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Os protagonistas: Grupo F

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João Cancelo (AP)

JOÃO CANCELO (PORTUGAL)

«Obrigado por iluminares o meu caminho, mãe».

A estreia de João Cancelo na equipa principal do Benfica, a 25 de janeiro de 2014, num jogo da Taça da Liga com o Gil Vicente, teve dedicatória óbvia. Apenas um ano antes o jogador tinha perdido a mãe, Filomena, num acidente de viação ocorrido bem perto do centro de treinos das águias. João, então com 18 anos, também seguia no carro, mas sofreu apenas ferimentos ligeiros, tal como o irmão Pedro, agora jogador sub-19 do Vitória de Guimarães, mas que então tinha apenas nove anos de idade. Tinham ido levar o pai ao aeroporto e regressavam a casa, já de madrugada, quando sofreram o acidente na autoestrada.

José era emigrante na Suíça, de forma a ganhar mais dinheiro para a família, e Filomena acumulava três trabalhos para também tentar dar melhores condições de vida aos filhos, que passavam a maior parte do tempo com os avós, no Barreiro, cidade marcadamente operária em que viviam.

João, que na altura já treinava regularmente com a equipa principal do Benfica, sonhava com o dia em que teria condições financeiras para dizer aos pais que não precisavam mais de trabalhar.

«Perdi a luz da minha vida, a minha razão de viver. Amo-te, mulher da minha vida. Estejas onde estiveres, estou contigo. Quero que olhes por mim e que protejas o pai e o mano. Estou morto por dentro, mas vou ser forte e vou dar-te o maior orgulho do mundo. És a minha vida, sem ti nada faz sentido. Descansa em paz, mamã», escreveu o jogador, alguns dias depois da tragédia, nas redes sociais.

O luto fechou João Cancelo em casa durante aproximadamente um mês. Não queria ir treinar e pensou desistir do futebol, mas uma conversa com o pai mudou tudo. João voltou com uma missão bem definida: deixar a mãe orgulhosa.

Apenas quatro meses depois o lateral direito marcou os dois golos que deram o título nacional de sub-19 ao Benfica, e em janeiro de 2014 chegou a tal estreia na equipa principal, frente ao Gil Vicente.

Jorge Jesus, que cumpria então a primeira etapa como treinador do Benfica, só deu mais uma oportunidade a João Cancelo nessa época. Foi na última jornada, já com o título de campeão garantido, mas esse jogo com o FC Porto incluiu o jovem defesa também nessa conquista.

Surpreendentemente, no final dessa época, e com apenas esses tais dois jogos na equipa principal do Benfica, João Cancelo foi vendido por quinze milhões de euros ao Valência, que tinha também contratado Nuno Espírito Santo para treinador.

Entre 2014 e 2017 fez quase cem jogos pela equipa espanhola. Um período no qual cresceu muito, até por alguns erros com os quais aprendeu. Em abril desse último ano no Mestalla marcou um golo ao Deportivo e fez um gesto entendido como se estivesse a mandar calar os adeptos, que o vaiaram daí até ao apito final. «Estou a passar um mau período a nível psicológico e foi por isso que tive aquela reação. A culpa não foi dos adeptos. O meu gesto foi mal interpretado, não era para eles. Prefiro não falar do que está a acontecer na minha vida», explicou logo nesse dia.

A irreverência sempre foi uma marca de João Cancelo. Na equipa sub-15 do Benfica chegou a fazer uma entrada dura sobre o treinador, Bruno Lage, porque andava descontente por não jogar na fase decisiva da temporada. Hoje em dia fala numa relação pai-filho com esse técnico, recentemente campeão com a equipa principal do Benfica, e agradece as reprimendas que este lhe deu.

O lateral sempre jogou muito com o coração, mas com o tempo aprendeu a controlar o lado mau dessa faceta. Da paixão nunca abdicou, e isso é algo com que os adeptos se identificam. Daí que, depois daquele momento negativo no Valência, tenha sido ovacionado na despedida.

Saiu para o Inter, passou depois para a Juventus, ao lado de Cristiano Ronaldo, e agora está há dois anos no Manchester City, com Pep Guardiola.

A época 2020/21 é bem demonstrativa da evolução tática de João Cancelo, mas a maturação vem muito do plano emocional. E isso tem contribuído também para consolidar o estatuto na seleção portuguesa.

