Em Inglaterra confirma-se, com esta chicotada psicológica à quinta jornada, a nova tendência da Premier League. Há uma clara aproximação à mentalidade latina no sentido das exigências imediatistas, em clubes dotados de potencial económico assombroso.

Este potencial surge claramente associado às exigências. Em Stamford Bridge, Vialli pagou o facto de em duas épocas não ter conseguido ganhar ou apresentar-se em condições de ganhar o ambicionado título.

Escolheu o que quis, comprou o que bem entendeu, abdicou de quem não gostava, foi dono e senhor de um projecto desportivo. Em cinco jogos disputados esta época ganhou apenas um. Perdeu pontos por retracção e incapacidade psicológica para liderar as ambições de um grupo. Saiu. É cedo, mas não me parece assim tão anormal.

Luís Campos saiu do Penafiel no final da terceira jornada do Campeonato da II Liga. Foi insultado e vaiado; cuspido e ligeiramente agredido com algo arremessado da bancada.

Não gostou, não aceita, crê que não se libertará desta frustração originada na injustiça. Aceito e respeito a decisão de um colega que não conheço pessoalmente, mas do qual retenho imagem de homem sensato e equilibrado, que saindo do anonimato em divisões inferiores conseguiu, com trabalho e competência, atingir resultados satisfatórios.

Assim, nenhuma crítica à sua decisão. Somente desejo transmitir que não há maior satisfação para um treinador do que, confiando cega mas conscientemente nas suas capacidades, conseguir triunfar num clube onde sabe e sente que poucos crêem no seu potencial e condições de sucesso.

Eu e Bobby Robson tivemos repetidas vezes, em Barcelona, 120.000 lenços brancos de contestação, que algumas vezes se transformavam em 240.000 porque os adeptos pareciam ter um lenço em cada mão. No final da temporada fomos reis, com três títulos conquistados. Como cresci em tão pouco tempo!

Em Alverca a contestação. José Couceiro, com a personalidade que bem lhe conheço, sai em defesa do seu treinador, o homem em quem confia, o homem no qual acredita para liderar o seu projecto.

Paralelamente, acusa de forma generalizada os treinadores. Fala de pressão para a chicotada, de auto-ofertas de trabalho e mais longe chega ao personalizar na classe as razões das chicotadas psicológicas.

Respeito a opinião. Somente lhe peço, num contributo à transparência e num serviço prestado à nossa Associação de Treinadores, que explicite os nomes. Quem se ofereceu ao Alverca? Quem não tem comportamentos eticamente correctos? Quem?