Jacinto João nasceu a 25 de Janeiro em Angola e ficará para sempre ligado à história do V. Setúbal, onde jogou de 1965 a 1979. Representou a selecção nacional por 10 vezes, entre Outubro de 1968 e Abril de 1974, tendo apontado dois golos com a camisola de Portugal.

Cidadão honorário de Setúbal, quando deixou pela primeira vez Angola «Jota» rumou¿ ao Benfica. Tinha começado a jogar no Benfica do Congo, com 14 anos, e o V. Setúbal manifestou interesse na sua contratação. Mas quando fez a viagem para Portugal era esperado no aeroporto por dirigentes do Benfica, história que é contada no livro «100 melhores do futebol português». Uma história que encontra algumas semelhanças com a «mudança de rumo» de Eusébio, poucos anos antes.

Estava-se em 1963, JJ foi então para o Benfica, onde treinou e jogou nos reservas. Mas nunca teve oportunidades nessa equipa «encarnada» dos tempos gloriosos de Eusébio, Coluna, Simões e Águas. Ao fim de cinco meses voltou a casa e foi jogar no Futebol Clube de Luanda, filial do F.C. Porto.

Em Agosto de 1965 voltou para Portugal, agora de vez e para Setúbal. Na cidade do Sado viveu 14 anos notáveis, no tempo em que o V. Setúbal se fez grande, orientado por Fernando Vaz e Pedroto. Foi vice-campeão em 1971/72, teve mais três terceiros lugares e conheceu a glória quando marcou o golo da vitória do V. Setúbal na final da Taça de Portugal de 1967, frente à Académica, para levantar o troféu. Era a consagração de um extremo senhor de dribles e fintas memoráveis e de um remate poderoso.

Num tempo de ditadura em que os regulamentos impediam os jogadores de se movimentar livremente, Jacinto João teve de se sujeitar sempre às condições que lhe impunha o clube sadino. Em 1975, depois da Revolução, decidiu mudar e teve uma breve passagem pelo Brasil, onde jogou na Portuguesa dos Desportos. Mas quando regressou a Portugal voltou para o seu V. Setúbal, onde terminou a carreira.

Jacinto João, que já tinha sofrido anteriormente três outros ataques cardíacos, faleceu cerca das 05h50, segundo informação da agência Lusa. O corpo do antigo jogador estará em câmara ardente na sala de conferências do Vitória Futebol Clube a partir das 10h00 desta sexta-feira. O funeral realizar-se-á sábado, em local e hora a divulgar.

«Morreu uma figura grada deste clube, que derramou classe nos campos de futebol de todo o país e também alguns países estrangeiros», disse à Lusa Fernando Tomé, amigo de longa data e ex-companheiro no V. Setúbal, numa primeira reacção.