Filme: Draft Day
Realizador: Ivan Reitman

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«Show me the money!» A frase repetida por Cuba Gooding Jr para Tom Cruise em Jerry Maguire entra aqui como prólogo. As contratações na NFL são tudo menos tema fácil, devido a free agents, tetos salariais e trocas muitas vezes difíceis de entender. 

Assim, o  draft é o local e o tempo em que acontecem as principais mexidas nos plantéis. Mas o próprio draft, um sistema desenvolvido não só para a NFL como também para a NBA por exemplo, é um dos exercícios mais complicados de se fazer. Logo de início, não é fácil de entendê-lo, devido a uma série de regras impostas. Mais difícil ainda é tomar decisões que podem valer campeonatos num curto espaço de tempo. Escolher os principais jogadores do futebol universitário para passarem a profissionais pode ser uma valente dor de cabeça.

Kevin Costner é o ator principal e, mesmo que o filme seja uma comédia-drama, ou seja, que possa, no final, resumir-se a mais uma história de amor como tantas outras, ele dá-nos uma pequena ideia da dificuldade que é gerir o draft. Da pressão a que os dirigentes estão sujeitos, da ansiedade dos jogadores, expectantes por ouvirem o nome deles e fazerem contratos milionários. «Show me the Money», basicamente.

O draft é um processo complicado. Desde logo, prolonga-se por três dias! Há sete rondas de escolha e as prioridades são definidas, principalmente, pela classificação da época anterior. Principalmente, porque pode haver trocas entre as equipas e promessas para anos seguintes. Ou vindas de anos anteriores.

A ação do filme tem como base os Cleveland Browns. No argumento original, eram os Buffalo Bills, mas os custos de produção eram maiores na cidade do estado de Nova Iorque, do que na do Ohio. Assim, Costner surge-nos como Sonny Weaver Jr, o general manager dos Browns.

A quem está mais atento ao fenómeno do futebol americano reconhecerá de imediato algumas caras. O Radio City Hall em Nova Iorque é o local onde o draft real acontece. Este ano será em maio, um mês depois da premiére do filme. A ESPN acompanha em direto e nomes como Chris Berman [apresentador/narrador] ou Jon Gruden [treinador/comentador] são parte da ação no filme também. Fazem em «Draft Day» aquilo que fazem na realidade.

Na parte final do trailer surge o próprio comissário da NFL, Roger Goodell, que anuncia que os Browns «estão agora em contra-relógio». No draft, há tempo limite para se decidir. São sete rondas, a primeira começa com os responsáveis a terem dez minutos para anunciarem um nome. A partir daí, os minutos diminuem. Por isso, é bem possível que a equipa com a escolha seguinte lhe roube um jogador. Parece simples, mas a história do draft já conheceu episódios destes.

Na realidade e na ficção, o Radio City Hall de Nova Iorque enche-se de adeptos de todas as equipas. Os ingressos são de borla e os fãs ficam na sala apenas e só para assistirem a escolhas. Obviamente, e porque é na América, eles próprios se tornam um espetáculo dentro de outro.

Em suma, a época da NFL começa ali. Há mais transferências, obviamente. Mas uma boa escolha pode inclinar e de que maneira o futuro de um franchise. O quarterback campeão neste ano só chegou à NFL em 2012, por exemplo. Russel Wilson foi apenas escolhido pelos Seattle Seahawks na terceira ronda.

Kevin Costner vai tentar inverter a tendência dos Cleveland Browns no filme, assim como os Kansas City Chiefs conseguiram fazer na última época. Em 2012/13, foram a pior equipa da NFL, logo ficaram com a primeira escolha de todas no Draft. Em 2013/14, os Chiefs terminaram a época regular como um dos melhores registos do campeonato e atingiram os play-off. Falta saber o que acontece aos Browns de Sonny Weaver Jr.