A participação feita pelo Benfica à Comissão de Instrução e Inquéritos é muito clara: a SAD encarnada pede a interdição do Estádio de Alvalade por um mínimo de um jogo e um máximo de três jogos, na sequência do dérbi do último domingo.

 

Na origem deste pedido de castigo, porém, estão coisas como o comportamento do speaker do Sporting no referido dérbi, a deselegância dos dirigentes leoninos e até a proibição de acesso dos dirigentes do Benfica ao catering da Tribuna de Honra.

 

Mas por partes.

 

Antes de mais, o Benfica divide a exposição em quatro pontos.

 

O primeiro desses pontos diz respeito à «utilização indevida da aparelhagem sonora», em particular a não divulgação do onze do Benfica, a referência à equipa encarnada como «visitante» e a incitação do apoio ao Sporting por parte do speaker durante o jogo.

 

O Benfica refere que o comportamento do speaker de serviço «teve a intenção única de diminuir, denegrir e injuriar o Benfica» e «incentivar os adeptos do Sporting à prática de comportamentos provocatórios, injuriosos e violentos», tais como o arremesso de uma tocha na direção de Artur Moraes.

 

Por isso o Benfica pede a interdição de Alvalade entre um e três jogos, ao abrigo do artigo 117º.

 

O segundo ponto diz respeito «ao impedimento da entrada de adeptos do Benfica no Estádio de Alvalade e sua entrada tardia».

 

Neste caso, o Benfica refere que, face ao facto dos bilhetes terem esgotado em três horas na Luz, muitos adeptos encarnados compraram bilhetes através do site do Sporting. Ora estes adeptos, que tinham ingressos para setores não destinados a simpatizantes do Benfica, foram proibidos de entrar com o argumento que a bancada estava lotada.

 

Mais tarde, os mesmos adeptos foram colocados noutro setor.

 

Por isso o Benfica considera que o Sporting violou o artigo 88º, número 2, emitindo bilhetes em número superior à lotação do estádio, e pede a realização de um a três jogos à porta fechada.

 

O terceiro ponto diz respeito às «faixas exibidas no jogo pelos GOA do Sporting», referindo, entre outros, os exemplos do «Sigam o King» e de um adepto do Benfica em posição sexual com a legenda «Gostas pouco... gostas!».

 

A SAD encarnada defende, através de uma série de fotografias, incluindo algumas que mostram as tarjas a ser pintadas em Alvalade, que as tarjas foram feitas com a conivência da SAD leonina, exigindo a suspensão dos dirigentes do Sporting entre um mínimo de seis e uma máximo de dezoito meses.

 

Por fim, o quarto e último ponto diz respeito à «receção da comitiva do Benfica», particularmente o facto da comitiva de dirigentes encarnada ter sido «recebida com deselegância» na Tribuna de Honra. A participação da SAD encarnada diz mesmo que o vogal Bruno Mascarenhas se dirigiu aos dirigentes do Benfica dizendo que «não eram bem-vindos» e que o Sporting «não se responsabilizaria por algo que corresse mal».

 

Para além disso, acrescenta o Benfica, «os membros da comitiva foram impedidos de aceder à zona de catering».

 

A participação defende então que o Sporting violou o artigo 118º do regulamento disciplinar, tendo criado «uma situação de perigo para a segurança dos agentes desportivos ou dos espetadores, de risco para a tranquilidade e a seguranças públicas, de lesão dos princípcio de ética desportiva», pelo que volta a pedir a interdição de Alvalade entre um mínimo de um jogo e um máximo de três jogos.