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Especial Benfica Campeão 2018/19

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Benfica é Campeão Nacional

VÍDEO: o momento da consagração...

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Amigos de Bruno Lage

Das judiarias no bairro ao título nacional: o mundo de Lage

Reportagem: David Marques

Fernando Lage não assistiu ao vivo a nenhum dos jogos do Benfica desde que o filho Bruno assumiu, a 3 de janeiro deste ano, o comando técnico da equipa que se sagrou campeã nacional. Tem direito a lugar num camarote, mas passou sempre a oportunidade.

O Maisfutebol encontra-o na segunda-feira seguinte à conquista do título, ao início da tarde, no café onde costuma parar diariamente. À hora da bica o espaço está composto, e o senhor Lage chega acompanhado da mulher e do outro filho, Luís Nascimento, treinador dos juniores do Benfica.

Dois dias após a Reconquista, ainda recebe mensagens de parabéns e os vizinhos notam que apresenta um semblante diferente daquele que transportou durante semanas, ele que, para não se enervar, bloqueou já desde há algum tempo programas televisivos de desporto onde se fala pouco de futebol.

«Andei aí um bocadinho mais tenso porque era o jogo do título. Santa Clara? Não! Para mim, o jogo do título foi com o Rio Ave. Fechei-me no quarto às escuras, em silêncio, e só ia à sala quando a minha mulher dizia que o Benfica tinha marcado. Só vi os últimos cinco minutos desse jogo», conta.

Fernando Lage estabeleceu com o filho um pacto que quer respeitar para não ver a privacidade invadida. Não se alonga em grandes conversas ou palavras elogiosas sobre os êxitos dele e tem bem definidos os limites do discurso nos raros contactos que vai mantendo com os jornalistas. Se Bruno teve de aprender a viver nos últimos meses com a curiosidade da imprensa, a família não é exceção. Há uns tempos, Celeste, a mãe, fintou uma equipa de reportagem que a interpelou ali na Fonte do Lavra sem saber de quem se tratava. Não tinha informação de onde morava ou tinha morado Bruno Lage.

O obreiro do 37 já não vive naquele bairro de Setúbal, paredes-meias com a Bela Vista, mas aparece regularmente nas folgas para visitar os pais.

Ainda antes de darmos de caras com a família Lage, Mário Oliveira é-nos indicado como um bom cicerone para falar do treinador do Benfica. Com a devida autorização do próprio, Mário passa a ‘Azias’ daqui para a frente. «Pode escrever à vontade. É assim que ele me trata: ‘O meu amigo Azias’.»

Como a maioria das pessoas que conversam com o Maisfutebol no bairro onde Bruno Lage viveu até emigrar para os Emirados Árabes Unidos em 2012, ‘Azias’ assume-se como adepto do Vitória. Recusa assumir ter ficado feliz pelo título do Benfica. «Fiquei contente pelo Bruno ser campeão.»

Uma perspetiva diferente.

Ao lado de Mário Oliveira, outro Mário – Bruno Lage trata-o por ‘Marreta’ – escuta o diálogo e junta-se a ele com dedo cirúrgico após uma entrada negligente. Solta uma inconfidência, mas pede por tudo que não a publiquemos. «Atenção, atenção!», adverte ‘Azias’, com a voz ainda mais grave e tom impositivo, a tomar novamente as rédeas da conversa.

Adiante.

Mário Domingos (à esquerda) e Mário Oliveira. «Ele já era grande e punha-se a jogar à bola aqui onde estão os carros estacionados com os putos de oito, nove e dez anos. Púnhamos pedras a fazer de balizas e jogávamos. Isto já com uns 30 anos. Os putos iam saindo e nós é que acabávamos o jogo», conta o segundo.

O Bruno do bairro não é extrovertido, mas é diferente do homem low profile que se viu nas aparições públicas em jogos, conferência de imprensa e até durante os festejos na Luz, Marquês e Paços do Concelho, em Lisboa.

Mário Domingos, o ‘Marreta’, lembra-se do que ele lhe fazia durante os tempos em que foi dono do restaurante Vitória, hoje um estabelecimento com outro nome. «Fazia-me grandes judiarias. Ele, o irmão e o resto da malta que se juntava aqui davam-me cabo da cabeça. Eu às vezes saía do restaurante para ir levar o lixo e eles trancavam-se lá dentro. ‘Agora já não entras, é bar aberto.’ Ele devia ter uns 16 anos’. A malta nova iniciava-se ali», constata.

Até pouco antes de Lage sair de Portugal, o «grupo da malta» juntava-se para jantaradas duas ou três vezes por ano. «Tínhamos uma sociedade e jogávamos no Totobola e no Totoloto. Depois, o nosso ‘contabilista’ guardava o dinheiro até termos o suficiente para marcar um jantar. Começava à noite e acabava ao amanhecer. Vamos agora tentar retomar estes convívios», conta, nostálgico, Mário Oliveira, que se vai deixando ficar.

Consoante a seriedade do tema, muda o tom de voz. Por vezes quase sussurra, quase como se não quisesse que a conversa fosse ouvida na mesa ao lado.

Recorda uma conversa que teve com o agora treinador do Benfica quando este o informou da vontade em regressar ao país para ficar mais perto do filho, fala de Carlos Carvalhal - de quem já era admirador muitos antes de trabalhar com ele - de Jaime Graça, mentor de Lage e «amicíssimo» do pai de ‘Azias’, e recua aos tempos tempos em que Bruno conseguiu que os seus dois filhos, que jogavam no Vitória, fossem desviados para o 1.º Maio, escola de futebol criada por Quinito e que nos primeiros anos teve o nome do próprio. «Não descansou enquanto não os sacou. Ele era uma espécie de irmão mais velho dos meus filhos.»

Arquivo pessoal: Cláudio Saúde

Na rua acima, num banco em frente a um parque infantil, um grupo de reformados desperta a atenção do nosso jornal por estar a falar naquele preciso momento do assunto que nos traz ali.

Freitas, de pronúncia local acentuada, é o que apresenta a postura mais desportiva. «Eu cheguei a jogar à bola com o Quinito e jogava mais do que ele. Só que era malandro e nunca cheguei longe», diz o vitoriano que transporta na cabeça um boné gasto do Benfica. «Anda com ele há meses», dizem.

«Foi o pai dele quem mo deu, mas de certeza que veio do Bruno. Tem graça que só me deu a mim o boné e deu outro a mais uma pessoa. Alguma coisa há-de querer dizer.» Freitas fala e os companheiros vão desertando, uns a rir e outros com ar de enfado, pela aparente falta de precisão com que constrói a narrativa.

