A FIGURA: Bryan Ruiz, o encantador da Caraíbas: é um dos melhores executantes da Liga e voltou a mostrá-lo frente ao V. Setúbal. Sem João Mário no onze, desta vez foi ele o extremo que apareceu mais vezes no corredor central. Inteligentíssimo com e sem bola, encontra facilmente soluções para os problemas. Voltou a ser um dos elos mais fortes do ataque dos leões. Serviu Gelson para o 1-0 e apontou o 4-0, num remate colocadíssimo de primeira após cruzamento de Bruno César: o golo da noite. Mas havia mais: está a ver quando dizemos que encontra facilmente soluções para os problemas? Foi o que fez já em período dos descontos. Na marcação de um livre, e perante uma barreira cerradíssima… atirou por baixo. Os virtuosos são assim.

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O MOMENTO: golo de Gelson, 25 minutos

Não pode dizer-se que o Vitória estivesse a defender de forma organizada, até porque era Ricardo quem ia na maior parte das vezes adiando o primeiro do jogo. Certo é que os minutos iam passando e o Sporting não conseguia marcar, o que acabou por acontecer aos 25 minutos. Momento por isto, mas também pela jogada. Slimani-Ruiz-Gelson: sempre ao primeiro toque, muita nota artística a desmontar a defesa sadina.

 

NEGATIVO: Vitória de tração atrás

Na antevisão do jogo com o Sporting, Quim Machado admitiu que os sadinos teriam de estar muito atentos defensivamente para estancar os perigos dos leões, mas deixou a garantia de que não ia abdicar da baliza contrária. Acontece que, a jogar com três centrais e blocos muito baixos, seria difícil passar do meio-campo, o que veio a confirmar-se. Nem com tração atrás o Vitória foi capaz de estancar o ataque do Sporting e até foi Ricardo quem evitou males maiores. Muito pouca ambição para uma equipa vai mesmo adiar a luta pela manutenção até à derradeira jornada. Fica a pergunta no ar: será a melhor opção deixar de fora alguns dos jogadores mais importantes neste tipo de jogos?

 

OUTROS DESTAQUES

Gelson Martins: tinha pela frente a exigente missão de substituir João Mário na faixa direita, mas não acusou o peso da responsabilidade. Imprevisível naquele seu jeito de futebol de rua, pôs a cabeça em água. Apareceu várias vezes no corredor central, e andou pela esquerda. Abriu a contagem aos 25 minutos, servido por Bryan Ruiz. Voltou a marcar na segunda parte, desta feita a passe de Adrien. Saiu a 20 minutos do fim para dar o lugar a Barcos.

William Carvalho: acaba a época em crescendo. No último jogo em Alvalade, e sem grandes tarefas defensivas para o consumirem, revelou-se um bom armador de jogo, pisando muitas vezes terrenos adiantados. O primeiro golo, apontado por Gelson, nasce nele, e assistiu Teo Gutiérrez para o 2-0 com um passe sublime.

Teo Gutiérrez: de «mal-amado» pelos adeptos do Sporting, o colombiano lá vai conquistando pontos na carta de confiança. Fá-lo com golos e esta noite marcou o 10º na Liga. Esteve sempre muito envolvido no jogo e à procura de espaços.

Adrien: voltou a exibir-se a um nível elevado, como costuma ser habitual. Incansável do primeiro ao último minuto, pertence a ele (pelo menos) metade do segundo golo de Gelson Martins, depois de ter tirado um adversário do caminho antes de tocar para o colega. Esteve perto do golo aos 69 minutos na cobrança de um livre. Apenas uma mancha na noite: viu o cartão amarelo e falha a última jornada em Braga.

Ricardo: os sadinos levam na bagageira uma derrota pesada (5-0), mas não se pode dizer que o guarda-redes cedido pelo FC Porto tenha culpas no cartório. Antes pelo contrário. Contas: na primeira parte foram pelo menos três excelentes intervenções, duas delas ainda antes do golo inaugural dos leões. Seguiram-se mais duas na etapa complementar, primeiro a um livre de Adrien Silva e depois a um remate violentíssimo de Barcos. Foi o melhor do Vitória naquele que foi seu centésimo jogo na Liga.