João Pereira foi o convidado semanal da entrevista Maisfutebol/Rádio Clube. O lateral fala do processo de saída do Benfica e do facto de ter descoberto que tinha sido dispensado em conversa com Simão e Nuno Assis. Mas diz também que é impossível guardar mágoa a um clube como o Benfica e que falhou por culpa apenas dele, porque oportunidades teve muitas.

Já se sente um verdadeiro Guerreiro do Minho?

Já me sinto Guerreiro do Minho. O slogan associa-se um pouco a mim, porque é a minha maneira de me integrar em campo, como um guerreiro, é uma das minhas qualidades, até para tapar algumas lacunas que tenho no meu futebol.

Saiu do Benfica pouco tempo depois de ter renovado. Ficou magoado?

Pedi para ser emprestado com Ronald Koeman, porque ia acontecer o Euro sub-21 aqui em Portugal e não estava a jogar. Ele percebeu e deixou-me ir para o Gil Vicente. No início da época seguinte, em conversa com o Simão e o Nuno Assis, perguntei-lhes quando nos apresentávamos para começar a época. Eles responderam-me que era dia 19 ou dia 20 de Julho. A mim ninguém me tinha dito, era o único que não sabia. Ou seja, o Benfica queria-me dispensar e ninguém me tinha tido nada. Tive de ser eu a entrar em contacto com eles. Foi já com Fernando Santos.

Ficou magoado com isso?

O que me magoou foi a atitude, ninguém me dizer na cara, pessoalmente, que não contava comigo. Tive de ser eu a entrar em contacto com eles. Mas enfim, as pessoas passam, o clube fica e isso é o mais importante.

Acha que o Benfica já se arrependeu de o dispensar?

Não sei. Isso tem de ser o presidente a responder.

Mas não fecha a porta a um regresso no caso de se proporcionar...

Nunca fecho portas em lado nenhum. Gostei muito de jogar no Benfica, passei lá bons momentos, tenho muito a agradecer ao Benfica. Foi lá que me formei, fui lá que tive a minha oportunidade nos seniores, por isso é impossível guardar mágoa ao clube.

Criou muitos sonhos nessa altura?

Sou sincero, criei muito sonhos. Assinei por quatro anos e meio quando tinha 19 anos e pensei que ia ser sempre a subir. Não foi isso que aconteceu. As coisas depois estagnaram e tive de dar um passo atrás para estar aqui hoje.

E por que estagnaram?

Acima de tudo por responsabilidade minha. Estava no clube onde sempre sonhei jogar e por estar dentro de campo perante 60 mil pessoas sentia em demasia o peso da camisola. Também pelo sentimento que tinha pelo clube. Isso prejudicou-me um pouco. Por isso também nunca culpei ninguém do clube pela minha saída, porque acho que tive oportunidades suficientes e não as soube agarrar.

Quando Bosingwa saiu do F.C. Porto comentou-se que podia ir para o Dragão. Houve alguma coisa concreta?

Não, nunca ninguém do F.C. Porto falou comigo. A imprensa comentava, mas sempre disse que ninguém tinha falado comigo e é a verdade é que não falaram.

Miguel Lopes, que curiosamente vai para o F.C. Porto, disse que se considerava o melhor lateral da Liga. Concorda?

Falar é fácil. O Miguel Lopes é bom jogador, mas temos de o provar dentro de campo. Não vale a pena estar aqui a dizer que eu sou o melhor ou que o outro é o melhor. Isso é subjectivo. Se ele acha que é o melhor, parabéns.

Foi difícil passar do Benfica para a Liga de Honra?

Gostei muito dos seis meses de empréstimo ao Gil Vicente. Um grande grupo de trabalho e um bom treinador, o Ulisses Morais. Gostei muito e por isso assinei pelo Gil Vicente quando rescindi depois com o Benfica. Pensava que ia jogar na Liga, acabei por jogar na Honra por causa do Caso Mateus, e aí foi complicado. Ao princípio foi um pouco confuso passar do Benfica para a Liga de Honra. Mas foi uma boa experiência para mim, o treinador Paulo Alves ajudou-me imenso, fez-me ver coisas importantes, fez-me assentar os pés no chão porque eu vinha do Benfica com a cabeça na lua. Pensava que era um jogador com dimensão e não era.