Numa garagem nas traseiras da rua onde moram os pais do treinador do Benfica encontramos António Moreira, 71 anos. Natural de Pedrógão Grande, está em Setúbal há quase cinco décadas. Como prova de que conhece bem a família, apresenta-nos o bisavô de Bruno Lage. «Era vendedor de marisco. Punha ali os tabuleiros no chão para arrefecerem e chegava a ir fornecer a Lisboa. O bisavô dele!», vinca.

António Moreira vive no bairro há 56 anos e conhece a família de Bruno Lage desde essa altura

Antigo teclista em grupos musicais – ainda vai fazendo umas presenças – o senhor Moreira é bate-chapas de profissão. «Já arranjei aqui o carro do Bruno e o do irmão Luís quando eles tiveram problemas de toques para resolver. E olhe! Quando ele quis despachar o carro que tinha, um Renault Clio com uns 200 mil quilómetros que estava aqui parado, fui eu que o vendi: 600 euros!», dispara.

«Oh Moreira, tens cola?»

A conversa é interrompida por José Costa, 79 anos e ainda no ativo como eletricista. Uns minutos depois, seguimos com ele até ao local de trabalho, numa outra garagem da rua, e percebemos que a cola servirá para fixar numa das paredes da oficina um poster com o onze inicial do Benfica perfilado antes do jogo decisivo com o Santa Clara.

Se António Moreira disse que se viu «obrigado» a gostar do Benfica por causa de Bruno Lage, este é orgulhosamente encarnado. Desfia memórias dos tempos da ‘outra senhora’: sobre o grande Benfica, que começou a acompanhar quando «emigrou» com o pai para Lisboa, e sobre a miséria existente no Portugal «amordaçado e miserável» de antigamente.

Depois das recordações do passado, José lá fala de Bruno Lage, que diz ter provado ser um exímio condutor de homens, e um estratega disciplinado, assunto que ele também domina mas numa outra vertente.

«Sabe, o futebol pode ser um desporto de improviso, mas tem de haver disciplina e uma orientação. Eu andei na guerra em Angola e na altura tínhamos uma disciplina de combate. Primeiro, tínhamos de conhecer a arma que o inimigo tinha. Isso era ‘meia-linha’: saber o alcance que tinha e não tinha. E, depois, saber quando tínhamos ou não de atacar. E o futebol é a mesma coisa. Se não, é uma anarquia onde ninguém se entende», nota com propriedade.

José Costa com o poster que colou dois dias depois do 37.º campeonato do Benfica. «Senti medo por ele quando substituiu Rui Vitória», assume

O futebol desde sempre

Fernando Lage foi jogador em vários clubes da região de Setúbal entre as décadas de 70 e 80. Extremo-direito velocíssimo e assistente dos pontas-de-lança, apresentam os vizinhos. Quase todos concordam que ele - que posteriormente treinou Grandolense, Comércio e Indústria e Cova da Piedade - era mais jogador do que o filho Bruno, que cedo mostrou ter aptidão superior para o treino e para a pedagogia.

Cláudio Saúde, vice-presidente de Fernando Lage no núcleo de treinadores do distrito e amigo de Bruno, corrobora esta versão, ou não tivesse jogado com ele no Praiense e trabalhado depois, já enquanto treinadores, nas Escolinhas do Quinito/1.º Maio, na viragem do século.

«Lembro-me que acompanhávamos com muito interesse a metodologia do Ajax dos anos 90. Trocávamos muita documentação sobre futebol, coisas que encontrávamos em livros e uma ou outra informação que já se via na internet. Ele tinha pouco mais de 20 anos, mas já era muito rigoroso, disciplinador e sério», recorda.

Bruno Lage (à direita) e Cláudio Saúde (2.º de pé à esquerda) ao lado de Fernando Lage, na altura coordenador das Escolinhas do Quinito/1.º Maio. O pai passeava no campo antes dos jogos e o filho herdou o hábito (arquivo pessoal: Cláudio Saúde)

«Então! Já não falas à malta?»

De volta à Fonte do Lavra, a vizinhança não nota diferenças entre o Bruno de antes e o de há cinco meses a esta parte. «Quando ele chega ao café, faz questão de cumprimentar as pessoas. No início havia muita gente a querer tirar fotografias e ele nunca teve problemas com isso», diz o bate chapas António Moreira.

Freitas, o tal que transporta orgulhosamente o boné, também não tem razões de queixa, mas recorda um dia em que, uns tempos depois de Lage ter assumido o comando da equipa principal do Benfica, levou um raspanete. «Eles iam na conversa aqui na rua, passaram sem dizer nada eu meti-me com ele. ‘Então! Já não falas à malta?’ O pai dele depois veio ter comigo e deu-me na cabeça por isso, mas eu estava na brincadeira», desdramatiza.

Lage e Mário Domingos 'Marreta'. Fotografia foi tirada no dia seguinte à vitória do Benfica sobre o Rio Ave

Na segunda-feira anterior à finalíssima com o Santa Clara, Bruno seguiu o ritual de visitar o bairro nas folgas. Esteve por ali umas horas e depois voltou para cima, conta o ‘Azias’. «Só conseguiu rir uma vez comigo e outra com ele», diz, apontando para o amigo ‘Marreta’. «Ele estava aqui sentado, eu cheguei e dei-lhe os parabéns. Ele vira-se e diz-me: ‘F***-se, parabéns não!’ ‘Então, não fizeste anos? Pensavas que eu ia dar-te os parabéns pelo quê? Vamos lá com calma’.»

A grande diferença está em quem vem de fora. Jornalistas e outros desconhecidos, nota o eletricista José Costa. «No domingo assisti a uma cena engraçada. Fui ali tomar café e apareceram dois gajos praticamente de ressaca da festa, quase bêbados, de automóvel e tal… Entraram no café e perguntaram onde é que morava o Bruno Lage. Eu meti-me e disse que já não morava ali, que morava em Lisboa. Só lhe queriam dar os parabéns pelo título, foi uma pancada que lhes deu. Percebi que eram de fora, porque nem sabiam onde é que se come choco frito.»

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Bonfim: o ponto de partida da carreira de Lage

Bonfim: o ponto de partida da carreira de Lage

Reportagem: Pedro Rosmaninho/João Paulo Delgado (TVI)

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Benfica é Campeão Nacional

João Félix e os outros: figuras do Benfica campeão

João Félix. O rosto do Benfica 2018/19 em campo, e sublinhe-se em campo, está cheio de borbulhas, usa aparelho e tem o espírito rebelde da juventude. Depois daquela primeira aparição à terceira jornada, Félix tornou-se no ícone maior deste Benfica. Foi, por assim dizer, a imagem do ‘Lage effect’.

