A 'World Cup Experts Network' reúne órgãos de comunicação social de vários pontos do planeta para lhe apresentar a melhor informação sobre as 32 seleções que vão disputar o Campeonato do Mundo. O Maisfutebol representa Portugal nesta iniciativa do prestigiado jornal Guardian. Leia os perfis completos das seleções que participarão no torneio:

Autora dos textos: Jill Zimmerli

Parceiro oficial na Suíça: Blick 

Revisão: Vítor Hugo Alvarenga

Semanas antes de Ottmar Hitzfeld anunciar a lista de 23 para o Mundial, a Suíça debatia-se com as lesões de vários jogadores fundamentais. Diego Benaglio, Xherdan Shaqiri, Fabian Schar, Philippe Senderos a Tranquillo Barnetta pouco jogaram na reta final da temporada.

Foi uma altura complicada para Hitzfeld, um treinador que gosta de estabelecer um plano atempadamente e agir de acordo com ele. Durante a qualificação para o Mundial, a Suíça jogou num 4-2-3-1, com apenas uma mudança pontual para o 4-4-2. Após o empate a zero frente a Chipre, o selecionador decidiu aumentar o poder atacante. Josip Drmic e Mario Gavranovic não começaram bem na frente e foi Haris Seferovic a fazer a diferença.

Não restam grandes dúvidas sobre o onze inicial para o Campeonato do Mundo.

Diego Benaglio é titularíssimo na baliza e o mesmo acontece com Ricardo Rodriguez no lado esquerdo da defesa. Rodriguez não falhou qualquer jogo do Wolfsburgo durante a época. Stephan Lichsteiner (Juventus) é o favorito para o lado direito, com os maior problema a incidir sobre o eixo central. Fabian Schar (Baselia) falha com regularidade e o seu colega Steve von Bergen (Berna) teve bastante azar nos últimos jogos.

Gokhan Inler, o capitão, estará seguramente no meio-campo e a seu lado deverá surgir Valon Behrami, companheiro de equipa no Nápoles. 

Nos flancos, Hitzfeld tem igualmente preferências claras. Xherdan Shaqiri, do Bayern Munique, regressará após lesão e já demonstrou ser essencial para a equipa. Shaqiri não é apenas um perigo no ataque. Na seleção, também desempenha funções no processo defensivo. O mesmo acontece com Valentin Stocker do outro lado. O extremo de 25 anos terminou a época em grande forma.

O único dilema do selecionador gira em torno do número 10. Granit Xhaka (Borussia Monchengladbach) disputou nove dos jogos de qualificação. Porém, ficou-se pelo banco na Bundesliga. A alternativa será Admir Mehmedi, que marcou 12 golos pelo Friburgo, igualmente no campeonato alemão.

Na frente de ataque, Josic Drmic é a primeira escolha de Ottmar Hitzfeld. Com 17 golos pelo Nuremberga na sua primeira temporada na Bundesliga – e uma transferência acordada em maio para o Bayer Leverkusen -, Drmic é seguramente o homem do momento. Em março, marcou os seus primeiros dois golos frente à Croácia (2-2).

O esquema está montado e a Suíça sabe que precisa de uma vitória a 15 de junho, frente ao Equador, no arranque da competição. A seleção helvética está ciente do risco que enfrenta perante adversários supostamente inferiores.

Em 2010, a Suíça foi a única equipa a vencer a Espanha no Mundial (1-0). Mas perdeu com o Chile (0-1) e chegou ao último jogo para enfrentar as Honduras. Não conseguiu melhor que um empate a zero e foi afastada da competição. Hitzfeld e todos os suíços esperam passar, desta vez, a fase de grupos.

Que jogador pode surpreender no Campeonato do Mundo?

Josic Drmic. O avançado de 21 anos jogou apenas 88 minutos na fase de qualificação mas carrega sobre os seus ombros um enorme peso. A Suíça sentiu dificuldades em marcar durante o apuramento: Haris Seferovic (Real Sociedad) fez apenas um golo, Eren Derdiyok (Bayer Leverkusen) ficou em branco. Para além disso, os dois jogadores passaram demasiado tempo nos bancos dos seus clubes. Portanto, o bom momento de Drmic faz dele a principal referência atacante da Suíça. Marcou 17 golos num clube que viria a descer – Nuremberga -, demonstrando qualidade na estreia na Bundesliga. Depois do Mundial, vai jogar no Bayer Leverkusen. Aos 21 anos, não parece ter medo de comandar o ataque da sua seleção.

E que jogador pode desiludir as pessoas no torneio?

Granit Xhaka está sob pressão. Na reta final da temporada, o médio não somou muito tempo de jogo no Borussia Monchengladbach. Nos primeiros meses, era utilizado com regularidade e tinha o seu lugar assegurado no onze da seleção. Porém, perdeu algum espaço no clube, onde é treinado por outro suíço (Lucien Favre) e pode acontecer-lhe o mesmo na equipa nacional.

Qual é a expetativa real para a seleção no Mundial?

