A Organização Mundial de Saúde considerou hoje urgente apostar na investigação de novos medicamentos e vacinas contra a tuberculose, porque os actuais estão a demonstrar uma eficácia reduzida, informa a agência Lusa.

«A longo prazo é absolutamente necessário e é urgente desenvolver novas ferramentas ao nível do diagnóstico, medicamentos e vacinas», declarou Veronique Vincent, responsável do Departamento «Stop Tuberculose» da Organização Mundial de Saúde (OMS) durante uma conferência em Lisboa promovida pela Fundação Luso-Americana.

Esta investigadora explicou que os medicamentos que existem actualmente são os mesmos que eram usados já nos anos 70 e que estão a demonstrar uma eficácia reduzida.

Quanto à vacina, Veronique Vincent sublinha que a BCG é a mais antiga das vacinas administradas hoje em dia e que apenas é eficaz nas crianças.

«A BCG não previne a transmissão de um modo global. Precisamos de uma vacina muito mais eficiente e que também seja eficiente nos adultos», sustentou.

Veronique Vincent lamenta que a investigação neste campo tenha sido negligenciada durante muitos anos, o que atribui ao facto de a tuberculose ter elevadas incidências apenas nos países mais pobres.

«Não tem havido interesse por parte da indústria e companhias farmacêuticas, mas as coisas estão a começar a mudar, até porque os casos de tuberculose aparecem muito ligados aos casos de HIV/Sida», concluiu.

Também a investigadora da Universidade brasileira de Pernambuco Haianna Schindler, igualmente presente na conferência, considerou ser necessário mais investimentos e pesquisa em novas vacinas, medicamentos e esquemas terapêuticos de combate à tuberculose

Conferencia em Lisboa

A conferência que decorreu hoje em Lisboa insere-se no projecto «Uma Solução Conjunta para as Doenças Tropicais: a Resposta Luso-Americana», levado a cabo pela Fundação Luso-Americana e pelo NIH - agência norte-americana responsável pelo financiamento da pesquisa médica.

Esta iniciativa, com três anos de duração, pretende desenvolver a colaboração na investigação da tuberculose, malária e VIH/sida, doenças que afectam particularmente o continente africano.

O ano de 2007 está a ser dedicado à tuberculose, em 2008 será a vez da malária e em 2009 a sida, segundo explicou à Lusa Paulo Zagalo, responsável da FLAD.

Para apoiar a investigação na área da tuberculose, a FLAD criou um prémio de 10 mil euros a atribuir a trabalhos científicos, pedagógicos ou políticos sobre diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.

Uma das condições de candidatura é a participação na conferência que hoje decorre em Lisboa.

Dados da doença

Mais de 8,8 milhões de novos casos de tuberculose surgem anualmente no mundo, matando 1,6 milhões de pessoas.

A maior incidência da doença é em África, Ásia e América do Sul e, segundo dados da OMS, um conjunto de 22 países totaliza 80 por cento dos casos mundiais de tuberculose.

Brasil, Moçambique, Congo, Uganda, Tanzânia e Quénia são alguns dos países que integram esse conjunto.

Em Portugal, dados da Direcção Geral da Saúde indicam que o número de pessoas a sofrer de tuberculose respiratória tem vindo a diminuir desde 2001, sendo que 2006 foi o ano com menos vítimas da doença (2.478).

As regiões mais afectadas com tuberculose respiratória são o norte (976 casos) e centro do país, sendo que o Porto (696) e Lisboa e Vale do Tejo (908) são as zonas que apresentaram mais casos em 2006, segundo as estatísticas da DGS.

A tuberculose respiratória é uma doença infecciosa de declaração obrigatória, ou seja, os médicos são obrigados a preencher o boletim de declaração obrigatória para dar conhecimento de todos os casos que existem em Portugal, de forma a diminuir o risco de contágio.