Quando se olhar para trás, irá perceber-se as tremendas épocas de Pizzi, Rafa ou André Almeida e até Seferovic. Mas, com muita probabilidade, 2018/19 será vista como aquela que foi a temporada em que Félix despontou de encarnado.

João Félix – o meu nome é João e vivo ao teu lado

Cervi era o titular, Rafa a segunda opção e, depois, lá surgia João Félix. À esquerda, onde Rui Vitória o imaginou. O primeiro impacto foi relevante. Um Benfica em desespero encontrou Félix na área. O miúdo, que se estreava no dérbi eterno, atirou para o empate com o Sporting.

Félix ainda salpicou o campeonato com aparições aqui e ali, com escassos minutos em campo. Depois, tudo mudou. Se o ‘Lage effect’ tem rosto em campo, ele é João Félix. Samaris, Rafa ou até Seferovic podem ser membros desse corpo, mas o 79 é, sem dúvida, a cara de um Benfica rejuvenescido com golos atrás de golos, exibições atrás de exibições, a maior de todas na casa do lado: Alvalade. Félix deslizou no Dragão e foi ele o maior argumento de uma ideia que passou dos gabinetes para o relvado: os miúdos do Seixal.

Pizzi – necessita de assistência, ligue para o 21

Uma temporada memorável. Pizzi foi o jogador mais regular do Benfica. Porque começou a fazer números com Rui Vitória e não parou com Lage. Depois de uma época de 2017/18 de quebra, o transmontano foi logo a primeira figura do campeonato, com um hat-trick ao Vitória de Guimarães (3-2). No resto de 2018/19 marcou golos como sempre e assistiu como nunca.

Cada vez que foi preciso assistência, o Benfica ligou o 21, número de emergência. Pizzi também foi apanhado na revolução Lage, mas manteve o nível de desempenho: saiu do meio, passou para a direita, andou pela esquerda aqui e ali, voltou ao meio quando foi preciso e nunca, mas nunca, baixou do aceitável.

André Almeida – aos 28 anos deu o salto… para o meio-campo contrário

Tantas vezes olhado de lado, tantas vezes em dúvida assumiu, finalmente, como um pilar do Benfica. As reticências iniciais tornaram-se em exclamações à medida que a época avançou. Coincidentemente, melhorou ao mesmo tempo que a braçadeira de capitão se lhe moldou ao corpo.

Numa equipa com muita juventude, André Almeida revelou-se um autêntico sénior: no sentido da experiência e da liderança. E do jogo. Calou muitos críticos que lhe apontavam a falta de jogo ofensivo e, aos 28 anos, deu o salto…para o meio-campo contrário com mais de uma dezena de assistências no campeonato e o habitual par de golos, como em temporadas anteriores. Almeida foi muito mais do que um lateral-direito, foi uma referência quando o Benfica quase parecia órfão delas.

Seferovic – um canivete no bolso

Jonas quase ia, mas ficava. Ferreyra era a grande contratação e Castillo estava-lhe à frente. Seferovic vinha depois de todos os outros, quase tão depois que esteve para não chegar. As costas de Jonas fartaram-se, porém, e Lage teve de arranjar outro corpo para que o futebol ofensivo do Benfica tivesse onde repousar, com o argentino e o chileno já fora da Luz.

A dupla com João Félix deu frutos desde cedo e, em 12 jogos seguidos de Liga, Seferovic apontou nada mais, nada menos do que 15 golos. Uma sequência incrível que catapultou os encarnados para o topo da Liga e o jogador helvético para o trono dos goleadores. Era o quarto avançado, um canivete suíço estava guardado no bolso, que Lage foi buscar e que se tornou no melhor marcador da Liga. O suíço fez a melhor temporada da carreira.

Rafa – nem a lesão o parou

Finalmente, Rafa cumpriu a promessa. O início foi promissor, ainda que o titular de Rui Vitória fosse Franco Cervi. Aos poucos, Rafa foi marcando pontos na atenção e golos nas redes contrárias. Ainda assim, no final de 2018, uma rotura muscular obrigou-o a ficar ausente de competição.

O que se antevia como uma boa época ficou em dúvida, mas desta vez, Rafa cumpriu a promessa e mostrou o futebol que se lhe vira em Braga, que o levou à seleção nacional e ao Benfica. E a isso, Rafa juntou-lhe golo. Não só golo pelo golo, mas alguns dos golos que decidiram o campeonato, como aquele que fez no Dragão e, tão importantes como este, os dois ao Portimonense, num dia em que a águia passava muito mal na própria casa.

Samaris – se não o queriam, agora amam-no

Não contava, mudaram-lhe o número, deixou-se ficar e agora, todos o querem. Andreas Samaris nunca foi um titular absoluto na Luz, mas 2019 mudou por completo esse cenário. A ausência de Fejsa abriu-lhe uma porta há muito tempo fechada e, se João Félix é o rosto do efeito Lage, Samaris é o coração.

O grego fez troianos de todos os adversários, atirou-se a jogo com atitude, mas, como isso só não basta, trouxe o seu melhor desempenho futebolístico para o relvado. Melhorou na capacidade de recuperação e ainda elevou o jogo ofensivo.

Grimaldo – nunca surpreendeu e isso foi ótimo

A ligação direta entre o pé esquerdo de Grimaldo e a cabeça do espanhol é uma das melhores armas ofensivas da Liga. O camisola 3 do Benfica nunca surpreendeu e isso foi a melhor notícia para as águias.

Com uma qualidade reconhecida de épocas anteriores, acrescentou-lhe a consistência que tinha faltado antes. Fisicamente disponível como nunca, Grimaldo assistiu, fez golos e mesmo nos períodos de maior escuridão do futebol do Benfica foi um raio de sol. Tantas e tantas vezes as águias o procuraram para sair de problemas.

Gabriel – parecia um filme e afinal é uma novela

A temporada 2017/18 tinha deixado uma indicação clara ao Benfica: a equipa precisava de alguém para a posição 8. Gabriel não tinha currículo de craque, mas trazia credenciais que mereciam olhar atento.

A contratação parecia um filme: começou a ser negociada em julho, Gabriel ficou em treinar no Leganés e chegou já perto do final de agosto, com o Benfica em campo a disputar um dérbi com o Sporting. Rui Vitória apostou nele, as exibições e os resultados não surgiram e Gabriel ficou sem margem. Mas o filme virou novela e, nessas, pode existir contrariedade que o final é sempre igual. Gabriel terminou a época mais cedo, causou um susto aos benfiquistas com a lesão, mas, mesmo não sendo o maior dos protagonistas, contribuiu e muito para este final feliz.

