Efeméride é uma rubrica que pretende fazer uma viagem no tempo por episódios marcantes ou curiosos da história do desporto, tenham acontecido há muito ou pouco tempo. Para acompanhar com regularidade, no Maisfutebol.

Travassos, Albano, Peyroteo, Vasques e Jesus Correia: os nomes marcaram uma era no Sporting e no futebol português. Conhecidos como «os Cinco Violinos», jogaram juntos entre 1946 e 1949, com uma eficácia demolidora, que tornou mítica a equipa verde e branca. Nesse período, sagraram-se tricampeões nacionais e pareciam imbatíveis, isto, até caírem aos pés do modesto Tirsense, da 3ª divisão, num jogo que teve lugar há 65 anos. 

 

Na batuta da orquestra sportinguista, onde brilhavam os Cinco Violinos, estava Cândido Oliveira, ex-funcionário dos CTT, que, durante a II Guerra Mundial, foi agente secreto para Inglaterra e para os aliados. Tinha, entre outras coisas, como missão preparar uma rede clandestina da resistência em caso da invasão de Portugal pelas forças da Alemanha nazi, o que lhe valeu, em 1942, uma detenção pela PIDE, prisão em Caxias e deportação para o campo de concentração do Tarrafal.

Quando assumiu o comando da equipa, Cândido Oliveira já podia contar com Jesus Correia, Peyroteo e Albano. Vasques e Travassos chegaram em 1946 e, a partir daí, começou o espetáculo dos Cinco Violinos. 

 
     

Três títulos de campeão nacional e vários jogos internacionais vitoriosos depois, chegamos a 17 de Abril de 1949. Os leões já só pensavam na Taça Latina (em que viriam a perder na final com o Barcelona), mas antes era preciso jogar a primeira eliminatória da Taça de Portugal.  O sorteio ditou a deslocação do Sporting a Santo Tirso para defrontar o Tirsense, uma equipa da 3ª Divisão. 

Pouco preocupado com o adversário, Cândido Oliveira decidiu poupar alguns habituais titulares, entre eles, Veríssimo, Jesus Correia, Travassos e Peyroteo, quatro dos Cinco Violinos.

O Sporting adiantou-se no marcador aos 12 minutos com um golo de Armando Ferreira, mas, aos 20 minutos, Carolino empatou. O jogo foi assim para o intervalo e, já na segunda parte, nos minutos finais do encontro, Mendes fez o 2-1. Estava operada a reviravolta do encontro, e, como o marcador não voltou a mexer, o Tirsense sagrou-se vencedor, seguindo em frente na competição, deixando os leões pelo caminho.

Os responsáveis leoninos chegaram a protestar o jogo, alegando a falta de condições mínimas do campo do Tirsense, mas o protesto não teve provimento e o Sporting ficou mesmo de fora da Taça de Portugal, cujas últimas três edições tinha ganho. 

 
 

O Tirsense também não foi muito mais longe na competição, acabando por ser eliminado logo na fase seguinte pelo Lusitano, num encontro em que os algarvios venceram por 5-1. A Taça, essa, acabaria por ficar nas mãos do Benfica.

Mas, para o Sporting, pior do que não ter ganho o troféu, foi a mágoa de ter sido eliminado por uma modesta equipa da terceira divisão, quando tinha ao dispor uma orquestra afinadíssima, que optou por não utilizar.