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Nascido em Moçambique há 26 anos, Manuel Lopes veio para Portugal quando tinha apenas seis anos. Depois de uma breve estadia em Lisboa, a família acabou por se instalar na Madeira. Foi no Nacional que fez a formação futebolística, chegando a trabalhar na equipa principal, quando o treinador era José Peseiro. «Foi muito bom. É um bom treinador», disse Manuel Lopes ao Maisfutebol, referindo-se ao técnico que viria a reencontrar, como adversário, no futebol grego.

Sem espaço no Nacional, foi cedido a outra equipa madeirense, o Camacha. Foi lá que cumpriu as primeiras épocas como sénior, até que veio o primeiro convite para emigrar. O destino foi a Bulgária, e mais concretamente o PFC Beroe. «O treinador era o Illiev, que jogou no Benfica e que também tinha estado na Madeira, no Marítimo. A experiência correu bem. O campeonato não é muito forte mas há organização», conta o jogador luso.

No último verão chegou ao fim a aventura búlgara. A possibilidade de voltar a Portugal esteve em cima da mesa, mas o destino acabou por ser outro. «Tive alguns convites de Portugal. Queria voltar, para a II Liga, ou para uma equipa menos da Liga principal, que não os grandes. Depois surgiu o convite da Grécia e acabei por aceitar», recorda Manuel Lopes.

Em Komotini, a falar de Portugal com um argentino

A cidade grega de Komotini, onde está sediado o Panthrakikos, passou a ser o novo lar. «É uma cidade pequena mas vive-se bem», disse o jogador ao Maisfutebol. A primeira época foi passada na 2ª divisão, mas o clube subiu e agora está no escalão maior. «O objectivo é garantir a manutenção», conta o português, que renovou contrato até 2011.

Nos relvados gregos Manuel Lopes tem cruzado caminho com outros portugueses. «Ainda no último fim-de-semana joguei contra o Ricardo Esteves e o Fábio Felício. Conversei um pouco com eles», relata. Pese embora a relação cordial com os outros representantes lusos, é com outro moçambicano que mantém um contacto mais regular: «Costumo falar com o Simão, que joga no Panathinaikos.»

As raízes e a língua, em comum, fomentam a relação, mas no balneário do Panthrakikos também não é difícil comunicar. Manuel Lopes tem, entre os colegas, quatro espanhóis e dois argentinos. Um deles conhece bem Portugal, pois jogou por terras lusas, no Sp. Braga, Estrela da Amadora e Portimonense. «O Maxi Bevacqua é meu colega. Falamos de Portugal», disse.