Figura: Mathieu, uma lição de como defender

O defesa leonino começou o jogo com um erro nada habitual que só não deu golo porque Renan travou o remate de Otávio (6’). Desde esse lance, Mathieu vestiu o fato de gala e exibiu-o a quem a ele se chegou. Impressionou! Tempo de entrada bastante oportuno, concentração perto dos limites e a calma que se lhe reconhece. Marega vai ter pesadelos com o francês: à exceção do lance acima descrito, não mais Mathieu falhou. Aos 35 anos Mathieu merecia jogar para o resto da vida. Fez um jogaço!

Momento: Luiz Phellype sonhou e a obra nasceu

Luiz Phellype sonhava decidir a final. Deus quer, Luiz Phellype sonha e a obra nasce. Depois de Fernando Andrade ter permitido a defesa de Renan, o brasileiro assumiu a responsabilidade de marcar o penálti que podia dar a Taça. Com nervos de aço, Phellype enganou Vaná e ajoelhou-se no relvado com as mãos agarradas ao rosto. Segundos depois desapareceu no meio dos colegas.

Outros destaques:

Bruno Fernandes: os grandes jogadores pedem a bola e jogam. A frase é de Diego Fórlan, dita durante uma conversa descontraída com Cappa. O uruguaio bem podia estar a falar de Bruno, pois ele é um dos grandes. Chegou a um nível em que tudo parece fácil seja um passe de primeira, um drible ou um adversário. É o líder dos leões nas horas más, é o homem que sabe sempre o caminho. O internacional português obrigou Vaná à primeira defesa apertada (10’) e falhou o que não tem por hábito desperdiçar (30’). Com o Sporting em desvantagem, o capitão encontrou o caminho para o fundo da baliza de Vaná. Precipitou-se no passe na segunda parte, talvez devido ao cansaço, e acabou a partida de rastos.

Bas Dost: esperou um ano para ser herói. O golo de Felipe impediu-o de ser, mas o holandês merecia. Quando Felipe falhou a interceção ao cruzamento de Acuña, nem foi preciso olhar para quem iria surgir nas costas de Telles. Era o holandês voador, quem mais poderia ser? Justiça poética no Jamor. Dost desviou com classe para o fundo das redes de Vaná e o futebol devolveu-lhe o que perdeu há um ano: o sorriso, a alegria, o prazer. A imagem do avançado com a cabeça ligada a falhar um golo feito contra o Desportivo das Aves jamais se apagará. Porém, vai ser apenas lembrada para sublinhar como Dost deu a volta à situação. O Sporting e o futebol festejaram com ele. Falhou o primeiro penálti, algo que rapidamente todos vão esquecer em virtude do triunfo verde e branco.

Acuña: um jogo atípico. Porquê? A explicação é simples: o argentino não foi visto em nenhuma confusão e raramente protestou com o árbitro. Esteve, por isso, à altura do que o jogo exigia. Defendeu com qualidade, mas foi no capítulo ofensivo que mais se evidenciou. Com Marega entre ele e Mathieu e apenas como Militão para defender o corredor direito defensivo dos dragões, Acuña fartou-se de combinar com Diaby e de ganhar a linha final. Acabou por estar associado aos dois golos dos leões: fez um passe atrasado para o disparo de Bruno Fernandes e, no prolongamento, cruzou para o golo de Bas Dost, embora a bola ainda tenha desviado em Felipe.

Renan: pese embora tenha feito uma exibição inconstante, o guarda-redes apareceu quando foi preciso. Entre boas intervenções e más reposições de bola – uma delas poderia ter dado em golo do FC Porto – Renan voltou a ser herói nos penáltis. Voou para travar o remate de Fernando Andrade e entregou o palco a Luiz Phellype para este ser herói. Decisivo, portanto.