«É difícil para mim falar desse lance, porque as pessoas não acreditam em mim. As pessoas dizem que viram, mas fui eu que marquei, que estava lá», começa por dizer ao Maisfutebol. Fica o aviso para o diálogo: ninguém pode garantir, com certeza absoluta, que o golo foi marcado com a mão.

O Benfica vinha de uma derrota por 2-1 em França. Foi-se a primeira parte. No Estádio da Luz, perto de 120 mil pessoas tremiam perante a possibilidade de um afastamento doloroso. Num lance rápido. Vata antecipa-se ao marcador directo e desvia para o fundo da baliza.

Aos 47 anos, o angolano esforça-se para explicar, da melhor forma, a sua postura. «Eu digo que não marquei com a mão, mas o lance foi tão rápido, estava tanto vento, que é melhor ficar o ponto de interrogação. Não se pode culpar o árbitro por esse lance. O Mozer? Pois, ele nesse altura jogava no Marselha e ficou furioso, mas de resto eu adorava o Mozer, sempre tivemos uma óptima relação», garante.

«Marcava sempre o meu golito»

Vata tem mais histórias para contar. A começar pelo título de melhor marcador do campeonato, quase sempre partindo do banco de suplentes: «No Benfica, nessa altura, encontrei grandes jogadores e uma grande família. Lembro-me que comecei o campeonato como titular, marcando ao Sp. Espinho. Mas o Benfica tinha 22 jogadores em condições de estar no onze, todos podiam resolver.»

«Já sabíamos quem entrava, se estivesse o jogo empatado ou se estivéssemos a ganhar. Muita gente dizia que o Toni não gostava de mim, mas não é verdade. Mesmo jogando apenas 10 ou 15 minutos, marcava sempre o meu golito», lembra. Foram 16 golos.

Há pouco mais de um mês, Vata regressou a Portugal e foi recebido num novo Estádio da Luz. «Fui muito bem recebido. Fiquei espantado com o Benfica, com a actual estrutura. Já não ia a Portugal há muitos anos, lembro-me que o Estádio da Luz era grande, mas agora está muito melhor. De vez em quando, vejo os jogos do Benfica na televisão, mas perdeu-se um pouco à mística», considera.

A ensinar miúdos na Austrália

Hoje em dia, o antigo jogador angolano passa o seu tempo a ensinar futebol a crianças na Austrália. Vata esteve vários anos na Indonésia, onde encerrou a carreira. Agora, gostava de regressar a Angola ou Portugal.

«Estou a tentar encontrar projectos em Portugal e Angola. Aqui na Austrália, não se consegue viver só do futebol. Tenho uma academia, há muitos miúdos a querer aprender depois da participação da selecção no Mundial, mas faltam treinadores de qualidade», remata Vata.