Depois do Adeus é uma rubrica do Maisfutebol dedicada à vida de ex-jogadores após o final das suas carreiras. O que acontece quando penduram as chuteiras? Como passam os seus dias? O dinheiro ganho ao longo dos anos chega para subsistir? Confira os testemunhos, de forma regular, no Maisfutebol.









a lesão, o pesadelo Torreense e a festa do Penta



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«Não sou rico mas tenho a vida organizada», admite, explicando: «Hoje em dia tenho uma moradia, um emprego estável, se é que essa expressão ainda faz sentido nos dias que correm, e sou feliz.»

Carlos Manuel recorda algumas decisões importantes: «Assinei contrato profissional com o V. Setúbal quando tinha apenas 16/17 anos. Entretanto, com a ajuda dos meus pais, decidi comprar um apartamento e pagar as mensalidades. Quando fui para o FC Porto, com um salário melhor, paguei logo a totalidade do apartamento. Foram decisões como essa que me ajudaram no futuro.»

«Lembro-me de ir assinar com o FC Porto e Pinto da Costa contar-me que o João Manuel Pinto, logo após chegar, foi comprar um grande Porsche. O presidente disse-me para ter cuidado, para evitar gastos desses. E a verdade é que, sem ser forreta nem deixar de ter alguns luxos, tive sempre a preocupação de juntar um pé-de-meia», recorda, ele que «era dos jogadores que menos ganhava no FC Porto».

«Essa mentalidade depende também de quem te rodeia, era o que faltava e falta a muitos jogadores, e nisso tenho de agradecer o apoio da minha esposa e dos meus pais», salienta.

Zé Albano, que passou pelo FC Porto na década de 80, trabalha com Carlos Manuel na Câmara Municipal de Sesimbra, «mas em outra área».

Os traquinas de Sesimbra e o sonho de morar no Porto

Carlos Manuel afastou-se do futebol por iniciativa própria. Descontente com um mundo de interesses e desilusões, manteve-se à margem durante largos anos. Porém, abriu uma exceção recentemente e voltou a ter prazer em pisar um relvado.

«Fui pressionado, no bom sentido, por uma pessoa próxima a treinar miúdos no GD Sesimbra. Terminei a carreira um pouco chateado com o mundo do futebol e quis afastar-me, mas agora voltei e treinar os miúdos e tem-me feito bem. Treino os Traquinas, nascidos em 2006, do clube. Não queria ser treinador, mas entretanto aceitei esta experiência e motivei-me, até penso tirar o curso, mas para ficar a este nível.»



O antigo jogador passa os seus dias em Sesimbra, um destino apetecível, mas gostaria de estar mais a norte. Carlos Manuel tem o desejo assumido de voltar a morar no Porto.

«Um dos meus grandes arrependimentos foi não ter ido morar para o Porto logo no final da carreira, e não é por causa do clube. É pela cidade, pelas pessoas, pela comida, tudo. Quando vou ao Porto, gosto de passear na Foz e sinto que podia passar lá longas horas», revela, acrescentando de pronto: «A carreira possibilitou-me conhecer muitos sítios mas nenhum me cativou como o Porto. É um sonho por cumprir e sei que o irei fazer, seja quando for.»

O atual Assistente Técnico na Câmara Municipal de Sesimbra já equacionou a transferência para um organismo público na Invicta. «Já cheguei a sondar, mas dizem-me que nesta altura é muito difícil, quase impossível. Também tenho de pensar no melhor para a minha família, mas é algo que ficará como um objetivo de vida.»

«Quando posso, visito o Porto e faço questão de coincidir datas com jogos no Estádio do Dragão. Serei sempre portista e os meus filhos também são», remata o funcionário público pentacampeão.