João Cancelo estreou-se pela equipa das quinas em setembro de 2016, e até marcou nos primeiros três jogos (Gibraltar, Andorras e Ilhas Faróe), mas acabou por não integrar a convocatória para o Mundial 2018. Foi titular na fase de grupos da primeira edição da Liga das Nações, mas depois perdeu o lugar para Nelson Semedo na final four.

Dois anos depois o estatuto está reforçado, e João Cancelo parece preparado para ser uma das figuras de Portugal no Campeonato da Europa.

«Sei que a minha mãe está muito orgulhosa do meu percurso. A única coisa que me falta é ela. Hoje tenho tudo, tenho uma filha lindíssima, tenho uma família também lindíssima e quem mais merecia ver o meu sucesso era ela. Mas sei que certamente ela está orgulhosa de mim», disse recentemente, em entrevista ao canal de televisão da federação portuguesa.

Um nome a ter em conta. Em honra da mãe.

Nuno Travassos escreve para o Maisfutebol.

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2
Lucas Hernandez

LUCAS HERNÁNDEZ (FRANÇA)

Lucas Hernández tem a medalha de campeão do mundo conquistada pela França, mas podia estar a jogar pela Espanha, não fosse um telefonema de Didier Deschamps, três meses antes do Mundial de 2018, na Rússia, para além de uma conversa com Antoine Griezmann, então seu colega no Atlético de Madrid.

Griezmann, que jogou cinco anos com Lucas, admitiu ter feito pressão para uma resposta positiva do defesa, e revelou também que Julen Lopetegui, selecionador espanhol na altura, tinha também abordado o esquerdino.

Hernández foi internacional francês dos sub-16 aos sub-21, mas aí surgiu o ponto de inflexão e a reviravolta do destino que ele esperava para alcançar os seus objetivos. «Há muito que me sentia mais espanhol do que francês, pois Espanha deu-me tudo a nível pessoal e profissional. Até falo melhor a língua, mas o meu país continua a ser França. Quando recebi a chamada do selecionador não hesitei, nem por um segundo, antes de dizer-lhe que estava preparado para dar tudo por esta camisola», explicou.

Quando deu por isso, Lucas era campeão mundial aos 22 anos. Jogou os sete jogos na Rússia, como lateral esquerdo, e ainda contribuiu com duas assistências: uma para o golo de Benjamin Pavard, frente à Argentina, nos oitavos de final, e o outro para Kylian Mbappé na final com a Croácia.

O internacional francês nasceu em Marselha, onde o pai, Jean-François, um central esquerdino e agressivo, jogou entre 1995 e 1998. Lucas cresceu depois em Espanha, onde o pai encerrou a carreira, antes de desaparecer da noite para o dia, cheio de dívidas.

Lucas contou com a mãe, Laurence, com os avós maternos, e com o irmão, Theo, que também jogou nas camadas jovens e na equipa de reservas do Atlético de Madrid, para depois sair para o Real Madrid e daí para o Milan.

«Foram tempos lindos, mas difíceis. Lembro-me da minha mãe fazer horas extra para sustentar-nos, e depois levar-nos aos jogos e aos treinos. Eu e o Theo devemos-lhe tudo. A única forma de ultrapassar tudo e dar-lhe algo de volta foi lutar e tentar realizar os nossos sonhos», referiu.

O futebol foi a sua força motriz desde muito cedo, desde que tinha 11 anos, quando o Atlético o descobriu no Rayo Majadahonda, uma pequena equipa dos subúrbios oeste de Madrid. A filosofia e o espírito do Atlético influenciaram a sua forma de jogar e o seu carácter, sobretudo sob o comando de Diego Simeone.

«Gosto de defender, de competir, de ser agressivo em campo. Situações de um para um, tackles e recuperações de bola»», diz Hernández. «Quando era mais novo, era admirador do Fabio Cannavaro e do Carles Puyol. Dois jogadores diferentes, mas ambos duros, fortes e físicos. O estilo do Atlético – defender bem para atacar bem, e nunca o contrário – assentou-me bem e foi muito semelhante ao que eu encontrei na seleção francesa quando cheguei. Na verdade, Deschamps e Simeone têm muito em comum, e para eles só uma coisa interessa: ganhar. Por isso não me senti desorientado, adaptei-me rapidamente», acrescenta.

Embora jogue naturalmente como central, algo que pode vir do ADN do pai, Lucas surgiu no Atlético e na seleção francesa como um lateral esquerdo poderoso, explosivo e implacável.

