DESTINO: 90's é uma rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 90's.  
 
WALTER PAZ: FC Porto e Gil Vicente (1994/95)










«De Portugal? E querem falar comigo? Bem, confesso que estou surpreendido»«Quase nem joguei aí»

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«Estava no Argentino Juniores e o FC Porto mandou cá o próprio Bobby Robson para ver-me jogar. Ele gostou e disse para me contratarem. Tinha outra proposta do Feyenoord, mas entre Portugal e Roterdão não pensei duas vezes»

«Futebolisticamente não correu muito bem, mas para mim não correu mal. Joguei, joguei bem até.»



«Infelizmente não cheguei a jogar no FC Porto, só na pré-temporada. Não foi só culpa minha. Não sei o que aconteceu. Não sei se havia dinheiro envolvido. Não tenho muito claro o que se passou»

«Fiquei com ideia que foi tudo decisão dele. Já viu? Foi ele que me contratou e foi ele que não me deixou jogar. Não era um jogador comunitário, também me prejudicou. Mas sei que a direção não me queria deixar sair»

«O problema foi o Bobby Robson. Tinha outras ideias. Joguei só amigáveis, mas rendi sempre. A direção queria que eu ficasse porque viam isso, mas o treinador não me achava importante. E não se pode dizer que correu mal: foi campeão. Como contrariar isso?»

«Vou ser sincero: não foi um drama. Estava fora do meu país e não estava a jogar, claro. Mas a cidade era muito linda, o clube era muito bom comigo, sempre falei bem com toda a gente e tenho boas recordações. Grandes recordações. Poderia ter sido melhor, mas às vezes as coisas não acontecem como queremos.»

«Parece que ainda os estou a ver: tem calma Walter, espera um pouco»



«Queriam que ficasse mais tempo, mas eu queria sair. Era novo, queria jogar. Foi decisão minha. Parece que ainda os estou a ver a falar comigo: ‘tem calma Walter, tem calma. Espera’. Se calhar se o inglês [Bobby Robson] saísse eu poderia jogar. Mas na altura eu não pensava nisso. O plantel era muito bom mas eu tinha condições para jogar»,



«Fui para lá para jogar mais. Os presidentes tinham uma boa relação e foi a solução. Eu aceitei porque assim poderia mostrar a minha qualidade em Portugal»

«Era uma diferença muito grande. O clube tinha poucas condições, não tinha campo de treinos, sequer. Posso dizer que conheci os dois extremos em Portugal: o bom e o mau.»

«Defendi sempre as cores do clube, joguei, marquei golos, mas não era o que queria para mim. Fui para Portugal para um clube importante, rejeitei o Feyenoord e, com todo o respeito pelo Gil Vicente, queria mais»



«Rescindi, foi tudo assim meio escondido. Segui o meu caminho. E o FC Porto continuou a ganhar. E ainda bem, só desejo bem ao clube»

«Quem é o presidente do FC Porto? Ainda o Pinto da Costa?!»



«Honestamente, conhecia muito pouco do FC Porto. Na Argentina não se sabia nada mais do que o normal, que era um clube grande em Portugal. Agora sim, aqui acompanha-se mais o futebol português, pelo menos quem está mais por dentro do futebol. Na altura os jogadores saíam daqui para Itália ou Espanha. Ninguém ia para Portugal»

«Fiquei surpreendido com o clube. Muito organizado, uma grande estrutura, bons campos para treinos, um estádio bonito»

«Creio que encontraria um FC Porto muito diferente, não? Notava-se que era um clube e uma cidade em crescimento»

«Quem é o presidente agora? Pinto da Costa?! Ainda? (risos) Muito bom, muito bom.»

«Nunca mais o vi».

«Não tenho nada a ver com ele. Ele veio, ficou um mês, rescindiu e foi embora. Não tenho qualquer contacto com ele, sei que acabou a carreira muito cedo, nada mais»

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