Dragão de barriga cheia, sete golos sem resposta (7-0), oitava vitória consecutiva, a maior goleada e a melhor série desta Liga 2016/17. Um caminho impressionante nesta estrada nacional, um FC Porto com argumentos para lutar por uma chegada à meta em primeiro, se o Benfica não for respondendo em igual medida.

A série iniciada frente ao Moreirense (3-0), na 17ª jornada da Liga, chega a este ponto com um somatório que empolga os adeptos: 25 golos marcados, apenas 4 sofridos. Números de grande candidato. Para além da acutilância ofensiva, estes Super Dragões continuam a demonstrar segurança decisiva no último reduto.

O frágil Nacional da Madeira fez o primeiro remate já após o intervalo, entre uma avalanche ofensiva do FC Porto, que compensou meia-hora de menor fulgor com um desempenho estonteante após o 1-0 de Óliver Torres.

Perante cerca de quarenta mil almas, a equipa de Nuno Espírito partiu nesse momento para uma das melhores exibições da temporada. O melhor André André da época, talvez até o melhor Brahimi da época, André Silva e Tiquinho Soares com mira afinada, argumentos de peso na luta pelo título.

 

Este FC Porto de Nuno já teve fases de serviços mínimos mas chega ao 8, ao oitavo triunfo consecutivo na Liga, em período de 80, de futebol entusiasmante, expressivo, por vezes avassalador. Do outro lado, é certo, este um Nacional extremamente limitado e sem argumentos para discutir o jogo.

Jokanovic, sucessor de Manuel Machado, vai-se dando ao luxo de deixar no banco de suplentes um dos únicos elementos com qualidade acima da média: Salvador Agra. Estranho cenário.

No final de tarde em que fez regressar André Silva ao onze, face à lesão de Jesús Corona, Nuno optou pela insistência no 4x3x3 e desviou o avançado português para o centro/direita. Um esboço para Turim?

A derrota caseira frente à Juventus representou um percalço europeu para uma equipa que se superioriza a grande parte dos concorrentes internos.

Este sábado, mesmo com dificuldades iniciais no desenvolvimento do seu jogo pela direita – face à indefinição posicional de André Silva – o FC Porto não se inquietou e foi procurando o flanco canhoto para chegar à vantagem.

Com meia-hora de jogo, Alex Telles (mais uma assistência) cruzou para a entrada de um inesperado Óliver Torres. O desvio de César teve contributo importante para o desfecho da história.

A partir daí viu-se festival, assim mesmo, no Estádio do Dragão. Sem incomodar Iker Casillas, o Nacional manteve-se encolhido, incapaz, limitado. Só deu FC Porto.

Yacine Brahimi cavou o fosso antes do intervalo. Com o segundo tempo veio um resultado que entra na história desta Liga 2016/17.

André Silva e Tiquinho Soares, homens-golo deste FC Porto, bisaram entre um livre cobrado de forma exemplar por Miguel Layún.

Nuno Espírito Santo percebeu que havia condições para uma vitória empolgante e a substituição de Danilo Pereira por Diogo Jota, ao minuto 64, foi uma indicação clara nesse sentido. Pouco antes, Tobias Figueiredo tinha sido expulso por acumulação de cartões amarelos. Via aberta para uma goleada histórica. O Dragão aplaudiu de pé uma segunda parte exemplar, imaculada, avassaladora.

O Benfica tem novamente a palavra. Continuaremos com este guião até ao Clássico no Estádio da Luz?