A propósito do falecimento de Eusébio,  Maisfutebol  homenageia o «Pantera Negra» recuperando alguns textos anteriormente publicados sobre as suas proezas.

Manchester United-Benfica, 4-1

29 de maio de 1968

Estádio de Wembley, em Londres

Eusébio teve o golo nos pés ao cair do pano mas Stepney defendeu. Foi curta a distância entre sair de Wembley em glória ou debaixo de uma derrota pesada. Uma rajada de golos do Manchester United a abrir o prolongamento fez a diferença. O Benfica perdia pela terceira vez a final da Taça dos Campeões e Wembley representava o fim da década de ouro do futebol encarnado.

O jogo tinha tudo para ser grande. E muitos indícios negativos para o Benfica. O regresso a Wembley, onde perdera a final de 1963, jogo em «casa» do rival, como em 1965. E ainda o mesmo árbitro da goleada que o Manchester United de George Best tinha imposto dois anos antes na Luz, 5-1 para os quartos de final da Taça dos Campeões de 1965/66.

Para muitos dos jogadores do Benfica, representava também um ajuste de contas em relação ao Campeonato do Mundo, dois anos antes, quando Portugal caiu aos pés da Inglaterra. «Depois da meia-final do Mundial 66 era uma oportunidade magnífica para a desforra. Não há dúvida, foi a final que mais me custou perder», recorda António Simões, em depoimento no livro do Maisfutebol Sport Europa e Benfica.

Para o ManUtd, aquela final representava tudo. Dez anos depois da tragédia de Munique que vitimou muitos dos jogadores da equipa de Matt Busby num acidente de aviação, o United renascia e chegava à decisão que podia levar para o Reino Unido a primeira Taça dos Campeões da história.

Os ingleses marcaram primeiro, um golo para a cabeça de Bobby Charlton, aos 50 minutos. Aos 79m, o Benfica conseguiu empatar, num remate cruzado de Jaime Graça. Depois foi aquela oportunidade de Eusébio. Entre dois defesas, o King desferiu um remate potente, mas foi na direção de Stepney que, rápido a reagir, forçou o prolongamento.

E depois foi Best quem começou a dar corpo a um «tufão de um quarto de hora», como descreve Simões, dos homens que nesse dia vestiam de azul. Best fez o 2-1 aos 97m, no minuto seguinte Brian Kidd apontou o 3-1 e aos 100 minutos Charlton assinou o 4-1 final.

Equipa do Benfica: José Henrique; Adolfo, Humberto, Jacinto e Cruz; Jaime Graça e Coluna «cap»; José Augusto, Torres, Eusébio e Simões.