Rúben Dias – sempre em campo

Contam-se pelos dedos de uma das mãos as vezes que o Benfica entrou em campo sem Rúben Dias nesta época. Em 60 jogos realizados pelos encarnados, o central participou em 55.

Um número recorde e quase sem paralelo nas principais ligas da Europa. E se a isso juntarmos os oito encontros realizados pela seleção em 2018/19 dir-se-á que quase ninguém jogou como ele. Quem passa tanto tempo em campo está, obviamente, a ficar com a folha menos limpa do que outros e foi isso que sucedeu a Rúben Dias.

A época não foi isenta de erros, mas aos 22 anos e na segunda época na equipa principal, Rúben Dias tornou-se imprescindível tanto para Rui Vitória como para Bruno Lage. Em 2018/19, onde esteve o Benfica, esteve a camisola 6.

Jonas – porque há coisas que só ele consegue

Haveria sempre um espaço para Jonas. Porquê? Porque há coisas que só o 10 consegue fazer. O golo em Setúbal, por exemplo. O 1-0 ao Belenenses antes do 2-2 final e também os minutos em campo no bem recente jogo com o Portimonense.

O universo encarnado inquietou-se com a possibilidade de Jonas, o melhor jogador no plantel, sair no verão. Jonas decidiu ficar, mas as costas, malditas, retiraram-no de campo. Ainda assim, resgatou a equipa em vários momentos, ora com golos, ora com experiência. O jogo com o Portimonense foi um desses casos. Entrou, deu ordens, organizou, acalmou os miúdos dizendo-lhes para onde ir e terminou a celebrar como um menino pelo golo 300 na carreira. Não foi a figura maior, mas teve momentos determinantes.

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Benfica é Campeão Nacional

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FC Porto-Benfica

A luz apagada e a superioridade nos clássicos: os momentos do campeão

Muito aconteceu entre o bom arranque e a incrível segunda volta. O Benfica mudou de treinador pelo meio, e foi Bruno Lage a conduzir a equipa até ao 37.º título.

A equipa encarnada tornou-se uma máquina de fazer golos e mostrou-se superior nos clássicos, algo que acabou por suportar o ataque ao primeiro lugar, que chegou a estar a sete pontos de distância.

Da vitória caseira sobre o FC Porto à goleada de champanhe ao Santa Clara, eis dez momentos que marcam a temporada do campeão:

1. Clássico dá liderança e confirma bom arranque

Quatro jornadas depois do empate com o Sporting (1-1, com golo de João Félix ao minuto 86), o Benfica teve um segundo clássico em casa, para a sétima ronda, e bateu o FC Porto por 1-0.

Um golo de Haris Seferovic “apagou” o empate em Chaves (2-2), na semana anterior, e deixou o Benfica na liderança da Liga, ainda que em igualdade pontual com o Sp. Braga.

Um resultado que confirmava o bom início de época do Benfica, que ainda para mais tinha garantido a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões. Em catorze jogos as águias tinham apenas uma derrota (na receção ao Bayern de Munique).

2. A luz do adiamento

A ressaca da vitória sobre o FC Porto foi dura para o Benfica, derrotado nas duas rondas seguintes da Liga (2-0 com o Belenenses e 3-1 na receção ao Moreirense). A goleada em Munique (5-1) ditou o final da campanha na Liga dos Campeões e quase ditava a saída de Rui Vitória.

A rescisão com o técnico esteve praticamente decidida, mas Luís Filipe Vieira acabou por mudar de ideias depois de uma noite mal dormida. «Foi uma luz que me deu…», justificou o presidente encarnado em conferência de imprensa.

3. Portimão confirmou a rescisão

Rui Vitória manteve-se no cargo e até conseguiu conduzir a equipa para um ciclo de sete triunfos consecutivos (em todas as provas), que começou com uma goleada ao Feirense (4-0, para a 11ª jornada da Liga) e terminou com outra goleada ao Sp. Braga (6-2, na 14ª ronda).

O Benfica ultrapassou a equipa de Abel e também o Sporting, derrotado em Guimarães (1-0), assumindo assim a segunda posição, a quatro pontos do líder FC Porto.

Só que na ronda seguinte o Benfica voltou a perder, desta feita em Portimão (2-0), e Vieira apagou a luz a Rui Vitória.

4. Lage, uma reviravolta em definitivo

Recrutado à equipa B e apresentado como técnico interino, Bruno Lage herdou um Benfica em quarto lugar na Liga, a sete pontos do líder FC Porto. O Rio Ave foi à Luz apadrinhar a estreia, a 6 de janeiro, e ao minuto 20 já vencia por 2-0 o encontro da 16ª jornada da Liga. Com «bis» de Seferovic e João Félix, o Benfica conseguiu segurar um triunfo (4-2) que até permitiu subir ao pódio com uma ultrapassagem ao Sporting, derrotado em Tondela (2-1).

Na ronda seguinte o Benfica voltou a vencer, nos Açores (2-0 ao Santa Clara), e beneficiou não só do nulo no Sporting-FC Porto, como também no empate do Sp. Braga em Portimão (1-1). As «águias» chegavam ao final da primeira volta em 2.º lugar, a cinco pontos da liderança, e dois triunfos foram suficientes para que Lage deixasse de ser interino.

5. Inesquecível estreia em dérbis

Depois da derrota no primeiro clássico, nas meias-finais da Taça da Liga (o FC Porto passou à final com um triunfo por 3-1), Lage enfrentou dois dérbis com o Sporting no início de fevereiro. No primeiro, para a Liga (20.ª jornada), o Benfica conseguiu uma vitória categórica por 4-2. João Félix voltou a marcar ao rival, que ficou com oito pontos de atraso, e o Benfica ainda aproveitou o nulo do FC Porto em Guimarães para colocar-se a três pontos da liderança. Mais uma jornada claramente positiva para a equipa encarnada.

6. A maior goleada em 55 anos

Depois do duplo duelo com o Sporting veio a goleada da época. Ou melhor, a maior goleada do campeonato em 55 anos. Na 21.ª jornada o Benfica venceu o Nacional por 10-0 (!!), e aproveitou assim o empate do FC Porto em Moreira de Cónegos para ficar a apenas um ponto da liderança. A goleada ao Nacional proporcionou ainda outro registo bem simbólico: teve três jogadores da formação a marcar (Félix, Ferro e Rúben Dias), algo que não acontecia desde 1985.

