O Sp. Braga está na corrida, por linhas tortas. A fé arsenalista, em Sexta-Feira Santa, ultrapassou um obstáculo histórico num duelo com quatro castigos máximos! Artur Soares Dias fica na história do derby, convivendo com um pecado capital que decidiu a contenda. Vira e volta à moda do Minho (3-2). O Vitória terminou o jogo com apenas sete elementos!
A temperatura subiu consideravelmente, desde o apito inicial de Artur Soares Dias. O árbitro portuense seria, aliás, a personagem central da primeira metade, realidade indesejada no cenário futebolístico.
Antes dos casos, as escolhas. O derby do Minho reservava um duelo particular entre dois treinadores da moda, sem ligações umbilicais à região. Domingos Paciência guindou o Braga para a luta pelo título, Paulo Sérgio entrou em Guimarães para recuperar o sonho europeu.
Nas primeiras peças do xadrez, vantagem para o visitante. Paulo Sérgio mudou e bem. Domingos alterou mais do que o esperado e deu-se mal. Luís Aguiar substituiu o lesionado Mossoró, Matheus fez sentido no lugar de Rentería, Rafael Bastos não fez esquecer Hugo Viana.
O Vitória aproveitou as mutações no sector intermediário arsenalista para criar ascendente. Marquinho subiu no terreno, Rui Miguel acrescentou criatividade e Valdomiro surpreendeu pela disponibilidade física, depois de vários dias sem treinar.
Soares Dias por conta própria
Voltemos aos casos, motivo de discórdia desde cedo. Com sete minutos de jogo, a primeira confusão. Soares Dias viu uma mão de Moisés, onde todos os outros viram a cabeça. O árbitro assinalou penalty, ouviu o auxiliar, passou-se mais de um minuto e tudo mudou. Nem castigo máximo, nem amarelo. Foi tudo engano.
O Sp. Braga respirou de alívio e tentou responder, mas o duelo pendia para o Vitória. Desmarets obrigou Eduardo a boa defesa. Pouco depois, chegava o tento inaugural. Valdomiro acreditou e ganhou um lance aéreo. Marquinho amorteceu e Rui Miguel marcou. As três apostas de Paulo Sérgio. Soares Dias acredita que o brasileiro utilizou o ombro. As imagens apontam para o início do braço.
O derby do Minho desenrolava-se de caso em caso. A formação arsenalista denotava ansiedade na construção de jogo, aproveitando um lance de bola parada para voltar ao jogo. Luís Aguiar bateu o livre, Andrezinho desviou com o cotovelo. Aceita-se a decisão. Alan converteu o castigo máximo e restabeleceu a igualdade.
O derby da ansiedade
Márcio Mossoró, lesionado após a batalha na Luz, teve direito a dedicatória no golo do Sp. Braga. A equipa batalhava, sem a categoria de outrora. Vandinho e Leone completam um trio de ausências de peso. O Vitória, também ele desfalcado, jogava com o nervosismo alheio e o tempo.
Domingos Paciência tentou emendar a mão, na etapa complementar. Rentería saltou para o lugar de Rafael Bastos, com Meyong a ver. O colombiano tem boa vontade, mas fraca pontaria. Após soberbo passe de Alan, falhou um golo feito (64m)!
Ansiedade contagiante. O Sp. Braga montou o cerco e acabou por provocar o cúmulo do erro. Valdomiro, o melhor em campo até então, desentendeu-se com Lazaretti e provocou um castigo máximo, ao tentar corrigir o erro.
Daí até final, entornou-se o caldo por completo. Rodriguez fez penalty sobre Roberto, permitindo a Andrezinho restabelecer a igualdade. Nos últimos minutos, Artur Soares Dias borrou a pintura, ao quarto castigo máximo! Rentería simulou, Meyong marcou. O Vitória revoltou-se e terminou com apenas sete jogadores. Lamenta-se tal desfecho.