Golpe de teatro em Vila do Conde. O Rio Ave desperdiçou a possibilidade de se isolar no terceiro lugar da Liga depois de desperdiçar dois golos de vantagem frente ao Nacional, penúltimo classificado.

Os vila-condenses tiveram o triunfo no bolso, mas uma sucessão de erros individuais – Nadjack e Schmidt – permitiram aos insulares resgatarem um precioso ponto na fuga à zona vermelha da tabela. Costinha bem pode respirar de alívio.

O Nacional foi corajoso – não tem postura de equipa que apenas quer pontuar -, embora tenha sido feliz em detrimento de um Rio Ave que podia e devia ter feito melhor. Aos vila-condenses faltou clarividência, inteligência e frieza para impedir o crescimento adversário e gerir o conforto do resultado. Apesar do empate, subiram ao quarto lugar por troca com o Benfica.

Ficha e filme de jogo

O jogo começou a um ritmo baixo. Portanto, apenas um rasgo de génio poderia desbloquear o marcador. Ou um erro individual. Acabou por ser o pé esquerdo de Fábio Coentrão a resolver os problemas de construção do Rio Ave. O internacional português, com um passe teleguiado, isolou Diego Lopes que com classe inaugurou o marcador (7’).

Pouco depois, Galeno testou duas vezes a atenção de Daniel Guimarães (9’ e 11’). O Nacional mostrava pouca acutilância e incapacidade para chegar à baliza de Leo Jardim. Invariavelmente, acabou por ser uma sucessão de erros a dar origem ao empate. Leo Jardim teve uma abordagem horrível a um remate de Camacho, permitindo a Gorré empatar na recarga (24’).

O Rio Ave estava longe de apresentar a fluidez de outros jogos, recorrendo inúmeras vezes ao passe longo. No entanto, o Nacional controlava bem a profundidade, roubava espaço ao ataque do Rio Ave e anulava com relativa facilidade as investidas contrárias.

Acabou por ser, através de um lance aparentemente inofensivo, que os vila-condenses alcançaram nova vantagem. Felipe Lopes travou com o braço um remate de Fábio Coentrão. João Malheiro foi alertado pelo VAR (Luís Ferreira) e foi rever o lance, decidindo-se pela marcação da grande penalidade que Vinícius transformou em 2-1.

Os primeiros vinte minutos da segunda parte mostraram um Rio Ave a jogar no risco. Sentia-se uma equipa à procura do 3-1, explorando o contra-ataque e as saídas rápidas. Já o Nacional tinha mais bola, mas mostrava dificuldades em chegar à baliza oposta.

Galeno e Vinícius desperdiçaram uma mão cheia de oportunidades para fecharem a discussão do resultado. Os insulares ameaçaram o empate por Camacho, mas Leo esticou-se e cedeu canto.

A partir daqui o jogo entrou numa espiral de erros de parte a parte. Como resultado três golos apontados, um para a formação da casa e dois para os forasteiros. Uma perda de bola de Kalindi abriu corredor a Galeno que serviu Vinícius para o 3-1 (Felipe Lopes não fica isento de culpas).

O jogo parecia estar fechado. No entanto, os erros do Rio Ave hipotecaram o triunfo. A quinze minutos do final, uma grande penalidade convertida por Rochez – após falta de Nadjack sobre Witi – deu esperanças ao Nacional.

A dificuldade do Rio Ave em fechar o encontro, fosse a guardar a bola ou a marcar o 4-2, deixou no ar a possibilidade de uma surpresa. E aconteceu a um minuto do final. Perda de bola de Schmidt para Rochez que isolou Witi. O extremo, lançado a meia hora do final, atirou em jeito e empatou a partida.

Ganhou novo fôlego o Nacional à custa de um Rio Ave que errou em demasia, sobretudo para quem quer estar nos primeiros lugares da Liga.