O Sp. Braga completou um «triplete» à moda do Minho. Derrubou Sporting, F.C. Porto e Benfica para ocupar isolada e orgulhosamente o cume da Liga 2009/10. Temos candidato. Ainda há dúvidas? Hugo Viana deu o mote, Paulo César aplicou a estocada final (2-0). Jesus viu a sua equipa ficar em branco, pela primeira vez na competição.
Jorge Sousa cometeu erros, o Benfica tem maiores razões de queixa, sim senhor. Mas nem tudo se explica por aí. Jogo grande, enorme. Um ambiente à altura de um embate entre líderes. A melhor defesa da Liga, com apenas um golo sofrido no Estádio AXA, recebia o ataque mais temível, com trinta cartões de visita em apenas oito jornadas.
A Pedreira engalanou-se, rochas polidas e bancadas bem compostas (24.188 espectadores). O Sp. Braga arrecada mais de 400 mil euros de receita, provenientes de ingressos que chegavam aos 65 euros para o adepto comum. O espectáculo foi bom, muito bom até, mas não cheguemos a tanto.
Em casa mandam eles
Feitos os parênteses, eis o futebol. O Sp. Braga entrou em campo sem deixar o Benfica respirar, utilizando a melhor arma do inimigo contra uma equipa habituada a dominar desde o primeiro minuto. Cardozo escapou ao amarelo, Coentrão não. Falta, bola para Hugo Viana. Assim mesmo, a frio, aquele pé esquerdo fez a bola passar por cima de onze benfiquistas e entrar junto ao ângulo da baliza de Quim. Golo portentoso!
O Benfica entranhava a desvantagem mas tentava responder de imediato. Valeu Eduardo, desviando remates de Ramires e Di María. Nas bancadas, desacatos evitáveis, com uma tocha a cair em cima de adeptos do Sp. Braga, devido à má colocação dos seguidores do clube da Luz.
Casos para não variar
Ao minuto 28, o primeiro caso. Após livre de Aimar, ouve-se o apito de Jorge Sousa. Luisão acaba por marcar de cabeça, mas o árbitro tinha assinalado uma falta de Cardozo sobre Leone, momentos antes. Discutível a infracção, fica o registo de uma decisão tomada antes de surgir o desvio fatal para a baliza do Sp. Braga.
A partir daí, o caldo foi-se entornando. O Benfica reagia mal, Mossoró e Alan obrigavam Quim a duas defesas providenciais e Saviola via um amarelo por simular uma grande penalidade.
O intervalo chegou com uma péssima propaganda para o futebol.Tudo começou em Dí Maria, que ficou agastado com o facto de os elementos do banco do Sp. Braga queimarem tempo. Fez um mau lançamento, terminou a primeira parte e o argentino chutou a bola em direcção ao banco arsenalista, cuspindo de seguida. Lançou-se a confusão, com contornos imperceptíveis para os jornalistas colocados na bancada.
Dividir o mal pelas aldeias
Sp. Braga e Benfica regressaram ao rectângulo de jogo com uma disposição estranha. Aí, percebeu-se que Jorge Sousa expulsara Leone e Cardozo, na sequência dos desacatos generalizados, no túnel. Não seriam os mais exaltados, pelo que foi possível constatar, mas louve-se ao menos a firmeza, a tomada de decisões, em contraste com a habitual assobiadela para o lado, em situações do género.
Domingos Paciência trocou Meyong por Rodriguez, abdicando da referência atacante para repor o stock defensivo. O Benfica respondia com Keirrison, pouco depois. Pelo meio, um par de decisões contestáveis, por parte do árbitro da partida. João Pereira, por exemplo, escapou ao segundo amarelo em lance com Dí Maria. O argentino manteve a chama visitante, Keirrison falhou a oportunidade mais escandalosa mas o Sp. Braga foi estabilizando.
Ao minuto 78, a machada final. Jesus não mexera mais na equipa, estranhamente. Matheus recebe na área, cruza para Paulo César e este fuzila Quim. Moisés salva um golo do Benfica pouco depois. O Sp. Braga saiu do palco como entrou: comportando-se como um grande. «Follow the leader», ouviu-se no AXA.