«Sinceramente, não sabia que eu tinha essa marca. Mas por mim, não me importo nada que o Cardozo chegue aos 71, 72, ou até que chegue aos 100 golos. É sinal que o Benfica seria campeão, isso é o mais importante. Chuta à vontade, Cardozo», diz Isaías, através do Maisfutebol.

Isaías quer o filho no Benfica: «Ele herdou o meu pé canhão»

O ex-avançado vive em Cabo Frio, onde ensina miúdos a jogar futebol e aproveita os jogos de veteranos para combater a obesidade. Enquanto isso, torce pelo clube que lhe deu maiores alegrias em Portugal. «Cardozo parece-me ser um bom jogador, do que tenho visto, também remata forte, mas só com o pé esquerdo, não é?», interroga, sem perder tempo: «Pois eu rematava com os dois, de todo o lado.»

«Sei que o Benfica está muito forte, este ano. Tem jogadores de grande qualidade e penso que só irá perder o campeonato se acontecer algo de anormal. O Braga está muito bem também, mas não é equipa grande, ainda não tem estrutura para aguentar até ao final», vaticina o antigo jogador.

«Sou benfiquista desde que assinei contrato»

Isaías chegou ao Benfica em 1990. Jogou no Rio Ave, cresceu no no Boavista e teve, recorda, vários convites em cima da mesa: «Sou benfiquista desde que o Major (ndr. Valentim Loureiro) me colocou três propostas à frente e eu escolhi aquela. As outras? Eram do Porto e do Sporting. Também escolhi o Benfica pelos jogadores brasileiros de grande nível que tinha na altura.»

«Fui muito feliz no Benfica e só lamento uma coisa: aquilo que Artur Jorge fez quando chegou. Aquilo não foi uma limpeza, foi mesmo estragar tudo o que havia de bom no clube. Por isso é que o Benfica esteve dez anos sem ganhar o título», considera.

«Os três primeiros remates iam sempre para fora»

Isaías esteve cinco temporadas na Luz. Pegava na bola e chutava. Ganhava balanço, procurava a bola e chutava de novo. De novo, de novo. Até acertar. «Os três primeiros remates iam sempre para fora, mas eu acabava sempre por acertar. Lembro-me de um jogo, com o Farense, em que estávamos a perder 1-0 e o Rufai estava a ser o melhor em campo. Lá marquei dois golos e demos a volta», diz, entre sorrisos.

Em 1995, com 71 golos no registo pessoal (Cardozo contabiliza 66, na terceira época de águia ao peito), o brasileiro partiu para o Coventry City, regressando posteriormente para jogar no Campomaiorense. «Marquei bons golos. Lembro-me desse Benfica-Farense, depois de um muito bom num Campomaiorense-Sp. Braga. E claro, quando vencemos o Arsenal, para surpresa de todos, em Londres», recorda.

Isaías não resiste à provocação. Benfiquista como diz ser, teria de aproveitar o momento para espicaçar o rival. «Vencemos o Arsenal em Londres, onde o Porto apanhou agora cinco, não foi? Eu também lhes costumava marcar uns golos, tinha esse hábito de marcar nos jogos grandes», remata o brasileiro, bem ao seu jeito.

Recorde Isaías: