Maisfutebol

O actual treinador do Benfica começou nas camadas jovens do Real Madrid mas assumiu-se como líder precoce num emblema da terceira divisão, estreando-se com 16 anos na equipa sénior do Pegaso. Decorria a época 81/82. 28 anos depois, Quique Flores pode conquistar o seu primeiro troféu como treinador.

«Vencemos o Guadalajara por 4-0 e o extremo esquerdo deles teve de ser substituído porque ficou com medo. Quando toda a gente achava que eu tiraria Quique à meia-hora, ele ficou em campo todo o tempo. No final do jogo, os adeptos do Guadalajara aplaudiram a sua exibição», recordou recentemente Jose Antonio Beltran, o treinador que o lançou.

O resto da história é conhecida. Quique Flores despontou no Pegaso e foi contratado pelo Valência por uma verba exorbitante. Ficou no Mestalla durante uma década, mudou-se para o Real Madrid em 1994 e encerrou a carreira no Saragoça. Nascia o Quique treinador.

«Sempre fomos apaixonados por futebol»

Isidro Sanchéz Flores, 14 meses mais velho, ficou na sombra do irmão mais novo mas contribuiu para o crescimento desportivo de Quique. Extremo direito, com qualidade assinalável, Isidro acabou por ficar pelo caminho e abraçar outras profissões.

«Fui titular no seu primeiro jogo no Pegaso, partilhámos o percurso. As pessoas dizem que eu também tinha qualidade, cheguei a ser pré-convocado para a selecção, mas faltou-me uma oportunidade. Trabalhei na segurança social, nos correios, etc. Paciência», recorda Isidro Sanchéz Flores, em conversa com o Maisfutebol.

O irmão mais velho continua a acompanhar a carreira de Quique e considera que o 2º lugar já poderá ser bom para o Benfica. «Tenho visto os jogos e acho que, se o Benfica ficar num dos primeiros dois lugares, já é bom, porque dá acesso directo à Liga dos Campeões. Espero também que conquiste agora a Taça da Liga. Ele merece. É muito trabalhador, metódico e não faz as coisas por acaso», resume Isidro.

A crise no berço desportivo de Quique

Quique evoluiu mas o Pegaso caiu a pique. O clube saiu de Madrid e instalou-se em Três Cantos. Passou a ser conhecido como Galáctico Pegaso e assumiu-se como «uma equipa de todos», dando liberdade aos adeptos para escolherem o onze e a táctica a troco de 35 euros. No berço desportivo de Quique Flores, surgiu a «primeira equipa de Espanha comandada pela internet.»

A experiência não está a resultar. Há uns meses, surgiu um suposto presidente que não passava de um estudante, sem um tostão para colocar no clube. Desesperados com os salários em atraso, os jogadores decidiram agir. Num encontro frente ao Real Madrid C, em Fevereiro, deram o pontapé de saída e baixaram os calções. A imagem correu mundo e recolocou o Pegaso no mapa futebolístico. Pelos piores motivos.