João Henriques, treinador do V. Guimarães, em declarações aos jornalistas após o empate com o Benfica (0-0) no Estádio da Luz:

«Resultado não tem motivação-extra. A primeira volta, que ainda não terminámos, sim. O saldo nesta altura são 30 pontos. Sem derrotas fora, uma equipa muito competente fora de casa no processo defensivo e a conquistar muitos pontos. Vamos procurar melhorar na segunda volta, porque temos aspetos a melhorar, evidentemente. A pontuação e a solidez da equipa dá-nos confiança. A equipa é solidária, está a crescer e mostra o que fazer em todos os momentos do jogo.»

[Solidez foi essencial para as fases do jogo em que o V. Guimarães foi mais encostado para a sua baliza?]

«Na minha opinião não conseguimos fazer na primeira parte aquilo que tínhamos planeado fazer. Fomos uma equipa mais reativa do que proactiva. Valorizamos a solidez da última linha nesse período.

Quando foi nomeado o homem do jogo, o Matous [Trmal] disse que devia haver um engano. Que não tinha feito defesas. E tem razão. As defesas dele foram todas fáceis, simples. São cinco remates enquadrados e em nenhum há uma defesa extraordinária e decisiva. Não temos culpa que o Benfica não tivesse enquadrado mais remates. Mas isso é problema do Benfica.

Melhorámos na segunda parte e dividimos o jogo. Estivemos 10/15 minutos por cima, depois o Benfica voltou a dividir o jogo connosco e houve situações depois nas duas balizas. Considero que na segunda parte há uma grande oportunidade para cada uma das equipas.

Tínhamos previsto fazer mais no jogo todo o que fizemos na segunda parte. Foi mais demérito nosso do que propriamente mérito do Benfica. Não fez um jogo extraordinário: foi superior e foi aproveitando alguns erros posicionais e aproveitou que fôssemos mais apáticos. Na segunda parte, quando fomos mais Vitória, o Benfica demonstrou dificuldades que demonstrou anteriormente e que nós quisemos explorar.

Vinte e dois remates? Quando se remata muito de fora da área e se tenta rematar muito à baliza, os números [estatísticos] podem ser esses.

Fizemos pouco para vencer na primeira parte. Fizemos mais na segunda parte. E é isso que queremos fazer sempre.

Na segunda volta queremos igualar ou melhorar uma pontuação que já é excecional.»

[Sobre a entrada de Pepelu. Que importância teve?]

«São as características dos jogadores. Não que o Miguel Luís tivesse estado pior do que os outros na primeira parte. Foi uma questão estratégica de colocarmos lá o nosso pivot no meio-campo: está muito rotinado. Conseguimos ganhar mais bolas, ficámos mais posicionais. Ganhámos primeiras e segundas bolas, tivemos mais presença naquela zona. Ao estarmos melhor posicionados no campo, estamos mais à frente, recuperamos mais bolas no meio-campo adversário, temos mais transições, mais chegada à área contrária e mais oportunidades de golo. Mas o Pepelu não fez treino nenhum antes do jogo. Estamos sempre nisto [sobre a covid-19]. Felizmente que não perdeu as rotinas, mas não podia fazer os 90 minutos. O André André cresceu no jogo por isso e também o André Almeida.»

[Mais sobre a segurança defensiva do V. Guimarães]

«Cansámos demasiado os nossos alas e o nosso avançado na primeira parte. Para terem uma ideia, corremos mais seis quilómetros do que o habitual. Mas corremos mal. Isso não permitiu que a equipa tivesse disponibilidade para chegar à área contrária quando recuperasse a bola. Na segunda parte corremos menos, mas corremos melhor.

Foi mais um jogo a zeros. Se não me engano, é o oitavo que o Vitória tem na primeira volta. É de louvar. A equipa é competente.»

[Sobre as críticas de um comentador da BTV à postura defensiva do V. Guimarães]

«Vamos tentando fazer mais e melhor, umas vezes com melhores exibições, noutras piores. Acho que para valorizarmos a qualidade do nosso produto, que é a Liga portuguesa, temos de dizer bem das coisas. Se dissermos sempre mal, ninguém compra o produto. Valorizem as coisas. Obviamente que o Benfica tem a obrigação de fazer em casa o que fez em todos os jogos: vinte e tal remates, 60 por cento de posse de bola. O que não quer dizer que outra equipa não quer ganhar. Não digam isso: é uma ajuda tremenda. Estão a querer defender o clube, mas têm de ser mais inteligente. Podia ter-me dado nota 1, que eu ia contente para casa à mesma. Este tipo de comentários não valoriza o futebol: é feio.»