7. Rei dos clássicos conquista liderança no Dragão

Na 24.ª jornada o Benfica foi ao Dragão conquistar a liderança isolada da Liga. Adrián López deu vantagem à equipa de Sérgio Conceição (19m), mas tentos de João Félix (26m) e Rafa Silva (52m) garantiram a reviravolta no marcador e na tabela classificativa. O FC Porto não perdia para o campeonato desde a visita à Luz, e desde 2005/06 que o Benfica não ganhava os dois clássicos com os dragões. Bruno Lage conseguiu aquilo que ninguém conseguia desde Sven-Goran Eriksson em 1990/91: vencer os dois rivais fora de casa na mesma época.

8. Travão na euforia

Nove dias depois do triunfo no Dragão… o Benfica foi apanhado pelo FC Porto. As águias estiveram a vencer o Belenenses por 2-0, em jogo da 25.ª jornada, mas erros de Rúben Dias e Vlachodimos permitiram o empate da equipa de Silas, que voltava assim a roubar pontos ao Benfica. O FC Porto tinha vencido o Feirense na véspera (1-2), pelo que a liderança da Liga estava agora partilhada, embora com vantagem encarnada no confronto direto.

9. Separação final

Só na 31.ª jornada é que os rivais se separaram. Logo no arranque da ronda o FC Porto foi a Vila do Conde e chegou ao minuto 84 a vencer por 2-0, mas o Rio Ave ainda conseguiu chegar ao empate. Duro golpe nas aspirações portistas, como se percebeu pela contestação no final, tanto dentro como fora do estádio. O Benfica tinha uma visita ao Sp. Braga marcada para dois dias depois, e até foi para o intervalo a perder, mas acabou a golear (1-4) e recuperou a liderança isolada da Liga.

10. Goleada para o 37

O Benfica entrou na última jornada a precisar de apenas um ponto para o título, mas confirmou a reconquista com uma goleada ao Santa Clara (4-1). Um resultado que não só confirmou as comemorações, como ainda permitiu igualar o recorde de golos da história do clube (103). Haris Seferovic marcou a abrir e a fechar, confirmando assim o estatuto de melhor marcador da Liga, com 23 golos.

A festa do 37 entrou pela noite dentro.

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Lage (DR)

Rocky, Super Wings e 'run a lot': as frases fortes de Lage

Ouvir o discurso de Bruno Lage durante cinco meses foi, normalmente, um prazer. O treinador campeão nacional mudou o paradigma comunicacional das águias e chutou para longe o discurso cinzento e vulgar do antecessor no cargo. Quem não se lembra do recurso aos Super Wings, a Rocky Balboa e até ao desenho de uma criança chamada Diana?

Venha com o Maisfutebol recordar as afirmações mais fortes do técnico do Benfica:


«Vi a minha cara na tv, nem bebo um café descansado»
Bruno Lage, a 30 de novembro de 2018, ainda antes de ser treinador do Benfica e perceber que a cafeína nunca mais seria a mesma.

«O Rui Costa disse-me que eu é que mandava»
Bruno Lage, a 6 de janeiro de 2019, avisando que as notícias que o davam como interino eram manifestamente exageradas.

«Neste momento temos de ser o Rocky Balboa»
Bruno Lage, a 11 de janeiro de 2019, garantindo que o seu novo Benfica não era capaz de recusar uma boa luta.

«Senti no olhar dos jogadores que eu ia ser o líder deles.»
Bruno Lage, a 14 de janeiro, depois de ganhar os dois primeiros jogos e de ser confirmado por Luís Filipe Vieira em definitivo no cargo de treinador.

«Nunca recuperamos uma desvantagem destas para o líder? Não me preocupa»
Bruno Lage, a 17 de janeiro, a dar uma de Zandinga quando estava a cinco pontos do FC Porto

«Passaram a ser seis pequenos-almoços, o Jota come por três»
Bruno Lage, 2 de fevereiro de 2019, comentando a promoção de quatro elementos da equipa B ao plantel principal do Benfica.

«Melhor Benfica da época? Andei tão focado na equipa B»
Bruno Lage, 3 de fevereiro de 2019, depois de vencer o Sporting em Alvalade por 4-2 com uma demonstração de futebol autoritário.

«Os Super Wings agora trabalham em equipa»
Bruno Lage, a 5 de fevereiro de 2019, em resposta a uma questão sobre a supra influência de João Félix na equipa.

«Ainda estamos a quatro pontos do FC Porto»
Bruno Lage, a 9 de fevereiro de 2019, depois dos empates dos dragões em Moreira de Cónegos e em Guimarães. A recuperação estava muito viva.

«No dia 10 fizemos 10 golos e uma homenagem a Chalana»
Bruno Lage, a 10 de fevereiro de 2019, depois da histórica goleada aplicada ao Nacional na Luz

«Se Taarabt treina com a intensidade que eu gosto é porque algo mudou»
Bruno Lage, a 20 de fevereiro de 2019, preparando a entrada do problemático marroquino nas suas escolhas.

«Quero agradecer aos jogadores porque estão a fazer de mim treinador»
Bruno Lage, a 2 de março de 2019, na sequência da decisiva vitória no Estádio do Dragão.

«Temos feito exibições menos conseguidas do que esta»
Bruno Lage, a 11 de março de 2019, depois de desperdiçar dois pontos contra o Belenenses, uma semana após o triunfo no Dragão.

«João Félix? Quando se faz coisas incríveis o normal não chega»
Bruno Lage, a 16 de março de 2019, numa altura em que o nível do avançado parecia estar em quebra.

«Quando cá cheguei compararam-me ao Mourinho e fartei-me de rir»
Bruno Lage, a 2 de abril de 2019, a dar uma de Not Special

«Tínhamos o sonho da final do Jamor mas há um sonho maior»
Bruno Lage, a 3 de abril de 2019, depois de perder em Alvalade e sair da Taça de Portugal

«A Diana deu-me este desenho»
Bruno Lage, a 7 de abril de 2019, depois de vencer na Feira e enquanto exibia o desenho feito por uma criança adepta

«Treinar, jogar e ir ver o Canal Panda»
Bruno Lage, a 10 de abril de 2019, falando da sua «vida normal»

«’Lage effect’? Existe é um ‘run a lot’ e não é atletismo»
Bruno Lage, a 11 de abril de 2019, analisando o elevado número de golos marcados pelo Benfica

«Pressão? Sou magrinho, mas rijo e aguento com tudo»
Bruno Lage, a 18 de abril de 2019, depois da eliminação em Frankurt da Liga Europa

«Não poderia abandonar Fejsa e Jardel»
Bruno Lage, a 21 de abril de 2019, falando sobre a parca utilização dos dois históricos da Luz

«As palavras de Vieira para mim não mudam nada»
Bruno Lage, a 27 de abril de 2019, reagindo à declaração do presidente sobre a continuidade do técnico em 2019/20

«Temos de credibilizar o futebol ou vamos para o desemprego»
Bruno Lage, a 28 de abril de 2019, pedindo uma mudança na atmosfera comunicacional do futebol português.

