Antes de mais, uma nota que já mereceu inúmeros reparos de adeptos benfiquistas. O Emirates seria uma cópia ligeiramente alterada do Estádio da Luz. Não se discutem os argumentos a favor ou contra a tese. De facto, foram desenhados pela mesma empresa de arquitectos. Os detalhes, como poderão comprovar, ficaram a cargo de Wenger.

O treinador do Arsenal, com uma licenciatura em Engenharia Electrónica e um Mestrado em Economia, tem alterado todas as rotinas do clube ao longo dos últimos 15 anos. Desde 1996, imiscuiu-se no regime alimentar, no consumo de álcool, na metodologia de treino, na construção do novo estádio e do centro de treinos. Está em todas.

O seu desejo pela perfeição pode ser confundido com mesquinhice. Depende da perspectiva. O balneário do Arsenal no Emirates Stadium é um tributo à organização, uma mescla entre ergonomia e o tal toque de feng shui, termo chinês para vento e água. Ou a junção perfeita dos dois elementos, como Yin e Yang.

Arsène Wenger exigiu um balneário bem espaçoso, em forma de ferradura de cavalo. Antes de mais, para dar boa sorte. Não tem cantos nem pontas. O projecto inicial compreendia um pilar no meio da sala. O treinador achou que iria quebrar a harmonia do local, o tal feng shui. Lá se foi o pilar.

Os jogadores sentam-se na curva da tal ferradura, enquanto o técnico fala no centro, beneficiando do tecto acústico para nunca ter de levantar a voz e ser ouvido por todos. Mais um pormenor: todos por ordem. Guarda-redes à esquerda, depois defesas, médios ao centro, avançados já do lado direito. No centro, mesmo no centro, o capitão de equipa.

O balneário dos visitantes, por outro lado, é normalíssimo. Mais pequeno, sem luxos, parecendo até uma forma de incomodar os adversários. Quem acredita em teorias de conspiração, defende esta tese.

Com Wenger, tudo é possível. Se fará ou não diferença, será o F.C. Porto a responder.