Maisfutebol

«Sensibilizado pela distinção» do nosso jornal, o treinador de 44 anos, natural de Alverca, continua a realizar um trabalho de superior qualidade na Cidade Berço, onde está desde setembro de 2011.

Ao longo de 2014, Rui Vitória orientou o Vitória Guimarães em 33 jogos oficiais. Conduziu a equipa ao décimo lugar na Liga 2013/14 e ocupa na presente edição do campeonato um brilhante terceiro posto.

Mais do que isso, Rui Vitória transformou a escassez dos recursos financeiros do emblema vitoriano em oportunidade para escolher e lançar novos nomes de enorme qualidade.

André André, Bernard Mensah, Hernâni, João Afonso, Tomané e Josué são só alguns exemplos que justificam honrosa menção. Tudo isto depois de já em 2013 ter conquistado a Taça de Portugal para o clube da cidade de Dom Afonso Henriques.

A eleição como Figura do Ano para o Maisfutebol surge, quiçá, com um ano de atraso, mas mais do que a tempo de sublinhar a excelência da relação entre um clube e um treinador plenos de ambição.   

Atento, inteligente, senhor de uma cultura riquíssima, Rui Vitória iniciou-se no futebol com nove anos, pela mão do pai. Pousou as chuteiras aos 32 anos, depois de passagens por Fanhões, Vilafranquense, Seixal, Casa Pia e Alcochetense.

A Entrevista de Rui Vitória ao Maisfutebol em março de 2013

Licenciado em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana, Rui Vitória lecionou durante uma década na Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca. Com 42 anos tornou-se treinador do Vilafranquense e daí saltou para os juniores do Benfica, entre 2004 e 2006.

Ao serviço do Desp. Fátima deu nas vistas ao eliminar o FC Porto da Taça da Liga, em setembro de 2007 e após desempate através de grandes penalidades. Só em 2010 chegou à I Liga, pela mão do Paços Ferreira. Acabou a temporada no sétimo lugar.

Logo na fase inicial da época seguinte, o Vitória Guimarães contratou-o. Está no Minho há três anos e três meses, numa relação anormalmente duradoura para os cânones do futebol português.

Na primeira pessoa, em discurso direto, aqui ficam as escolhas de Rui Vitória para o ano de 2014, com o nosso muito obrigado.

. Figura de Futebol em Portugal:

«Seleção Sub21 e Equipas B: não escolhi qualquer agente desportivo. Achei importante valorizar a Seleção Nacional de Sub21 e todas as equipas B. A primeira por ter feito uma caminhada vitoriosa em toda a fase de qualificação para o Euro2015, atestando muito bem o valor do jogador português. As segundas por pretender sublinhar a importância que tiveram no crescimento destes atletas».

. Figura do Futebol Internacional:

«Cristiano Ronaldo: claramente uma prova de superação e exemplo elucidativo de que há sempre mais qualquer coisa para conquistar e mais objetivos para alcançar, por mais difíceis que eles sejam. Um ano fantástico a provar ainda mais que é o melhor do mundo».

. Momento do Futebol em Portugal:

«Final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Atlético Madrid: por se ter realizado no nosso país com uma organização fantástica e pelo resultado final e consequente desenrolar do jogo. Provou-se ao mundo, mais uma vez, o quão entusiasmante e atrativa esta modalidade é».

. Momento do Futebol Internacional:

«O Mundial de Futebol e a qualidade da seleção alemã: o novo campeão mundial mostrou um conjunto de fatores importantes para ser o melhor do mundo, dos quais destaco a organização para uma prova desta natureza e a noção clara do que é o planeamento e o desenvolvimento do futebol de um país».

. Jogo do Ano:

«Brasil-Alemanha, 1-7 no Mundial: inesperado, mas ao mesmo tempo um sinal de que só o talento por vezes não chega. É necessário aliar o rigor, a disciplina e o empenho para que o sucesso seja alcançado com frequência».

. Caso do Ano:

«As eleições na Liga: primeiro pela confusão existente na altura das eleições. Depois por ter obrigado a que os clubes refletissem, se unissem e encontrassem soluções em conjunto e mais consensuais em prol da credibilidade do futebol português».

. Destaque nas Modalidades:

«O terceiro lugar da Sara Moreira na Maratona de Nova Iorque: é um destaque porque foi a primeira vez que a atleta fez esta distância e por ter sido a primeira não africana na respetiva prova. Isto atesta bem o potencial dos desportistas portugueses no que respeita à superação e ao atingir objetivos difíceis».