«Para nos anularem têm de correr muito e no final somos muito fortes»
Bruno Lage, a 4 de maio de 2019, explicava assim os 5-1 sobre o Portimonense, depois de ter estado a perder

«Não sinto que o título já não foge, longe disso»
Bruno Lage, a 12 de maio de 2019, tentava afugentar a euforia dos adeptos depois da vitória em Vila do Conde

«Que seja também a reconquista das boas maneiras»
Bruno Lage, a 18 de maio de 2019, já na pele de campeão nacional 2018/19

«’Foi aqui que nasceu Portugal, vamos ver se consigo fazer nascer aqui uma grande equipa’»
Bruno Lage, a 18 de maio, escolheu esta frase dita em Guimarães como sendo um dos momentos da época benfiquista

8
Bruno Lage

Lage é o quinto português no «quadro de honra»

Bruno Lage é o 19º treinador a conduzir o Benfica à conquista do título.

Se reduzirmos o «quadro de honra» apenas a treinadores portugueses, então Lage é apenas o quinto da lista, depois de Mário Wilson, Toni, Jorge Jesus e Rui Vitória.

Títulos do Benfica e treinadores campeões:

35/36 Lipo Herczka (Hungria)

36/37 Lipo Herczka (Hungria)

37/38 Lipo Herczka (Hungria)

41/42 Janos Biri (Hungria)

42/43 Janos Biri (Hungria)

44/45 Janos Biri (Hungria)

49/50 Ted Smith (Inglaterra)

54/55 Otto Glória (Brasil)

56/57 Otto Glória (Brasil)

59/60 Béla Guttman (Hungria)

60/61 Béla Guttman (Hungria)

62/63 Fernando Riera (Chile)

63/64 Lajos Czeizeer (Hungria)

64/65 Elek Schwartz (Roménia)

66/67 Fernando Riera (Chile)

67/68 [Fernando Riera (Chile), Fernando Cabrita e] Otto Glória (Brasil)

68/69 Otto Glória (Brasil)

70/71 Jimmy Hagan (Inglaterra)

71/72 Jimmy Hagan (Inglaterra)

72/73 Jimmy Hagan (Inglaterra)

74/75 Milorad Pavic (Jugoslávia)

75/76 Mário Wilson

76/77 John Mortimore (Inglaterra)

80/81 Lajos Baroti (Hungria)

82/83 Sven-Goran Eriksson (Suécia)

83/84 Sven-Goran Eriksson (Suécia)

86/87 John Mortimore (Inglaterra)

88/89 Toni

90/91 Sven-Goran Eriksson (Suécia)

93/94 Toni

04/05 Giovanni Trapattoni (Itália)

09/10 Jorge Jesus

13/14 Jorge Jesus

14/15 Jorge Jesus

15/16 Rui Vitória

16/17 Rui Vitória

18/19 [Rui Vitória] BRUNO LAGE

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Benfica-Santa Clara

O quinto melhor campeão do século

O Benfica sagrou-se campeão com 87 pontos em 102 possíveis, o que lhe sublinhou um rendimento de 85,2 por cento. É o quinto melhor registo de todos os títulos no novo século, ou seja, desde que o campeonato nacional chegou aos anos 2000.

Nos quatro anos anteriores em que foi campeão, o Benfica conseguiu apenas por uma vez uma eficácia superior a este Benfica atual, tendo conseguido um rendimento de 86,2 por cento no título em 2015/16, no primeiro ano de Rui Vitória.

Os três títulos de Jorge Jesus foram sempre piores, tendo feito 84,4 em 2009/10, no primeiro título que conseguiu, 83,3 em 2014/15 e 82,2 por cento em 2013/14.

Muito pior foi o outro Benfica campeão do milénio, a equipa de Trapattoni, que em 2004/05 ganhou o título com uma eficácia de 63,7 por cento, sendo o pior campeão de sempre.

Nas contas do novo século, portanto, só está à frente deste Benfica o FC Porto de André Villas-Boas (2010/11), com 93,3 por cento, o primeiro FC Porto de Vítor Pereira (2012/13) com 86,7, o primeiro Benfica de Rui Vitória (2015/16), com 86,2 e o FC Porto de Sérgio Conceição, na época passada, com 86,2 por cento.

Os melhores campeões

1972/73 Benfica (96,7%)

1939/40 F.C. Porto (94,4%)

2010/11 F.C. Porto (93,3%)

1962/63 Benfica (92,3%)

1984/85 F.C. Porto (91,7%)

1971/72 Benfica (91,7%)

1994/95 F.C. Porto (91,2%)

1990/91 Benfica (90,8%)

1946/47 Sporting (90,4%)

1969/70 Sporting (88,5%)

1963/64 Benfica (88,5%)

1960/61 Benfica (88,5%)

1987/88 F.C. Porto (86,8%)

2012/13 F.C. Porto (86,7%)

1989/90 F.C. Porto (86,7%)

1983/84 Benfica (86,7%)

1979/80 Sporting (86,7%)

1959/60 Benfica (86,5%)

1949/50 Benfica (86,5%)

1950/51 Sporting (86,5%)

1945/46 Belenenses (86,3%)

1941/42 Benfica (86,3%)

2015/16 Benfica (86,2%)

2017/18 FC Porto (86,2%)

1943/44 Sporting (86,1%)

1936/37 Benfica (85,7%)

2018/19 BENFICA (85,25)

1982/83 Benfica (85,0%)

1977/78 F.C. Porto (85,0%)

1976/77 Benfica (85,0%)

2009/10 Benfica (84, 4%)

2002/03 F.C. Porto (84,3%)

2014/15 Benfica (83,3%)

1980/81 Benfica (83,3%)

1978/79 F.C. Porto (83,3%)

1996/97 F.C. Porto (83,3%)

1975/76 Benfica (83,3%)

1944/45 Benfica (83,3%)

1942/43 Benfica (83,3%)

2011/12 F.C. Porto (83,3%)

1988/89 Benfica (82,9%)

1966/67 Benfica (82,7%)

1964/65 Benfica (82,7%)