A Suíça tem de passar a fase de grupos! Menos que isso será uma grande desilusão para uma seleção com tanta qualidade. Chegando às eliminatórias seguintes, tudo dependerá do sorteio. Em 2010, a Suíça logrou bater a Espanha no jogo inaugural mas não deu continuidade a esse resultado. Agora, vencer o Equador será crucial. A França é imprevisível e quanto às Honduras…ninguém esquece o duro empate no último Mundial. Irá a Suíça vencer a prova? Provavelmente não. 

 

Curiosidades e segredos da seleção

Fabian Schar

Melhor tarde que nunca. Em 2012, Fabian Schar estava a jogar no FC Wil do Segundo escalão e trabalhava como banqueiro. Pouco tempo mais tarde, o jogador rumou ao FC Basileia, chegou à seleção nacional e fez a sua estreia em agosto de 2013. Desde então, tem reforçado a sua importância no clube e na seleção. Tem nesta altura 22 anos.

Josip Drmic

Em 2009, a seleção sub-17 da Suíça venceu pela primeira vez um Mundial. Josip Drmic estava em casa a assistir aos festejos, já que tinha falhado – semanas antes - o teste para conseguir a cidadania suíça pela segunda vez. Sem o passaporte, não podia representar a seleção. Entretanto, o jogador já conseguiu ultrapassar esse obstáculo e tem-se assumido como uma opção a ter em conta no ataque da seleção principal.

Ricardo Rodriguez

A família deste jogador tem seguramente o gene do futebol. Ricardo Rodriguez joga no Wolfsburgo da Alemanha desde 2012 e os seus irmãos também são profissionais de futebol. O mais velho representa o St. Gallen, que disputou a fase de grupos da Liga Europa, enquanto o mais novo está na formação do FC Zurique, o mesmo clube onde cresceu Ricardo. 

 

Diego Benaglio

O guarda-redes da Suíça tem responsabilidade nos terrenos de jogo e fora deles. Aos 30 anos, Diego Benaglio dedica-se igualmente a ajudar jovens, assumindo-se como embaixador da fundação «Pro Juventute» e participando em campanhas contra o cyber bullying. «Quem nos relvados quer na internet, as regras são as mesmas. Deve prevalecer o fair-play», diz o guarda-redes.

Perfil de uma figura da seleção: Xherdan Shaqiri

 

A Suíça teve muitos jogadores com sucesso nas suas passagens pela Bundesliga: Stéphane Chapuisat, Alex Frei e Ciriaco Sforza, entre outros. Mas Xherdan Shaqiri ofusca esses nomes. Aos 22 anos, ele acaba de conquistar a sua 13ª medalha. Ao longo de 2003, o jogador acumulou cinco conquistas com o Bayern Munique (Liga dos Campeões, Supertaça Europeia, Mundial de clubes, Campeonato e Taça da Alemanha).

«Xherdan está sempre tranquilo nos momentos de posse de bola. Não importa quem tem pela frente. Ele não demonstra ansiedade e consegue sempre aproveitar o seu potencial. Para além disso, tem uma grande mentalidade e adapta-se bem às circunstâncias», considera Ottmar Hitzfeld.

Shaqiri fez a sua estreia na seleção em março de 2010, pela mão de Hitzfeld, acabando por ser incluído de forma surpreendente no lote de convocados para o Mundial da África do Sul. Tinha apenas 18 anos mas as suas qualidades saltavam à vista.

O jogador viria a assinar pelo Bayern Munique com um objetivo claro. «Quero conquistar um lugar no onze». Não é uma tarefa fácil, perante a concorrência de nomes como Arjen Robben, Franck Ribéry, Thomas Müller e Toni Kroos.

Nascido em Gjilan, no Kosovo, Shaqiri vem de uma família de etnia albanesa que emigrou para a Suíça quando ele era apenas um bebé. O jogador cresceu em Augst, no cantão de Basel-Landschaft, a poucos quilómetros das fronteiras com Alemanha e França.

Os primeiros passos no futebol foram dados no modesto SV Augst. Antes de rumar ao Bayern Munique, o jogador voltou ao clube e deixou-se levar pelas memórias. «Nunca esquecerei o dia em que o Basileia me veio observar.» Shaqiri tinha apenas oito anos mas o Basileia não hesitou. «Chorei muito e não queria sair do FC Augst, mas o meu pai acabou por me convencer. Ele passou a vir sempre comigo no autocarro para os treinos do Basileia.»

15 anos mais tarde, e com a conta bancária recheada, o jogador sente que o seu melhor momento ainda não chegou. O próximo objetivo passa pelo Mundial do Brasil e Shaqiri estará certamente a liderar a equipa no jogo de estreia.

O médio vai encontrar algumas caras familiares nos jogos da fase de grupos. Uma delas é de Ribery, seu companheiro de equipa no Bayern Munique. «Shaqiri tem apenas 22 anos mas apresenta uma maturidade enorme nas suas ações em campo, mesmo nos jogos grandes. Já o tinha visto no Basileia e ele comprovou a sua qualidade no Bayern», disse o francês.

Xherdan Shaqiri mostra-se preparado para o desafio que surge no horizonte: «Temos uma equipa jovem mas com enorme desejo de sucesso. O nosso objetivo é sobreviver à fase de grupos e alimentar a ideia de sermos uma surpresa. Penso que nos vamos sair bem.»