FIGURA

Nabil Ghilas

Jackson Martinez fez dois golos e podia estar ele neste lugar de realce. A nossa opção recai no argelino pelo muito que jogou (assistência para o primeiro golo) e marcou (fez o segundo após excelente combinação com o colombiano), sim, mas também para recordar o ostracismo a que foi votado por Paulo Fonseca durante sete meses. Incompreensível.

Ghilas somava 150 minutos para a Liga quando o anterior treinador saiu, sendo que grande parte desse tempo de utilização (90) foi somado no empate de Guimarães. Fonseca nunca olhou para Ghilas como verdadeira opção e jamais pensou nele como alternativa ao lote de extremos.

A forma errada como geriu o tempo de jogo do ex-Moreirense é um bom exemplo da sua incapacidade no comando técnico do FC Porto. Grande exibição, no lado direito do ataque, frente à Académica. Está preparado para substituir o castigado Jackson em Sevilha.

MOMENTO

Minuto 5: resolver cedo e pensar em Sevilha

Marcar na fase inicial da partida era um dos desafios do FC Porto para o jogo. De preferência mais do que um golo. O plantel não é amplo e na quinta-feira há compromisso de relevância maior em Sevilha. Os dragões perceberam a exigência e aos cinco minutos a testa de Jackson desviou para o fundo da baliza de Ricardo um cruzamento de Ghilas.

NEGATIVO

FC Porto mal nas transições defensivas

A Académica só fez um golo, já na segunda parte, mas teve mais um bom par de ocasiões para bater Fabiano. Na génese destes lances na área do FC Porto estiveram boas saídas pelas alas, quase sempre conduzidas por Ivanildo. A equipa dos tricampeões nacionais, demasiado confortável no jogo, demorou sempre uma eternidade a organizar-se após a perda de bola. Um pormenor a rever e a corrigir por Luís Castro.

OUTROS DESTAQUES

Fabiano Freitas

Destacar o guarda-redes do FC Porto num jogo aparentemente simples (só aparentemente) para os dragões não é bom sinal. O substituto de Helton foi, na verdade, muito importante na conquista dos três pontos. Três exemplos da grande noite do brasileiro: 22 minutos, defesa decisiva a remate perigosíssimo de Makelel; 45, pontapé de Agra e palmada de Fabiano para canto; 75, canto, desvio de Rafael Lopes e defesa estupenda em cima da linha de golo.

Juan Quintero

Avaliar Quintero nem sempre é fácil. Não é regular, consistente, estável, e isso faz oscilar as palavras e as ideias construídas sobre a sua exibição. Se pensamos num elogio depois de um drible seguido de um passe bem metido, travamos logo a seguir e reprovámos o risco numa saída a jogar dentro da área portista. Fez muitas coisas boas, claramente, sem chegar a agarrar verdadeiramente o jogo. Nos últimos 25 minutos, Luís Castro arrastou-o para o lado direito do ataque e aí desapareceu quase por completo. Reapareceu em cima do minuto 90, com um pontapé à entrada da área. Gosta de jogar e sabe jogar, mas ainda não é um jogador feito.

Diego Reyes

Duelo muito interessante com Rafael Lopes. Joga com limpeza, evita a falta desnecessária e não treme quando a bola lhe chega ao pé direito. No futebol as previsões são sempre arriscadas, mas aqui vai uma: o FC Porto tem aqui um central para muitos anos.

Ivanildo

Fez sofrer Alex Sandro e, mais tarde, Ricardo. Feliz regresso a uma casa que bem conhece, sempre confiante e incisivo a transportar a bola pela direita. Ofereceu o golo a Agra, cruzou para a cabeça de Rafael Lopes, trocou as voltas à defesa portista e regressa à Cidade do Conhecimento orgulhoso pelo demonstrado diante de uma plateia que agora o vê menos frequentemente.

Marcos Paulo

Pontapé forte e belo golo, a reacender o interesse pelo jogo. O momento mais alto de uma exibição ingrata, entre os médios mais recuados (Makelele e Fernando Alexandre) e o ponta-de-lança Rafael Lopes.