Paulo Ferreira, lateral do Chelsea e da selecção de Portugal, esteve à conversa com o Maisfutebol em Stamford Bridge. No particular com a China, envergou pela primeira vez a braçadeira de capitão, após o intervalo. Quase ninguém reparou. Provavelmente, um reflexo da postura reservada do jogador. Com a lesão de Bosingwa, Paulo Ferreira deve ser o titular no lado direito da selecção, no Mundial:

Carlos Queiroz apelou aos jogadores para reverem as suas situações em Janeiro, mas disse que exemplos como o Paulo Ferreira, que chegava à selecção e dava tudo, também eram importantes. Ficou satisfeito?

«É sempre importante. Quando tenho oportunidade de jogar, dou o meu melhor. O professor Queiroz disse isso e também tinha acontecido o mesmo com Scolari. Não estava a jogar muito no Chelsea e fui titular na selecção, no Euro2008. Penso que não tive uma má prestação. É preciso ver que, quem faz mais jogos, também pode chegar ao Mundial com desgaste. É tudo relativo.»

No Euro2008 foi lateral esquerdo, no Chelsea também acontece. Que pensa disso?

«Não me incomoda. Não é a minha posição de origem, mas fui melhorando com o tempo. É totalmente diferente, a posição do corpo, a forma como se gira, tudo. Aprendi e não sinto qualquer problema em jogar ali.

E no Mundial 2010, espera jogar à direita ou à esquerda?

«Antes de mais, tenho de esperar pela lista para ver quem está lá. Se for convocado, estou à disposição do mister Queiroz. O Duda tem jogado nessa posição e tem estado muito bem, mesmo não sendo a sua posição de origem. Também temos o Miguel Veloso, que pode jogar ali. À direita, infelizmente não temos o Bosingwa, mas temos o Miguel. Há muitas opções.»

A lesão do Bosingwa pode ter sido boa para si. Ficou feliz ou triste?

«Triste, claro. Estou todos os dias com ele, vejo a sua tristeza, é muito complicado. Soube que tinha de fazer uma segunda operação, falhar o Mundial, é muito triste. Estou triste por ele e pela selecção, que fica a perder quando tem grandes jogadores de fora. Preferia que isto não tivesse acontecido. Só tínhamos a ganhar. Todos querem jogar, mas no final ganhamos todos ou perdemos todos.

As lesões são uma séria preocupação, nesta altura?

«Sim, sim, infelizmente têm acontecido. O campeonato inglês é muito duro, competitivo, com mais contacto físico. Um jogador sabe que, se tiver uma lesão, já será difícil recuperar para o Mundial. Mas estando a disputar títulos por um clube, não pode pensar muito nisso. Eu falo por mim. Para já, só penso em dar tudo pelo Chelsea. A mim, por exemplo, aconteceu ter uma lesão grave mais tarde. Uma pessoa até pensa que isso até será o corpo a ressentir-se dos jogos acumulados ao longo dos anos.»

Ao fim de 59 internacionalizações, envergou a braçadeira de capitão no particular frente à China. Foi um prémio pelo seu trajecto na selecção?

«Foi um momento marcante para mim. Ser capitão da selecção não é para todos e irá marcar-me para sempre. É lógico que não tenho perfil de capitão, sou completamente o oposto. Sou muito tranquilo, enquanto um capitão tem de ser mais interventivo, em termos de comunicação. Mas é um reconhecimento pelos anos que tenho de selecção, pelo que tenho feito. Jamais esquecerei isto. Só tinha sido capitão nas camadas jovens. Os capitães têm de ser mais comunicativos, em termos de liderança. Eu sou o oposto, sou mais de fazer o meu trabalhinho sem fazer grandes ondas.»

Venceu a Taça UEFA e a Liga dos Campeões no F.C. Porto, títulos em Inglaterra ao serviço do Chelsea. O que é que ainda lhe falta?

«Falta um título pela selecção. Veremos, já não falta muito tempo. Em 2014, já terei 35 anos, provavelmente já não estarei lá. No próximo Europeu, ainda dará para lá estar. Esperemos.»