Durante 70 minutos os homens de Vila do Conde foram claramente superiores. A equipa de Tulipa acordou demasiado tarde e demonstrou fragilidades preocupantes.

O Rio Ave respirava com dificuldade. Sentia a corda da despromoção a apertar com vigor. Percebia que só um triunfo aliviaria essa pressão quase insustentável. Por isso a equipa entrou com tudo.

Num 4x3x3 alicerçado na inspiração dos extremos Fábio Coentrão e Pedro Moutinho, a equipa passou grande parte do primeiro tempo no meio-campo do contendor directo. Num ritmo muito interessante, os vilacondenses ameaçaram duplamente o golo aos 20 minutos (por Coentrão e Edson) e viriam mesmo a estabelecer a justa distância no marcador ainda antes do intervalo.

Aos 28 minutos, o talento de Fábio Coentrão colocou a bola na cabeça mortífera de Yazalde; quatro minutos depois, o mesmo Coentrão isolou-se e ultrapassou o guarda-redes do Trofense para fazer o 2-0.

Aparentemente tudo simples, tudo decidido, tal a lassidão e apatia dos comandados de Tulipa.

Rio Ave adormece mas acorda a tempo

Na etapa complementar a qualidade baixou abruptamente. O Rio Ave geriu grande parte do tempo a vantagem com uma facilidade extenuante, o Trofense nada criou que fizesse supor um final tão imprevisível como aquele que viríamos a assistir.

Mas talvez embriagado por essa tranquilidade excessiva, a formação de Vila do Conde adormeceu e a 20 minutos do final, no seu primeiro lance de perigo, o Trofense reduziu a diferença por Tiago Pinto.

Daí até ao último suspiro da peleja, a bola passou grande parte do tempo no meio-campo do Rio Ave, como seria expectável. A baliza de Paiva, contudo, não mais passou por qualquer lance de aperto. O Trofense arriscou tudo em termos tácticos, acabou o jogo com três defesas, mas foi penalizado justamente por 70 minutos demasiado frágeis e desligados.

A luta para os dois conjuntos não acaba aqui. Nem por sombras. Rio Ave e Trofense têm pela frente mais cinco batalhas absolutamente decisivas no despique pela manutenção.