Com um sorriso no rosto que tentou disfarçar, apressou-se a enviar um SMS a uma pessoa especial: ao pai Hassan Nader, jogador que chegou a passar pelo Benfica mas que se destacou essencialmente ao serviço do Farense, clube que representou entre as décadas de 90 e de 2000 e ao serviço do qual se sagrou melhor marcador do campeonato em 1994/95. Dispensava apresentações, não era?

«Vai para a caixinha [das multas], mas é claro que tinha de lhe mandar mensagem neste momento para ver o seu filho estrear-se na I Liga como titular», conta o jovem jogador com satisfação.

Depois de a escolha ter recaído sobre Vasco Costa nos dois primeiros jogos após a saída de Suk, chegava a vez de Hassan ter a sua grande oportunidade. Os colegas deram-lhe moral: «Disseram-me na brincadeira que tinha de marcar.»

A brincar ou não, Hassan fez a vontade aos colegas. Marcou mesmo: o primeiro golo na Liga; o primeiro pela equipa principal do clube sadino.

Feitos importantes, sim, mas não tanto como os três pontos, sublinha: «Foi uma grande noite, uma grande estreia com um golo. Mas o importante era ajudar a equipa a ganhar. Era esse o objetivo principal e só depois pensaria em marcar. Graças a Deus consegui marcar e ajudar a equipa a chegar à vitória (2-1).»

Curiosidade: Mohcine Hassan tinha apenas sete anos quando o pai apontou o último golo na Liga. Aconteceu a 7 de dezembro de 2001, num Farense-Belenenses (2-2). Com em tantas outras tardes e noites, Hassan Nader voltou a ser o abono de família da equipa algarvia, com dois golos. «Lembro-me de vê-lo no Estádio de São Luís mas não me recordo de muitos jogos dele na I Liga. Mas toda a gente me diz que era um grande avançado. Dizem que tenho algumas parecenças com ele como jogador, mas isso deixo para outras pessoas. Trabalho todos os dias para ser mais forte.»

Após o final do jogo com a Académica, Quim Machado deixou elogios a Hassan, mais um jovem da formação sadina a ser lançado na equipa principal com sucesso, depois dos exemplos, entre outros, de Rúben Vezo e dos irmãos Ricardo e André Horta, este mais recentemente.

Agora foi a vez de Mohcine Hassan Nader. «Desde que integrei a pré-época que o meu objetivo era trabalhar e evoluir. Sabia que algum dia teria a oportunidade. Tive-a esta noite e aproveitei-a. A quem dedico este golo? A toda a gente e principalmente aos adeptos do Vitória pelo apoio que nos têm dado. Espero marcar muitos mais para dedicar a toda a gente», acrescenta confiante.

Se for como o pai...