A efeméride é um decalque quase perfeito da actualidade. A diferença - importante - está na Europa. Este ano ainda há o Villarreal e uma final em Dublin por conquistar pelo F.C. Porto. De qualquer forma, o Sporting volta, oito anos depois, a visitar a casa dos dragões com o anfitrião já de faixa ao peito.

1987/88: Sporting acaba com F.C. Porto invencível

Ironia maior: nesse duelo com história, o F.C. Porto triunfou de cabeça pintada por 2-0 e os golos foram anotados por Hélder Postiga e Maniche. Os dois estão actualmente no Sporting, como se sabe.

Aos 37 minutos o avançado inaugurou o marcador num pontapé à meia volta, já dentro da área leonina; aos 78, um remate de Maniche apanhou Pablo Contreras pelo meio e trocou as voltas ao guarda-redes Nélson.

O F.C. Porto foi campeão e somou 89 pontos. Mais 27 do que o Sporting, terceiro classificado.

«O plantel do F.C. Porto não quer desiludir»

Nas bancadas a euforia é incontrolável. Adivinha-se a degola dos inocentes. F.C. Porto de peito feito, a arfar conquistas implacáveis, manipulado pelo génio do jovem José Mourinho. E no balneário? Como se prepara um Clássico condenado a ser o altar de toda a fé e elevação azul e branca?

«Não é muito diferente», assegura Carlos Secretário ao Maisfutebol. «Nesse dia a pressão era menor sobre nós, é verdade, mas treinámos normalmente ao longo da semana e a abordagem do José Mourinho foi exactamente igual. Lembro-me de estar no balneário e escutar uma prelecção séria, repleta de detalhes», recorda o antigo lateral.

Secretário começa esse jogo no banco de suplentes e avança aos 66 minutos para o lugar de Capucho. «Estava na parte final da minha carreira. Vimos o estádio completamente cheio e não queríamos desiludir as pessoas. Principalmente depois de uma época tão gratificante. Acho que o plantel do André Villas-Boas sente o mesmo.»

«Nem depois de golear o F.C. Porto facilita»

A imagem é esta: o F.C. Porto até se pode mascarar para a folia, mas nunca deixará de ser sério em campo. Carlos Secretário lembra que há um desejo indómito de vitória no Dragão.

«Nem na Liga Europa a equipa facilita, depois de golear na primeira-mão. O novo objectivo do clube é acabar pela primeira vez sem derrotas o campeonato. Será com isso em mente que o Clássico se vai jogar», completa o antigo internacional português.

Oito anos depois, portanto, o Sporting visita um F.C. Porto de coroa na cabeça e a deitar fogo por todos os lados. Para chegar ao terceiro lugar, convém não sair chamuscado.

Ficha do jogo:

1 de Junho de 2003

Estádio das Antas, 42141 espectadores

Árbitro: Francisco Ferreira

F.C. PORTO: Vitor Baía; Paulo Ferreira, Pedro Emanuel, Ricardo Carvalho e Ricardo Costa; Maniche, Alenitchev (Tiago, 46) e Deco; Capucho (Secretário, 66), Hélder Postiga (Jankauskas, 71) e Derlei.

Treinador: José Mourinho

SPORTING: Nélson; Quiroga (César Prates, 78), Beto, Hugo e Contreras; João Paulo (Kutuzov, 63); Paulo Bento e Rodrigo Tello; Cristiano Ronaldo (Luís Filipe, 71), João Vieira Pinto e Ricardo Quaresma.

Treinador: Laszlo Boloni

Golos: Hélder Postiga (37) e Maniche (78)