Também ilibados dos crimes de corrupção, activa e passiva, foram os outros dois arguidos no processo, António Araújo (empresário) e Augusto Duarte (árbitro. Cai assim por terra mais um processo relativo ao «Apito Dourado».

A juíza considerou também que não ficou provado o pedido de benefício para o F.C. do Porto e, na leitura do acórdão, destacou as contradições de Carolina Salgado, duvidando mesmo que a ex-companheira de Pinto da Costa tenha assistido ao encontro. Catarina Ribeiro Almeida afirmou que Carolina «altera consecutivamente a versão dos factos» e «vai avivando a memória à medida que o tempo passa, revelando incoerências e discrepâncias». Com base nestes argumentos, o tribunal não atribuiu relevância ao depoimento de Carolina Salgado.

Assim, o processo regressa ao ponto de partida, ou seja, ao arquivamento, uma vez que já tinha sido arquivado, em Gaia, antes de ser reaberto pela equipa de Maria José Morgado.

Recorde-se que o dirigente desportivo estava pronunciado pelo crime de corrupção desportiva activa, tal como António Araújo, enquanto ao árbitro Augusto Duarte era imputado o crime de corrupção desportiva passiva.

Carolina Salgado testemunhou no processo e sustentou a sua tese de que Pinto da Costa subornou o árbitro Augusto Duarte, com cerca de 2500 euros, para que beneficiasse o FC Porto.

Nas últimas declarações prestadas ao tribunal, Pinto da Costa, considerou a acusação do «caso do envelope» uma «tramóia» e jurou inocência perante a juíza do processo e «perante Deus». O presidente do FCP pediu mesmo «que caiam todos os males» sobre quem esteve na origem da «tramóia» e da «maquiavélica» suspeição levada a julgamento.

O processo é um apêndice do megaprocesso «Apito Dourado» e tem como génese casos de alegada corrupção e tráfico de influências no futebol profissional e na arbitragem portuguesa. O «caso do envelope» reporta-se ao encontro Beira-Mar-FC Porto (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.