1961/62 Sporting (82,7%)

1957/58 Sporting (82,7%)

1952/53 Sporting (82,7%)

1955/56 F.C. Porto (82,7%)

1953/54 Sporting (82,7%)

1995/96 F.C. Porto (82,3%)

1991/92 F.C. Porto (82,3%)

2013/14 Benfica (82,2%)

1937/38 Benfica (82,1%)

1940/41 Sporting (82,1%)

1938/39 F.C. Porto (82,1%)

2016/17 Benfica (81,8%)

1986/87 Benfica (81,7%)

1985/86 F.C. Porto (81,7%)

1973/74 Sporting (81,7%)

1974/75 Benfica (81,7%)

1965/66 Sporting (80,8%)

1948/49 Sporting (80,7%)

2003/04 F.C. Porto (80,4%)

1993/94 Benfica (79,4%)

1992/93 F.C. Porto (79,4%)

1970/71 Benfica (78,8%)

1967/68 Benfica (78,8%)

1958/59 F.C. Porto (78,8%)

1956/57 Benfica (78,8%)

1951/52 Sporting (78,8%)

1947/48 Sporting (78,8%)

1934/35 F.C. Porto (78,6%)

2008/09 F.C. Porto (77,7%)

2005/06 F.C. Porto (77,4%)

1998/99 F.C. Porto (77,4%)

1981/82 Sporting (76,7%)

2007/08 F.C. Porto (76,6%)*

2006/07 F.C. Porto (76,6%)

2000/01 Boavista (75,5%)

1999/00 Sporting (75,5%)

1997/98 F.C. Porto (75,5%)

1968/69 Benfica (75%)

1954/55 Benfica (75%)

1935/36 Benfica (75%)

2001/02 Sporting (73,5%)

2004/05 Benfica (63,7%)

* O F.C. Porto perdeu seis pontos na secretaria devido ao Apito Final

10
Benfica vence (4-1) e é campeão nacional

De Vlachodimos a Svilar, os 29 campeões

Bruno Lage e Rui Vitória utilizaram um total de 29 jogadores ao longo do campeonato, entre os quais Alfa Semedo, Facundo Ferreyra e Nicolas Castillo, que saíram do clube em janeiro mas também são campeões.

Em sentido contrário, os dois técnicos deixaram de fora os nomes de Yuri Ribeiro, Zlobin e Ebuehi, eles que são os únicos jogadores do plantel que não são formalmente campeões nacionais.

De resto, também Bruno Varela e Luisão chegaram a integrar o grupo, tendo saído durante a temporada, e não são campeões por não terem sido utilizados.

Vlachodimos (3055 minutos), Grimaldo (3052), André Almeida (2916), Ruben Dias (2868) e Pizzi (2797) foram os jogadores mais utilizados ao longo da temporada.

O Maisfutebol apresenta a lista dos atletas já coroados e, através do tempo de utilização de cada um, chega com alguma facilidade à equipa-tipo do Benfica 2015/16.

ONZE MAIS UTILIZADO: Vlachodimos; André Almeida, Ruben Dias, Jardel e Grimaldo; Pizzi, Fejsa, Samaris e Rafa Silva; Joáo Félix e Seferovic.

Aqui ficam os minutos de utilização de cada jogador, dos 28 que são campeões nacionais.

LISTA DE JOGADORES MAIS UTILIZADOS:

1. Vlachodimos (3055 minutos)

2. Grimaldo (3052)

3. André Almeida (2916)

4. Ruben Dias (2868)

5. Pizzi (2797)

6. Seferovic (1967)

7. Rafa Silva (1922)

8. João Félix (1756)

9. Jardel (1607)

10. Fejsa (1440)

11. Samaris (1412)

12. Gabriel (1253)

13. Ferro (1144)

14. Gedson (1043)

15. Cervi (1031)

16. Jonas (1119)

17. Florentino (840)

18. Zivkovic (660)

19. Salvio (655)

20. Ferreyra (283)

21. Conti (266)

22. Nicolas Castillo, 143

23. Taraabt (133)

24. Alfa Semedo (98)

25. Corchia (92)

26. Lema (83)

27. Krovinovic (36)

28. Jota (27)

29. Svilar (2)

11
Benfica vence por 3-0 ao intervalo

Seferovic, da porta de saída a goleador da Liga

Haris Seferovic esteve para deixar o Benfica no início da época, mas não só ficou, como acabou por sagrar-se melhor marcador da Liga, com 23 golos.

O suíço fez a melhor época da carreira, algo que se pode aplicar também a Rafa, o segundo melhor marcador das águias, com 17 tentos.

A fechar o pódio encarnado de goleadores surge João Félix, que na época de estreia festejou quinze vezes.

15 dos 17 jogadores de campo utilizados Benfica marcaram golos:

Seferovic, 23 golos

Rafa, 17

João Félix, 15

Pizzi, 13

Jonas, 11

Cervi e Grimaldo, 4

Rúben Dias, 3

Salvio, Ferro, Samaris, Jardel e André Almeida, 2

Ferreyra e Florentino, 1

+ autogolo de Bruno Nascimento (Feirense)

12
Benfica vence (4-1) e é campeão nacional

As 34 etapas da Reconquista

As fichas e os resumos dos jogos que fizeram a caminhada do Benfica para o título nacional 2018/19, o 37º do seu historial.

O Benfica, recorde-se, somou 28 vitórias, tendo 18 delas sido com Bruno Lage, que pegou na equipa a 6 de janeiro, na receção ao Rio Ave, em jogo da 16ª jornada.

Depois disso, a formação encarnada somou 18 triunfos e apenas um empate, frente ao Belenenses.

