Que diferença jogar sem a pressão dos pontos! Boavista e Sporting de Braga, o futebol agradece.

Os axadrezados vergaram os bracarenses (4-2), candidatos ao título no arranque da época, provando que o Bessa é, de facto, uma fortaleza. Para além de garantia de pontos, Lito tornou o campo hostil e desagradável para quem o visita.  

Caro leitor, para ter noção, o Boavista só perdeu com o Sporting desde a chegada do antigo técnico do Vitória de Setúbal. Somou a sétima vitória caseira seguida e já está em 9.º lugar. Por outro lado, o Sporting de Braga acabou penalizado por nove minutos horríveis, durante os quais sofreu três golos.

Ficha e filme de jogo

Já sem o perigo da descida, a pantera encarou o Sp. Braga – arredado do pódio – olhos nos olhos. E com a postura do Boavista todos saíram a ganhar: os intervenientes, público e, acima de tudo, o futebol.

A postura axadrezada soou a ousadia, a julgar pelos minutos iniciais. Depois de negar o golo a Paulinho (4’), Bracali foi traído por um remate de Palhinha que desviou em Horta, resultando no 0-1. O Boavista resistiu (como se lê em vários pontos da cidade) ao poderio do adversário e reagiu de peito feito.

Rafael Costa, por exemplo, ficou muito perto de igualar poucos minutos após o golo bracarense. Apesar de o Boavista dividir a partida até então, foi o Sporting de Braga quem esteve mais perto de marcar. Esgaio atirou perto do poste (18’) e Wilson desperdiçou o 0-2 na cara de Bracali (21’). Os vinte minutos iniciais, sublinhe-se, mostraram um Sp. Braga fiel à sua imagem.

No entanto, Obiora igualou o marcador na sequência de um lance de insistência e o jogo começou a mudar de feição (22’). O Sporting de Braga ainda esfriou o ímpeto do adversário quando fez o 1-2 por Wilson Eduardo, de penálti, mas depois foi vítima de uma avalanche.

 

O golo de Yusupha, a cinco minutos do final, alterou tudo. Mateus deu um «nó cego» em Goiano e serviu Rafael Costa que atirou contra a muralha minhota, deixando a bola à mercê de Yusupha. O avançado da Gâmbia atirou para nova igualdade (40’).

Ainda havia adeptos a celebrar o empate, quando Mateus consumou a reviravolta no marcador perante a passividade da defesa do Sp. Braga (43').

Em desvantagem, o Sporting de Braga tremeu e podia ter chegado ao intervalo com quatro golos sofridos se o cabeceamento de Rafael Costa não tivesse apenas esbarrado na trave da baliza de Tiago Sá.

A formação de Abel parecia desesperar pelo intervalo. Ainda assim, a segunda parte começou com novo golo do Boavista, o terceiro em nove minutos (!). Bueno fez um belo golo de livre direto e praticamente carimbou a vitória axadrezada.

Abel foi ao banco buscar poder de fogo. Lançou Novais, Dyego e Trincão e a equipa não mais se mostrou apática. Criou situações e, não tivesse encontrado um gigante Bracali, poderia ter encurtado a diferença no marcador.

O guarda-redes brasileiro impediu o golo bracarense em diversas ocasiões, a saber: travou com o braço direito um cabeceamento certeiro de Wilson (51’), desviou por cima da trave um livre de Novais (59’) e voou para evitar o golo a Paulinho (68’). Dyego Sousa – incompreensível como Abel o deixa no banco – ainda ameaçou o golo com um tiro ao poste (77’).

O Boavista, mais preocupado em segurar a vantagem de dois golos, ainda ameaçou o 5-2, mas Tiago Sá impediu o bis de Yusupha.

Em suma, foi um jogo aberto, vivo, cheio de emoção e golos. Uma partida que vale o bilhete. Por que razão não é sempre assim?