«Lembra-se daquela queda de um avião da TAP ao aterrar na Madeira? O Barreirense tinha previsto ir nesse voo. Se assim fosse, provavelmente estaríamos todos mortos.»

grande reportagem do Maisfutebol sobre os 40 anos da Revolução dos Cravos













«Era muito bom árbitro, lembro-me bem dele. Aliás, era uma bela equipa de arbitragem»





A equipa que fintou a morte e o jovem Carlos Duarte



«Tínhamos previsto ir nesse voo, na véspera do jogo com o Nacional da Madeira. O clube na altura não tinha muito dinheiro e foi essa a decisão. Felizmente, um dirigente decidiu pagar do seu próprio bolso mais uma noite de estadia e acabámos por viajar na véspera.»



«Eu andava lesionado e já tinha falhado o jogo anterior. Mesmo assim, viajei para a Madeira. O titular ia ser o Quim Pereira, mas também andava com dores e, como a viagem foi complicada, acabou por se ressentir. Então, o clube decidiu chamar o guarda-redes da equipa júnior.»



«Bem, acabou por ter a felicidade de não morrer no acidente mas ficou muito mal. Ficou sem ver de um olho nessa altura e acabaram de ter de amputar uma parte do pé direito. Depois a TAP acabou por lhe arranjar um emprego, de forma a tentar compensar o que aconteceu naquela dia.»

Um jogo surreal e o receio após o apito final



«Fomos de certa forma obrigados a jogar, mas a verdade é que nenhum jogador tinha vontade de o fazer. Na baliza estive eu, mas mal me conseguia mexer. Acabaram por ser noventa minutos surreais, apenas com trocas de bola. Nós ficávamos com ela uns minutos, depois passávamos para eles, e foi assim o jogo. Terminou 0-0, não havia cabeça para mais.»





«Não imagina o que foi chegar ao aeroporto e ainda ver todo aquele rasto de destruição, sentir que se tinham perdido ali dezenas de vidas, e ter de entrar num avião para percorrer a mesma pista. Estávamos cheios de medo! Foi algo que nunca esqueci, se bem que no final da época acabámos por festejar o regresso à I Divisão.»