1ª jornada: Benfica-V. Guimarães, 3-2

2ª jornada: Boavista-Benfica, 0-2

3ª jornada: Benfica-Sporting, 1-1

4ª jornada: Nacional-Benfica, 0-4

5ª jornada: Benfica-Desp. Aves, 2-0

6ª jornada: Desp. Chaves-Benfica, 2-2

7ª jornada: Benfica-FC Porto, 1-0

8ª jornada: Belenenses-Benfica, 2-0

9ª jornada: Benfica-Moreirense, 1-3

10ª jornada: Tondela-Benfica, 1-3

11ª jornada: Benfica-Feirense, 4-0

12ª jornada: V. Setúbal-Benfica, 0-1

13ª jornada: Marítimo-Benfica, 0-1

14ª jornada: Benfica-Sp. Braga, 6-2

15ª jornada: Portimonense-Benfica, 2-0

16ª jornada: Benfica-Rio Ave, 4-2

17ª jornada: Santa Clara-Benfica, 0-2

18ª jornada: V. Guimarães-Benfica, 0-1

19ª jornada: Benfica-Boavista, 5-1

20ª jornada: Sporting-Benfica, 2-4

21ª jornada: Benfica-Nacional. 10-0

22ª jornada: Desp. Aves-Benfica, 0-3

23ª jornada: Benfica-Desp. Chaves, 4-0

24ª jornada: FC Porto-Benfica, 1-2

25ª jornada: Benfica-Belenenses, 2-2

26ª jornada: Moreirense-Benfica, 0-4

27ª jornada: Benfica-Tondela, 1-0

28ª jornada: Feirense-Benfica, 1-4

29ª jornada: Benfica-V. Setúbal, 4-2

30ª jornada: Benfica-Marítimo, 6-0

31ª jornada: Sp. Braga-Benfica, 1-4

32ª jornada: Benfica-Portimonense, 5-1

33ªjornada:Rio Ave-Benfica, 2-3

34ª jornada: Benfica-Santa Clara, 4-1

13
Benfica campeão

Marquês voltou a ser reservado

A festa do 37º título começou no Estádio da Luz, assim que a vitória diante do Santa Clara (4-1) se começou a construir, e foi até noite dentro. No reduto encarnado e de Norte a Sul de Portugal.

No Marquês de Pombal, em Lisboa, centro da festa encarnada, estiveram centenas de milhares de adeptos para receber os jogadores - por volta da uma da manhã - e festejar com eles o título. Música e animação não faltaram, tal como o troféu que foi mostrado e erguido pelo plantel encarnado.

Nem tudo correu bem, porém: houve mais de trinta detidos e um ferido no estádio, após ser agredido com uma garrafa de vidro, num momento em que os adeptos se insurgiram contra as autoridades policiais.

14

Hino e foguetes depois das declarações de Lage e Vieira na festa do Benfica

Treinador e presidente falaram aos adeptos, num momento que acabou com o hino a tocar no Marquês de Pombal, enquanto foguetes pintavam os céus.

15
Benfica recebido na Câmara Municipal de Lisboa

A festa desceu à Praça do Município, com Lage em foco

Dois dias depois de ter garantido o 37.º título, o Benfica cumpriu a tradição de ser recebido na Câmara Municipal de Lisboa.

Depois da Luz e do Marquês de Pombal, o cortejo desceu até bem junto do Tejo.

A receção estava marcada para as 18h30, mas o autocarro do Benfica só chegou à Praça do Município bem perto das 19 horas.

Os capitães Jardel e André Almeida foram os últimos jogadores a sair, com o troféu nas mãos, ladeados pelo presidente, Luís Filipe Vieira, e também por Rui Costa, administrador da SAD.

Recebidos pelo autarca à porta, os campeões tiraram depois a fotografia da praxe com o executivo camarário, na escadaria do edifício.

Já no Salão Nobre foi o edil a discursar primeiro. Fernando Medina falou em «reconquista dentro da reconquista», tendo em conta a recuperação do Benfica, que associou a uma «dose redobrada de crença, resiliência e talento».

O autarca destacou ainda o papel de Bruno Lage na conquista do título, algo reforçado depois por Luís Filipe Vieira. O presidente encarnado garantiu a continuidade do técnico por «muitos e bons anos», e já no final do discurso voltou a apontar à conquista de um troféu europeu.

Depois da habitual troca de lembranças os campeões nacionais surgiram na varanda para o ponto alto da festa, com jogadores, staff e adeptos a cantar o hino do Benfica a uma só voz.

O FILME DA RECEÇÃO NA PRAÇA DO MUNICÍPIO

16

O hino do Benfica na receção dos campeões na Câmara de Lisboa

Encarnados recebidos pelo presidente da autarquia depois da conquista do 37.º campeonato

17
Benfica é Campeão Nacional

Sérgio Pereira

OPINIÃO

No fim ganhou o melhor

Os números não deixam dúvidas: o Benfica ganhou porque foi o melhor.

Foi o melhor sobretudo desde que Bruno Lage tomou conta da equipa. Desde então, somou dezoito vitórias em dezanove jogos, marcou 72 golos (tantos quanto o Sporting e apenas menos dois do que o FC Porto em toda a época) e fez a segunda melhor volta de sempre em Portugal.

Se os números não chegarem para convencer o leitor, há tudo o resto também.

Há o futebol avassalador, há a confiança mostrada em campo, há as nove goleadas e há sobretudo o rendimento tirado dos jogadores.

Bruno Lage exponenciou atletas que antes pouco contavam. Samaris, por exemplo. Ou Rafa Silva. Ou João Félix, claro. Ou Ferro e Florentino.

Bruno Lage exponenciou até Pizzi, que com Rui Vitória estava longe da influência habitual e muitas vezes era o primeiro a ser substituído. Com Bruno Lage tornou-se o melhor jogador do campeonato: fez 14 das 18 assistências de toda a época e fez oito dos 13 golos em todo o campeonato. No fim teve participação decisiva em 31 golos, portanto. Admirável.

Bruno Lage parece ter entrado dentro dos jogadores, para lhes tocar num qualquer nervo que mandava o coração bombear sangue: e este Benfica era muito isso, coração e sangue, muito entusiasmo por divertir-se com a bola e divertir os adeptos.

Mas houve mais.

O treinador engrandeceu também a equipa em torno de uma ideia de futebol aventureira e corajosa. A partir daí os jogadores sentiram-se valorizados e motivaram-se, como costuma acontecer quando alguém lhes reconhece valor para fazer um jogo corajoso.

O resto foi o que se viu. Um justo campeão.

18
André Almeida em entrevista à TVI

Palavra de campeão: André Almeida

Entrevista: Nuno Chaves/Tiago Euzébio (TVI)

19
Seferovic: «Nada tenho a dizer contra Rui Vitória»

Palavra de campeão: Seferovic

Entrevista: Nuno Chaves/Tiago Euzébio (TVI)

20
«No pior momento da época a equipa uniu-se»

Palavra de campeão: Gabriel

Entrevista: Nuno Chaves/Tiago Euzébio (TVI)

21
Ferro recorda chamada urgente para o dérbi: «Na altura não percebi»

Palavra de campeão: Ferro

Entrevista: Nuno Chaves/Tiago Euzébio (TVI)

22
Pizzi: «É uma época marcante para mim»

Palavra de campeão: Pizzi

Entrevista: Nuno Chaves/Tiago Euzébio (TVI)

23
95 FOTOS

Benfica, campeão nacional 18/19