Exactamente como na última temporada, os matosinhenses proporcionaram o primeiro triunfo dos figueirenses na segunda volta do campeonato . Antes disso, curiosamente, os navalistas haviam vencido no Restelo (pela via do caso Meyong) e em Setúbal. Isto diz-lhe algo? É só espreitar o calendário da Liga e ver, este ano, onde aconteceram as últimas vitórias da equipa de UIisses Morais que, já agora, confirmou a tendência para fazer bons resultados diante dos leixonenses, que continuam a ter nos navalistas uma espécie de besta negra, tal a série de desfechos negativos que detêm perante este adversário.

No reverso da medalha, surgem os bebés de Matosinhos, que acabaram por reforçar o contra-ciclo, revelando que, de facto, já não têm condições para lutar pela Europa depois de uma carreira meritória. É certo que podem queixar-se, esta segunda-feira, de algum azar e da grande exibição de Peiser, mas, no essencial, parece faltar argumentos e, sobretudo, soluções a este Leixões para almejar algo mais.

Naval resolve cedo

A estratégia escolhida pelo técnico da casa, com nova aposta num meio-campo constituído por três elementos de características defensivas, fazia antever um jogo de pouco risco mas a verdade é que os figueirenses entraram muito bem na partida, tirando partido dos espaços concedidos entre linhas pelo Leixões.

O golo de Paulão acabou, até, por surgir com naturalidade já depois de Baradji e Godemèche terem ameaçado a baliza de Beto. O guardião dos bebés já tinha, inclusive, feito uma das suas defesas de encher o olho, mas foi impotente perante o cabeceamento determinado de Paulão.

A perder, o Leixões teve de mudar de estratégia e procurou ter mais bola para chegar mais vezes à baliza de Peiser. Fê-lo, sobretudo, através de lances de bola parada porque a defesa da casa raramente se distraia e, quando isso acontecia, Peiser resolvia com intervenções por vezes pouco ortodoxas, porém eficazes.

Já Camora

O tempo jogava a favor da equipa da casa, que viu a pressão forasteira intensificar-se na segunda parte. Previsivelmente, a Naval entregou a iniciativa ao adversário e foi recuando as linhas, dando azo a lances de perigo junto à baliza de Peiser e outras aflições, como um remate à barra de Zé Manel.

Pelo meio, uma contrariedade para Ulisses Morais, que teve de retirar Baradji do campo, um dos melhores na altura, devido a lesão, apostando no jovem Camora, que se estreou nos jogos em casa. Também Peiser dera sinais de problemas num ombro mas nem parecia com tantas defesas que teve de fazer.

Foi, desta forma, com muito sofrimento, que os figueirenses foram aguentando a vantagem, vendo os leixonenses a desperdiçarem sucessivas oportunidades de chegar à igualdade. A paginas tantas, o guarda-redes da casa parecia ter um imã nas mãos pela forma como atraia sistematicamente a bola perante as tentativas forasteiras.

O apito final traduziu-se, por isso, num enorme grito de alívio do público local, perante três precisos pontos que deixam a manutenção mesmo ao virar da esquina.