Depois da exibição infeliz de Milojevic nos Barreiros, Carlos Cardoso promoveu a estreia de Pawel Kieszek na baliza sadina. Ricardo Chaves regressou ao «onze», depois de ter cumprido castigo. O Vitória apresentou-se a jogar em 4x4x2, com Bruno Gama e Bruno Ribeiro nas alas. Mateus e Leandro Lima fizeram de avançados, mas a equipa da casa ressentiu-se sempre (e mais uma vez) da falta de uma referência ofensiva.

Ainda assim o início do jogo mostrou um Vitória a querer mandar no jogo. Leandro Lima mostrou-se muito activo, mas longe do papel de avançado. Faltava sempre alguém a quem endereçar a bola para marcar. Sem essa referência, os sadinos iam tentando de longe, mas sem grande sucesso. O Nacional jogava na expectativa, e com Nené algo discreto, era Mateus quem aparecia mais. Aos 15 minutos o angolano obrigou Kieszek a mostrar serviço, mas foi a partir da meia-hora que o Nacional começou a subir mais no terreno. Curiosamente, seria nessa altura que o Vitória iria chegar à vantagem. Canto na esquerda e no meio da confusão, Jorge Sousa assinala grande penalidade. O juiz portuense terá entendido que Halliche puxou o Robson. Auri, da marca de onze metros, inaugurou o marcador e levou o Vitória em vantagem para o intervalo.

O final da ópera calhou bem, perante os avanços e recuos de Machado

Insatisfeito com o andamento do jogo, Manuel Machado fez dupla alteração ao intervalo. Nuno Pinto e Leandro Salino ficaram nos balneários, Fabiano e Miguel Fidalgo entraram. A ideia era alargar a frente de ataque, mas em prejuízo do meio-campo, que já na primeira parte tinha estado muito macio.

O Vitória voltou a entrar melhor e esteve perto do golo em duas ocasiões. Primeiro num livre «à Camacho», com Ricardo Chaves a atirar por cima (55m), e depois com André Marques a acertar na barra (59m). Pelo meio tinha aparecido Nené, mas Kieszek voltou a estar em bom plano.

Embora a formação sadina estivesse a jogar bem, Carlos Cardoso entendeu que estava na hora de acabar com a ópera e tirou Leandro Lima para fazer entrar Zoro. A mensagem era clara: defender a vantagem, tendo em conta que o Nacional tinha mais gente na frente. Só que, na mesma altura, Manuel Machado percebeu que nunca tinha estado a ganhar a batalha de meio-campo, e por isso colocou Bruno Amaro no lugar de Mateus.

O Vitória começava a defender a vantagem muito cedo, mas a estratégia acabou por funcionar. A aposta no contra-ataque deu frutos. A quinze minutos do fim Hugo roubou uma bola e entregou depois a Mateus, que ganhou espaço à entrada da área e rematou para o 2-0, com a bola a desviar ainda num defesa.

O tento sentenciou a partida e premiou um Vitória lutador, que pela segunda vez na época consegue duas vitórias seguidas em casa. A equipa sadina sai da zona de despromoção à custa de um Nacional que esteve muito longe daquilo que já mostrou e que perdeu uma excelente oportunidade para subir ao quarto lugar.