Rodríguez, ameaça pública

Faz do flanco esquerdo a sua vereda privada. Bola colada ao pé esquerdo, olhar desafiador, alma repleta de coragem, ameaça pública a Pedro Silva e restantes defesas leoninos. O melhor e o mais perigoso jogador do F.C. Porto esta noite. Cabeceou para golo aos 10 minutos, na melhor oportunidade dos dragões, mas Pereirinha salvou em cima do risco. Parece extremamente bem fisicamente e confere ao seu jogo uma raça e atitude únicas. Arrancadas sem fim rumo a uma actuação muito boa.

Hulk, menos sobre-humano

Menos sobre-humano do que nos últimos tempos. Interventivo, mas em condições mais adversas. Teve menos espaço, recebeu várias vezes a bola de costas para os defesas e o seu futebol ressentiu-se. Naturalmente, sempre que se libertou do jugo leonino fez o que melhor sabe: espalhou o pânico. Aos 76 minutos, por exemplo, driblou dois adversários e serviu Lisandro na esquerda com um passe magnífico. O lance foi desaproveitado pelo argentino.

Lisandro, um tango de outros ritmos

Andou estranhamente longe da carreira de tiro. Esforçado, dedicado, devoto à causa do dragão, como lhe é habitual, mas sem a qualidade a que habituou os adeptos do F.C. Porto. Poucos remates, poucos lances digno de real registo e uma jogada muito mal aproveitada aos 76 minutos. Foi servido em bandeja de ouro por Hulk mas, quando o ataque parecia ter tudo para dar certo, atrapalhou-se com a bola. Não deu seguimento aos dois golos de Madrid. Autor de um tango em notas demasiado compassadas.

Lucho, um comandante debilitado

Não foi o «comandante» do costume. Os seus pés de veludo tiveram pouca bola, a sua inteligência não encontrou eco na condição física e o F.C. Porto ficou a perder. Sem Lucho a um nível alto, o futebol azul e branco torna-se mais previsível e acessível a um adversário bem organizado. Como o foi o Sporting esta noite. Precisa recarregar os seus níveis energéticos para as batalhas que se avizinham.

Pedro Emanuel, missão cumprida

Ninguém lhe pode pedir mais do que deu. Adaptação forçada à posição de lateral direito, os condimentos do costume: concentrado, certinho, simples e sem invenções. O Sporting explorou mais o flanco direito do seu ataque, o que também tranquilizou o capitão azul e branco. Passou para lateral esquerdo após a lesão de Cissokho, aos 70 minutos. É uma referência importante e um nome a levar sempre em linha de conta. Missão cumprida.

Helton, pesadelo para trás das costas

Resposta positiva, após o momento infelicíssimo no segundo golo do Atl. Madrid. Reagiu bem à suposta pressão e fez bem tudo o que teve para fazer. Não foi obrigado a intervenções especialmente complicadas, mas não falhou uma saída a cruzamentos e jogou sempre bem com os pés.