«Posso jogar em ambas as posições, não tenho problemas em alternar, até mesmo dentro do mesmo jogo. O meu irmão é um lateral puro, muito mais forte do que eu ofensivamente. Mas eu sou melhor a defender. Sem dúvida!», garante.

«É o meu soldado», descreveu Griezmann quando Lucas chegou à seleção francesa, antes do último Mundial.

Hernández foi o primeiro jogador do Atlético a sagrar-se campeão mundial, mas no verão de 2019 assinou pelo Bayern de Munique, perante a necessidade de estabelecer novas metas e «sair da zona de conforto». Só que logo no primeiro ano enfrentou duas operações (joelho e tornozelo direito), entre outras lesões, e acabou por ter um papel menor na fase final da Liga dos Campeões, em Lisboa, incluindo seis minutos na demolidora vitória de 8-2 sobre o Barcelona.

«Na época passada o Alphonso Davies foi o melhor lateral esquerdo do mundo, por isso não há ressentimentos, até porque eu fiz parte da Aventura», referiu Lucas, que escolheu a camisola 21, número que já utilizava na seleção francesa, mas que no Bayern ninguém ousava envergar desde a retirada do capitão Philipp Lahm. Hernández teve de adaptar-se a uma equipa de posse, que pratica um futebol ofensivo e que defende subida, precisamente o oposto do que tinha no Atlético: «Tive de melhorar a qualidade de passe.»



Após 18 anos a viver em Espanha, Lucas teve também de adaptar-se a uma nova vida: «Sinto falta do presunto e da grande parceria que estabeleci com [os compatriotas] Tom [Lemar] e Antoine [Griezmann]». Mas em Munique formou outra parceria francesa, agora com Pavard, Kingsley Coman e Corentin Tolisso, o que permitiu recuperar rotinas de folgas como caminhadas nos bosques próximos ou pesca nos lagos da região.

«Aprendi a pescar quando era pequeno, com o meu pai e o meu avô. Adoro, e encontrei o paraíso aqui. Até descobri alguns locais ricos em lúcios, lucioperca e trutas, a especialidade local. Os meus gostos musicais e gastronómicos são mais espanhóis, tirando o queijo, que tem de ser francês. A minha mulher, Amelia, é espanhola, e o meu filho, Martin, nasceu em Madrid, duas semanas depois do Mundial. Quando estou em Espanha sinto-me espanhol, em França sinto-me francês», refere.

Agora na Alemanha, Lucas está agora no Bayern, que assim tem outro campeão mundial no plantel. E não é um qualquer: a transferência para Munique, por 80 milhões de euros, ainda é a mais alta da história do clube. Como o jogador ainda está nos 25 anos, parece que o dinheiro foi bem gasto.

Patrick Urbini escreve para a France Football.

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3
Lucas Klostermann (AP)

LUCAS KLOSTERMANN (ALEMANHA)

Quem pesquisar por Lukas Klostermann no Google vai descobrir alguns dados interessantes sobre a sua carreira desportiva, como a marca de 5,43 metros no salto em comprimento que conseguiu em 2007, no escalão sub-11. Ou a reportagem da vitória numa prova de 50 metros disputada no Estádio Olímpico de Berlim, perante 70 mil adeptos, com o tempo de 7.21 segundos.

Klostermann iniciou o percurso futebolístico no clube local, o VFL Gevelsberg, mas antes quis imitar os pais e tornar-se atleta. Nos anos 80 o decatleta Hans-Peter Briegel trocou de desporto aos 17 anos e ainda chegou à final do Mundial, mas hoje em dia, dada a forma como as crianças integram logo as academias de futebol, é difícil ver uma mudança como a de Klostermann.

Lukas acabou depois por ir jogar para o Bochum, e foi aí que se tornou internacional jovem pela Alemanha. Ele tinha apenas 17 anos quando foi recrutado no segundo escalão. Em 2014 foi descoberto por Wolfgang Geiger e Sebastian Barth, do Leipzig. «Os nossos olheiros repararam nele por causa da velocidade», revelou Ralf Rangnick.

O então diretor desportivo do Leipzig ainda recorda a forma como o antigo treinador do Bochum, Peter Neururer, reagiu à saída de Klostermann para o Leste da Alemanha: «Tínhamos acabado de subir à segunda divisão e Neururer disse que o Klostermann estava a cometer um enorme erro e que devia procurar outro aconselhamento».

