Muita alma. Essa foi a receita de Sá Pinto para tentar passar em San Mamés e chegar à final da Liga Europa. Transições rápidas, bola em Diego Capel, Matías Fernández e André Martins, sobretudo esses - mesmo que a bola não saísse aí, a ordem era de levar logo a bola para o outro lado -, para as roturas e Van Wolfswinkel a tentar as emendas.

Já o Athletic não abdicou do seu estilo, recortando as jogadas até à área de Rui Patrício, sem nunca esquecer a referência de todo o ataque, Fernando Llorente. A alternância entre um estilo apoiado e outro mais vertical confundiu muitas vezes o meio-campo leonino, que perdia a oportunidade de pressionar em todos os momentos defensivos. Ao permitirem as movimentações de Llorente, a equipa de Sá Pinto chegou ao intervalo com a eliminatória empatada e o ponta de lança rival com duas assistências no bolso.

O primeiro momento intenso da partida foi o cartão amarelo visto por Van Wolfswinkel, logo aos dez minutos, numa entrada sem nexo sobre Amorebieta, que lhe anulou logo ali todas as hipóteses de jogar a final. Quatro minutos depois, foi Muniain a demorar uma eternidade para fazer o 1-0. No entanto, o primeiro golo não demorou assim tanto. Herrera ganhou a bola a Schaars, com o cotovelo do médio a deixar o holandês agarrado à cara, e entregou-a a Muniain, que cruzou para a área. Llorente amorteceu de peito e Susaeta rematou contra o solo antes de passar a linha.

Reação até ao empate e Llorente a resolver outra vez

A reação dos leões foi forte. Algumas más decisões no último terço (muitas de Wolfswinkel, talvez abalado pelo cartão) impediram, no entanto, que fossem causados mais estragos na defesa basca. O empate esteve, contudo, perto aos 21 minutos, quando, ao grande cruzamento de Capel, Pereirinha cabeceou por cima. Houve ainda uma defesa apertada de Iraizoz a desvio de Polga, após canto (33), antes do golo que empatou a partida.

Bola cá, bola lá, Ibai falhou a emenda aos 40 antes de, três minutos depois, Llorente obrigar Patrício a uma defesa extraordinária. A bola voltou à área basca para um canto. O cruzamento de Matías foi aliviado, mas sobrou para o remate de André Martins. Xandão falhou o desvio de calcanhar e, à entrada da área, Van Wolfswinkel rematou de pé esquerdo para as redes.

No entanto, a festa demorou pouco. Passe para Llorente, claro. O ponta-de-lança trabalhou entre Xandão e João Pereira e entregou a bola de bandeja em Ibai, que voltou a colocar San Mamés em ebulição.

Soltar André Martins não resultou

Sá Pinto foi o primeiro a mexer. Deixou Matías nos balneários ao intervalo e fez entrar Daniel Carriço numa tentativa de libertar André Martins para missões mais ofensivas. Depois de algum controlo basco, a partida voltou ao ritmo frenético do primeiro tempo. Em três minutos, duas bolas ao poste e uma grande defesa de Patrício, que entrou primeiro em ação ao desviar para canto uma bomba de Susaeta (52). Logo a seguir (53), Javi Martínez acertou no poste, depois de um canto e, na resposta, na conversão de um livre, Insúa também atirou ao ferro, com Iraizoz batido. Acabaria aí o Sporting.

Sem Matías e com Carriço (que viu-lhe ser perdoado o segundo amarelo aos 61 minutos, por uma segunda entrada fora de tempo a meio-campo), o clube de Alvalde abdicou cedo de mais do ataque e a pressão dos visitados intensificou-se. O golo decisivo surgiu sobre os 90, com João Pereira a não controlar Ibai já na área e Llorente a antecipar-se aos centrais na jogada de toda a deceção leonina.