O Sp. Braga reencontrou o caminho dos triunfos e pôs fim a uma série de seis jogos sem vencer, derrotando o Arouca (3-1) na Pedreira com dois golos de Rui Fonte e um de Battaglia. Foi a terceira derrota em outros tantos jogos para Manuel Machado no comando técnico arouquense, e a quarta consecutiva para os visitantes.

De peito feito, os Guerreiros deram o grito de revolta pedido pelo técnico Jorge Simão, mas ainda assim não foi um grito límpido, uma vez que pelo meio teve alguns tremores. Os arsenalistas entraram bem no encontro, marcaram cedo, mas permitiram o empate ao Arouca. Antes de decidir o encontro os Guerreiros ainda passaram por momentos de tremideira, mas as suas principais peças resolveram a situação e deram fôlego para os próximos jogos.

Jorge Simão promoveu três alterações no onze em relação à equipa que empatou em Setúbal e, mais do que isso, alterou o sistema tático fazendo alinhar Vukcevic ao lado de Assis no miolo, libertando Battaglia para tarefas mais criativas e suprimindo um elemento ao ataque. Um cenário já visto em parte do jogo da última jornada.

Os arsenalistas pareceram sentir-se confortáveis neste modelo e, por isso, entraram em jogo demonstrando uma tranquilidade pouco normal para quem vinha de seis jogos sem vencer. Cartabia, em estreia absoluta como titular, e Pedro Santos estiveram muito ativos nas alas e o ataque esteve entregue a Rui Fonte.

Bem que se podia alugar o meio campo defensivo na fase inicial do jogo. Pujante, o Sp. Braga arregaçou as mangas, circulou o esférico com alegria e conforto. Djavan e Pedro Santos ensaiaram várias triangulações pela esquerda, a exemplo do que aconteceu no outro flanco, e foi num desses lances que os bracarenses abriram o ativo logo aos 12 minutos: cruzamento tenso de Pedro Santos para a área, Rui Fonte apareceu sem marcação a finalizar de primeira. Processo simples, jogada rápida e um Sp. Braga a prometer deitar para trás das costas o cenário de crise.

Só que o Arouca, até então limitado em frente à sua área, precisou apenas de cinco minutos para responder, igualando o marcador. Nelsinho foi à linha cruzar, Mateus e Djavan foram da direita para o centro travar um duelo difícil de adivinhar e acabou por ser o angolano a ganhar a corrida, batendo Marafona com uma abordagem acrobática à bola.

Rude golpe para um Sp. Braga a tentar esticar as cordas vocais. O golo arouquense perturbou a equipa da casa e deu ar aos comandados de Manuel Machado, equilibrando-se a contenda nos instantes finais da primeira metade. Ainda sem vencer no Arouca, Manuel Machado rendeu Crivellaro por Walter González ao intervalo, trocando um médio por unidade ofensiva. O técnico deu mostras de querer aproveitar um possível desnorte bracarense.

Jorge Simão arriscou ainda mais pouco depois, trocando o defesa Artur Jorge por Hassan e fazendo recuar Assis para o lado de Rosic. Fichas lançadas para o ataque aos pontos, risco calculados de ambas as partes no assalto final e um Sp. Braga a recorrer às suas principais unidades para fazer a diferença e regressar aos triunfos.

Já com Hassan em campo Rui Fonte bisou precisamente com um toque do egípcio a desmarcar o atacante para o segundo da tarde quando faltavam cerca de vinte minutos para os noventa. Quatro minutos depois Battaglia arrumou com a questão ao ressacar com sucesso a segunda bola de um pontapé de canto.

A Pedreira gritou vitória seis jogos depois, agarrando-se ao quarto lugar. Vida complicada para o Arouca de Manuel Machado, que averbou a quarta derrota consecutiva em vésperas de receber o FC Porto.