Klostermann começou por jogar pela equipa de sub-19 do Leipzig, mas rapidamente conquistou o seu espaço na equipa principal, tornando-se um dos maiores sucessos do recrutamento do clube: «Correu mesmo bem para ele», acrescenta Rangnick.

O RB Leipzig é odiado por muitos adeptos alemães, aqueles que defendem que Dietrich Mateschitz, fundador da Red Bull, está a comprar sucesso com a sua fortuna. Mas esta é apenas metade da história. O Leipzig só pagou mil euros por Klostermann.

Tal como Marcel Halstenberg, Emil Forsberg, Marcel Sabitzer, Péter Gulácsi e Willi Orban, Klostermann jogou na segunda divisão pelo Lepzig. Yussuf Poulsen ainda jogou na terceira divisão. Este é o grupo que define a atmosfera no balneário, o núcleo da equipa que chegou às meias-finais da Liga dos Campeões em 2020 e que tem sido consistente na Bundesliga.

Se alguém perguntar aos treinadores e colegas sobre as qualidades de Klostermann, as primeiras respostas vão estar relacionadas com valores que os pais lhe passaram. «É um rapaz muito sossegado, completamente focado no seu trabalho. Tem uma opinião muito clara sobre as coisas, mas não a diz sem que lhe perguntem», diz Rangnick, que ficou particularmente impressionado com a capacidade do defesa para recuperar de uma lesão nos ligamentos cruzados, em 2016. «Tive a oportunidade de o conhecer como grande pessoa e grande profissional», acrescenta.

«O Lukas é um jogador excecional, mas um rapaz com os pés na terra. Posso sempre confiar nele. Nunca me desiludiu em termos de mentalidade, nem mesmo no que diz respeito à qualidade. Trabalha sempre, ouve, dá o melhor pela equipa e desempenha as tarefas que a equipa técnica lhe atribui sem queixas», diz o treinador do Leipzig, Julian Nagelsmann.

Na verdade, Klostermann não é individualista, e é pouco provável uma transferência para os grandes clubes. Ele encaixa na perfeição a equipa do Leipzig, sustentada no espírito e no lado físico. «Ele tem uma velocidade incrível, e também é muito forte nos duelos e no jogo aéreo. A capacidade para fazer passes de rutura também melhorou, e tem outras características que pode explorar», diz Nagelsmann.

O penálti cometido sobre João Félix, nos quartos de final da Liga dos Campeões 2020, foi um acidente raro.

«Ele defende muito bem e é flexível», diz Nagelsmann, remetendo para a maior virtude de Klostermann: pode jogar em qualquer posição da defesa, seja numa linha de quatro ou de cinco.

Klostermann talvez não fosse a ausência mais notada se Joachim Löw o deixasse fora da convocatória para o Euro, mas esta polivalência aumenta as suas possibilidades de entrar na equipa. Foi usado em três dos jogos de março, ficando de fora precisamente na chocante derrota frente à Macedónia do Norte.

Para Löw é importante ter capacidade de improviso na defesa. A linha mais recuada da Alemanha tem estado instável, nos últimos anos, e isso aumentou as perspetivas de Klostermann. Os atributos como lateral podem fazer dele uma opção crucial para os duelos com os adversários mais fortes. Foi com um jogador assim, Benedikt Höwedes, a jogar no lado esquerdo da defesa, que a Alemanha conquistou o título mundial em 2014.

Oliver Fritsch escreve para o Die Zeit.

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4
Roland Sallai (AP)

ROLAND SALLAI (HUNGRIA)

Em criança, Rolland Sallai preferia ver futebol a desenhos animados na televisão, mas poucas pessoas ficaram surpreendidas, tendo em conta que vinha de uma família de jogadores.

O pai, Tibor, foi campeão húngaro com o Vác, em meados da década de 90. O tio, László, também jogou, embora não tenha chegado ao principal escalão. O outro trio, Sándor, foi um jogador muito popular nos anos 80, que disputou os Mundiais de 1982 e 1986. Até a irmã de Roland chegou a jogar futebol, embora depois de tenha tornado andebolista profissional.

Sallai começou a jogar no Debrecen e depois passou pelo Siófok, mas fez a maior parte da formação na Puskás Akadémia, onde se tornou profissional. O pai, que criou Roland e a irmã praticamente sozinho, também trabalhou como treinador na famosa academia húngara. Um dos antigos treinadores descreveu Roland como um rapaz tímido, reservado e sensível, que fazia trabalho extra depois dos treinos e que depois se transfigurava em campo. Aí revela mais confiança e é capaz de fazer coisas inesperadas num piscar de olhos, como marcar um golo de meio-campo ao Panathinaikos (e nem foi a primeira vez que o fez).

