No futebol português não é novidade, na Luz também não. Aliás, houve uma dupla que até foi alvo de algum debate nos anos 70/80. O mais velho António era o titular, o mais novo Alberto era considerado «mais jogador», mas também «mais parecido com Humberto Coelho», como o próprio assume. A dupla Bastos Lopes pode ter origens diferentes da Matic e Markovic, mas também é verdade que na História do Benfica há mais irmãos espalhados pelos anos.

«Partilhar o balneário com o meu irmão foi uma satisfação dupla, um prazer enorme. Jogava no Benfica e tinha um irmão mais velho a servir de exemplo. Ele era um professor, tive sempre muita atenção a ele. Além de colegas, éramos apoio um do outro. Sempre fomos muito chegados, estivemos juntos no Benfica, morámos juntos e havia uma convivência enorme. Quando as coisas não corriam bem, estávamos lá um para o outro»

Quando Alberto Bastos Lopes chegou à equipa principal do Benfica, já o irmão António era um titular indiscutível. Maniche também o era quando Jorge Ribeiro chegou a sénior na Luz, em 2001/02. O primeiro já estava posto de lado e só entrava nas contas de um treinador: José Mourinho que pensou nele para o FC Porto do ano seguinte.

Por isso mesmo, a história de irmãos no Benfica tem nos Bastos Lopes a dupla mais famosa.

«Eu sempre fui central, o meu irmão [António] começou no Odivelas como extremo-direito e só no Benfica passou para central. Eu subi de júnior do Benfica e tinha grandes jogadores à minha frente como o Humberto Coelho ou o Carlos Alhinho. Era difícil entrar na equipa.»

Nos idos de 70 e 80, comparavam-se os Bastos Lopes. Era uma ideia dizer que Alberto era «mais jogador» que António, mas este fazia melhor dupla com o titularíssimo Humberto Coelho. O próprio treinador do Lourinhanense assume-o. «O meu irmão tinha um jogo mais agressivo, eu era mais parecido com o Humberto Coelho, tinha um futebol mais técnico.»

O facto de ter um irmão titularíssimo do Benfica não afetou Alberto Bastos Lopes.

«Não fui mais longe por variadas razões, nenhuma delas teve a ver com o meu irmão. Entrar numa convocatória do Benfica já era difícil, tínhamos de trabalhar muito, e eu tinha bons jogadores à minha frente. Depois, não tive muita sorte. Quando cheguei, as pessoas acharam que podia ter futuro no Benfica como o meu irmão. Mas depois do Humberto começar a decrescer tive dificuldades. Eu fazia um ou dois jogos e depois lesionava-me. O Benfica também começou a apostar noutros jovens jogadores, como o Samuel ou o Oliveira. Mas nunca senti isso pressão por ter tido um irmão com nome no clube.»