda parte desequilibrou o 0-0. Golo e momentos de aplausos. Antes, Bruno Moraes ainda abanou a rede, mas o juiz considerou que Cacá jogou a bola com o braço.

O espírito de equipa de Leiria emergiu mais a partir desse momento. Mas pouco segura e, além disso, a defender com sacrifício e a mostrar limitações no ataque. Jogou quase sempre com o coração. Nuno Assis esteve perto do 2-0, o remate saiu ao lado. José Dominguez decidiu, então, lançar Nicklas e, mais tarde, Djaninny. Com alguns resultados.

Sentindo a corda no pescoço, o U. Leiria era uma equipa sujeita, em permanência, a uma pressão enorme, após uma semana tensa, que abalou ainda mais o clube do Lis. Viu-se uma equipa sofrida na hora de jogar a sobrevivência. O azul de um perdia-se no branco do outro. Bruno Moraes conseguiu o empate (1-1), mas no minuto seguinte a formação leiriense permitiu que Bruno Teles disparasse para o 2-1, após alívio de Marco Soares. Um bom golo.

Com a lembrança fresca da crise como pano de fundo, que se traduz em dramatismo, demasiado para dar margem a qualquer ensaio de bom futebol. Estas coisas perturbam sempre. Não é uma acusação, é uma constatação duplamente dolorosa. Não será difícil perceber o alcance de uma derrota tão delicada: clube em descalabro financeiro e, ao mesmo tempo, desportivo.

O V. Guimarães circulavam melhor a bola com um meio-campo mais equilibrado e criavam mais oportunidades. Uma exibição simplesmente superior, convicta, às vezes até emotiva. Soudani continuava a suspirar por mais golos. A equipa realizava, agora, um jogo mais vivo e virado para o ataque. Os brancos pretendiam, acima de tudo, consolidar o sexto lugar.

A União, em contrapartida, apresentou poucas ideias de jogo, mas Bruno Moraes ainda revelou profundidade e tentou surpreender Nilson. Mais tarde, Élvis cruzou para Djaniny cabecear para novo empate. No turbilhão, os homens de Dominguez perderam o rumo e ficaram na câmara das torturas, moribundos, incapazes de iludir a brutalidade do destino e praticamente condenados a «chorar» a descida de divisão com mais um golo de Soudani (3-2).

Com esta derrota, a vida na liga principal está mesmo pela hora da morte. A crença no milagre da permanência está, praticamente, obscurecida.