Foi incluído na pré-convocatória do Euro2016 ainda sem qualquer internacionalização, e como elemento mais jovem da equipa, mas acabou por ficar de fora da lista final. Ainda assim as boas exibições na Puskás Akadémia renderam uma mudança para a Serie A, emprestado ao Palermo. Sallai admite que teve de crescer bastante em Itália, e aprendeu muito, especialmente a nível tático, mas o emblema siciliano não tinha, na altura, o ambiente mais estável. Nessa temporada 2016/17 teve cinco treinadores, de resto, e acabou despromovido.

Sallai fez as malas e foi para o APOEL, de Chipre. A transferência foi encarada por muitos como um passo atrás, mas a conquista do título nacional e a possibilidade de jogar a Liga dos Campeões, frente a clubes como Borussia Dortmund, Real Madrid e Tottenham, serviram de trampolim para o regresso a uma das principais ligas europeias, em 2018.

Nos últimos três anos o avançado tornou-se um elemento fundamental da seleção húngara e vem da sua melhor época ao serviço do Friburgo.

O ano passado, com os cabeleireiros fechados por causa da pandemia de covid-19, vários jogadores da Bundesliga foram multados por receberam profissionais da área em casa, para cortar o cabelo. Sallai não foi um desses casos. O jogador húngaro seguiu as regras e tentou cortar o seu próprio cabelo em casa. O resultado? «Estou a pensar usar um boné de basebol nas próximas duas semanas», disse à Sport TV local.

Nesse podcast, Sallai revelou também que, apesar do apoio incondicional da família, precisou da ajuda de um psicólogo do desporto para ultrapassar a longa paragem provocada por lesão, na época 2018/19. O avançado defendeu que os jogadores também precisam de ajuda para ultrapassar momentos como esse.

Sallai pode ocupar várias posições na frente de ataque, mas na seleção húngara tem jogado mais ao centro. É rápido e tecnicamente evoluído, pelo que adapta-se bem ao papel de segundo avançado, como complemento a Ádám Szalai, um avançado mais convencional.

«Neste momento tenho dois jogadores que estão a jogar bem, de forma consistente: Dominik Szoboslai e Roland Sallai», disse o selecionador Marco Rossi há um ano. Quanto a Sallai, não há motivos para pensar de forma diferente. Pode não visto como a maior ameaça da Hungria para marcar golos - ainda que fosse um goleador na formação, com mais de cem golos marcados nos sub-13 -, mas bateu o recorde pessoal ao marcar oito golos na Bundesliga e apontou três dos seus quatro golos pela seleção nos derradeiros jogos antes da convocatória para o Euro. São sinais encorajadores, para compensar que Szoboszlai falhe o torneio devido a lesão.

Talvez desta vez não vejamos Sallai a tentar marcar do meio-campo, mas picar a bola por cima do guarda-redes é um movimento muito utilizado, como se viu recentemente diante de Schalke, Frankfurt e Rússia. Esses golos podem ser vistos como um sinal de confiança, que pode ser alimentada pela presença de público nos jogos com Portugal e França, agendados para a Puskás Aréna.

«Tento sempre avaliar as minhas oportunidades quando estou em posição, e felizmente tomei a opção certa frente a Schalke e Frankfurt. Sinto-me confiante e relaxado em campo. Há um ano talvez não experimentasse certas coisas em campo, mas agora arrisco mais. Para conquistar essa confiança preciso de marcar e assistir», disse ao Nemzeti Sporting.

Os adeptos húngaros esperam que faça o mesmo nos próximos dias.

Mátyás Szeli escreve para o Nemzeti Sport.

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Suíça 7 jun, 00:23
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Suécia 7 jun, 00:23
Dinamarca 7 jun, 00:23
Espanha 7 jun, 00:22
Ucrânia 7 jun, 00:22
Itália 7 jun, 00:22
Países Baixos 7 jun, 00:22
Turquia 7 jun, 00:21
Bélgica 7 jun, 00:21
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Rep. Checa 7 jun, 00:20
Polónia 7 jun, 00:20
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Croácia 7 jun, 00:19
Hungria 7 jun, 00:19
Rússia 7 jun, 00:19
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Eslováquia 7 jun, 00:18
Inglaterra 7 jun, 00:18
França 7 jun, 00:17
Portugal 20 mai, 23:45