João Bartolomeu ameaçou deixar a SAD

«Há jogadores numa situação extrema. Ontem [sexta-feira] não treinámos porque não havia condições e o treinador [José Dominguez] está solidário connosco. O clube não consegue resolver os problemas e não havia condições psicológicas para treinar», contou Marco Soares à agência Lusa.

O capitão da U. Leiria garante não ter qualquer informação sobre as notícias que dão conta da demissão do presidente do clube. «Não sei que fundamento têm essas notícias. Apanharam-me de surpresa, mas ninguém da SAD ou do clube me avisou de nada. Vamos esperar por segunda-feira para ver», referiu.

O médio diz que há jogadores do plantel «com três e quatro meses de ordenados em atraso» o torna o «ambiente complicado», porque «não estamos todos em pé de igualdade». «Íamos para os treinos e chateávamo-nos uns com os outros. Não há condições psicológicas para treinar. Tivemos de tomar a decisão de não treinar para proteger a equipa», destacou ainda o médio de 27 anos.

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O próximo treino está marcado para a tarde de segunda-feira, mas os jogadores ainda não decidiram o que vão fazer. «Primeiro temos de ver o que nos vai ser dito», referiu ainda Marco Soares que qualifica as criticas de João Bartolomeu como «injustas». «Aceito que ele pense assim mas tenho muita pena. Só parámos porque há jogadores em situações extremas, não é porque os jogadores só pensam em dinheiro...», acrescentou.

Segundo Marco Soares, há jogadores que estão em situações incomportáveis. «Alguns estão numa situação em que não dá para aguentar mais. Há mesmo alguns que não têm dinheiro para a comida, há quem tenha o senhorio a dizer que têm de sair de casa porque há rendas por pagar ou contas do gás ou água em atraso. Falámos com o clube para resolver estas situações limite e não nada foi feito», lamenta.

Há seis anos no clube, Marco Soares garante que nunca passou por uma situação tão aflitiva. «Já tivemos quatro treinadores, quatro rescisões de jogadores, o abandono do diretor geral, saímos da cidade e a classificação não é a melhor. É uma época muito complicada e era fundamental a ajuda de todos. Mas isso não está a acontecer. Está cada vez difícil mas, enquanto matematicamente for possível, não vamos desistir de lutar pela manutenção. Vamos segurar-nos aquilo de bom que temos», referiu ainda.