«Isso é uma questão que não me incomoda nada. O meu contrato termina no final da época e desde Novembro que me têm feito essa pergunta. A minha resposta é a mesma: estou cómodo, quero cumprir a minha tarefa até ao fim, quero ganhar, tenho objectivos colectivos e pessoais, por isso não é assunto que não me preocupe minimamente», disse.

Insistiu-se, porém. Já foi abordado pela SAD para discutir a renovação? «Não respondo a isso», respondeu. «Estou a dar-lhe a minha opinião, apenas.» Nova pergunta: acha que merecia continuar? «Isso de merecer ou não merecer é assunto que nem é para discutir. Muitas vezes as questões nem passam por aí.», disse Jesualdo, sem dar o braço a torcer.

«O mais importante é que vou cumprir, se nada me acontecer de grave, o terceiro ano no Porto, o que é para mim uma coisa fantástica, e com resultados. A minha preocupação é só uma: chegar ao fim conseguindo atingir os objectivos a que nos propusemos. Depois, depois, depois... há tanta coisa que pode acontecer», acrescentou.

Parece porém seguro que Jesualdo Ferreira viveu os melhores anos da carreira de treinador no F.C. Porto. Por isso é natural que haja algum carinho da parte do técnico para com o clube. «Cheguei tarde ao F.C. Porto. Se tivesse chegado mais cedo, teria ganho mais cedo». Insistiu-se se lhe passava pela cabeça sair. «Isso não respondo.»

«Futuro? As coisas mudam todos os dias, para quê fazer projectos?»

Jesualdo garante, de resto, que não pensa mais longe do que o jogo com o Leixões no sábado. Isto a propósito de uma pergunta sobre a ambição de treinar no estrangeiro. «As minhas ambições profissionais são sempre as mesmas, ganhar. Nem sempre se consegue ganhar, mas tem-se sempre a obrigação de fazer muito para ganhar», respondeu.

«No momento em que disser basta e encerrar a minha carreira, quero olhar para trás com alguma felicidade pelo que consegui fazer. Se sonho ter uma aventura no estrangeiro? Não tenho nenhum projecto em mente, não tenho nada que me preocupe a não ser ganhar no Porto. Quero ganhar aqui e estou muito empenhado nisso», disse.

«Nem seria inteligente estar a dispersar o meu espírito com outras coisas. O meu dia-a-dia é pensar no futebol, na minha profissão, por isso não vou ocupar espaço a pensar no futuro. As coisas mudam todas as semanas, o que se pensa numa sexta-feira já não é igual na segunda, por isso vou fazer projectos pessoais para quê?», terminou