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«O meu passado no Benfica foi muito bom, fomos campeões, fiz amizade com Luisão, Geovanni, Nuno Gomes, Simão, etc, é uma parte da minha vida que fica gravada», declara. «Foi um momento alto na carreira, até porque já conhecia o Benfica, em Cabo Verde só se fala no Benfica, por isso, jogar lá era bom, ser campeão foi maravilhoso», adiciona.

«Em Marselha nem se pode passear»

O título chegou sob comando de um «velho» italiano. «Passei um ano com Trapattoni, como homem era uma pessoa agradável e gentil, como treinador duro e exigente», conta, a sorrir. «Mas essa exigência levou-nos ao título», interrompe Dos Santos, para logo voltar ao treinador: «Fora do treino era acessível, falava com ele de tudo, sobre futebol ou outra qualquer coisa da vida.»

Numa viagem à última Liga conquistada, Dos Santos admite que a equipa encarnada não encantava. «O F.C. Porto não fez um grande campeonato, mas nós concentrámo-nos nos nossos jogos. Em certos momentos, o Benfica não jogou muito bem, mas no final, o que fica marcado na história é que foi o Benfica quem foi campeão e só isso é que importa», atira, orgulhoso do feito.

Por que é que Mourinho quis Drogba

Em 2004/05, as rolhas de champanhe saltaram das garrafas, como recorda Dos Santos. «O momento mais agradável foi a hora de chegar à Luz, não esperava que o estádio estivesse cheio. Foi um momento fortíssimo, para além do apito final no jogo com o Boavista. Aí, libertámos todo o stress do ano e sentimos a alegria dos adeptos», afirma, confessando tristeza por não ter festejado no balneário, uma vez que foi ao controlo antidoping.

O Maisfutebol/TVI quis saber como chegou Dos Santos nesse ano ao Benfica. E o antigo defesa explicou: «Na altura conheci um primo de José Veiga, que lhe deu o meu número. Falei com o Veiga e foi ele quem me convenceu. Já levava quatro anos de Marselha e estava com 29 de idade. Eu queria jogar no estrangeiro. Mas até ao dia em que falei com Veiga, não pensava jogar no Benfica ou Portugal. Na verdade, quando comecei a falar com ele, passados dois minutos percebi que podia ser muito bom para mim.»

Dos Santos crê que o antigo director-desportivo foi importante na conquista do campeonato «porque falava com os jogadores e resolvia tudo o que havia à volta, inclusive, respondia ao presidente do F.C. Porto, o Pinto da costa», disse.

Ora, chegado ao Benfica, o esquerdino deixara para trás o Marselha, tal como Drogba, que assinava por um «very special» Chelsea. «O Didier era grande, grande jogador. Não tenho dúvidas de que o Mourinho o quis quando o viu ao vivo. Jogámos pelo Marselha contra o F.C. Porto e o Drogba passou pelo meio do Ricardo Carvalho e Jorge Costa, usando o corpo. O Mourinho aí deve ter pensado: ¿tenho de ter este jogador¿.»

Então e, nessa medida, que futebolista devia ter o Benfica para a lateral-esquerda? «Há cá um bom que já passou em Portugal (risos, lembrando Cyssokho), mas creio que o Michel Bastos, também do Lyon, podia ter sucesso. Quanto ao Cyssokho, é um bom lateral, mas temos de ver, é preciso fazer quatro ou cinco anos em bom nível», concluiu Dos Santos, antes de fazer os 150 quilómetros de regresso.