E tudo o vento levou. O bom futebol, os golos, a qualificação imediata do V. Guimarães para a Europa. Levou tudo e para bem longe de Vila do Conde, onde pouco ou nada se viu de recomendável no relvado do Rio Ave.

Seria injusto, porém, endossar as culpas todas aos fenómenos da natureza. Houve rajadas fortíssimas, uma ventania limitadora, é verdade, mas também incompetência a rodos e a dividir pelos dois clubes.

FICHA DE JOGO

Nestas contas, a responsabilidade maior toca ao V. Guimarães. Em caso de triunfo, os minhotos teriam assegurado a presença na próxima edição da Liga Europa. Assim, viram a aproximação ameaçadora do Marítimo e adiaram para a última jornada as esperadas festividades. Para isso, basta apenas o empate. Diante do Marítimo, precisamente.

E nestas coisas, já se sabe. Nunca é de bom tom adiar o que pode ser resolvido no imediato. De qualquer forma, as coisas até poderiam ter ficado mais complicadas, caso o Nacional tivesse cumprido a sua parte em Coimbra.

Começar pelo fim faz todo o sentido

Sobre o Rio Ave-V. Guimarães, o melhor mesmo é começar pelo fim. Pelos últimos dez minutos. Só nessa fase foi possível ver alguns fogachos de emoção. Bruno Moraes, dos melhores em campo, obrigou Nilson a uma defesa com os punhos; Bruno Gama surgiu isolado e atirou para defesa do guarda-redes brasileiro; Douglas atirou rente ao poste direito da baliza vilacondense; Bruno Moraes, outra vez, isolou-se e escorregou na hora do remate.

Bruno Moraes: o destaque da partida

Por incrível que pareça, as duas equipas decidiram compactar as oportunidades de golo em dez minutos. Nos anteriores 80, e não há qualquer ponta de exagero nesta indicação, os guarda-redes puderam estar completamente tranquilos: não houve um único remate digno dessa designação.

Houve, isso sim, muita leveza na atitude adoptada. O Rio Ave, plenamente tranquilo, jogou num ritmo baixo, sem preocupações de maior. O que até se entende; o Vitória, talvez convencido que o golo acabaria por surgir, foi demasiado passivo e complacente.

Carlos Brito aceita empate, Paulo Sérgio queria mais

Nuno Assis surgiu em dois ou três momentos, quase sempre em pedaços de terreno inofensivos, Douglas raramente foi bem servido e viu-se constantemente batido pelos centrais da casa.

E o melhor em campo foi... Bruno Paixão

Para se perceber a pobreza franciscana da partida, podemos acrescentar mais um dado: o árbitro Bruno Paixão foi durante largos minutos o melhor em campo. Já depois do apito final houve muitos protestos por parte de alguns jogadores do Vitória, mas não foi possível perceber o alcance das críticas. Na jogada em que os minhotos pediram penalty sobre Nuno Assis, ficámos com a sensação que o médio se atirou para o relvado.

Por aquilo que se viu, o Vitória só se pode queixar de si e do futebol que não jogou.