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Finlândia: o guia

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Finlândia (Twitter Helmarit)

ANÁLISE

A Finlândia pode dar-se por satisfeita por na fase de apuramento para o Europeu ter sido colocada no mesmo grupo de Escócia (Pote 1) e Portugal (Pote 3). É que, verdade seja dita, podia ter sido bem pior. A seleção da Escandinávia foi somando bons resultados e um deles, contra Portugal em Famalicão ainda em 2019, acabou por ser fundamental. Esse jogo teve um final dramático, com as finlandesas a empatarem por Linda Sallstron na sequência de um pontapé de canto no último minuto

Isso marcou o ritmo para o resto da fase de apuramento, com a Finlândia a habituar-se a marcar golos importantes fora de horas. Na Escócia, Amanda Rantanen marcou o golo da vitória (90+5) de forma dramática e bizarra. Desmarcou-se e ficou isolada. O primeiro remate foi defendido pela guarda-redes escocesa, mas fez ricochete na cara de Rantanen e acabou por entrar na baliza.

Depois disso, «tudo» o que a Finlândia tinha de fazer era vencer Portugal em casa num dia gelado em Hensínquia. Mais uma vez, levou o seu tempo, mas no fim Sallstrom marcou um belo golo no tempo de compensação (1-0), garantindo assim a qualificação para Inglaterra.

A treinadora, Anna Signeul, está à frente da seleção desde 2017 e tem-se mantido fiel a um 4x4x2 que lhe tem dado boas garantias. Esta equipa está assente numa diligente defesa que lhe valeu apenas dois golos sofridos na fase de qualificação. Porém, no Torneio de França, em fevereiro, tiveram pela frente adversários de elevada qualidade – como França, Países Baixos e Brasil – encaixaram oito golos em três jogos e passaram por dificuldades nas bolas paradas defensivas e cruzamentos.

A Finlândia tenta jogar em contra-ataque mas, um vez que os laterais se projetam muito na frente, deixam habitualmente muito espaço atrás. Neste Europeu vão estar no chamado «grupo da morte» juntamente com Alemanha, Espanha e Dinamarca, mas isso não parece preocupar Signeul: «O grupo é entusiasmante», disse após o sorteio. Todas as equipas podem derrotar-se umas às outras e o equilíbrio do grupo diz-nos que não precisamos de vencer todos os jogos para seguirmos em frente.»

Uma das pequenas preocupações na Finlândia às portas deste Europeu é o facto de a equipa técnica de Signeul ter registado várias mudanças nos últimos anos. A assistente Maiju Ruotsalainen e a preparadora física Anne Makinen saíram no final de 2019 e o novo preparador físico Lasse Lagerblom também disse adeus no ano seguinte. Já depois da fase de qualificação o novo adjunto, Lars Mosander, também deixou o cargo. Há rumores de que a capacidade de liderança da selecionadora é fraca, mas ninguém fala publicamente sobre esse tema.

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Anna Signeul (Getty)

A SELECIONADORA: ANNA SIGNEUL

Muito falada nos parágrafos acima, Anna Signeul é sueca e tem muita experiência. Em 2017, por exemplo, levou a Escócia pela primeira vez a um Europeu. Depois da competição, deixou o cargo que ocupava há 12 anos para assumir o comando da Finlândia. «Jesse Owens disse um dia que se achares que vais ser derrotado, vais mesmo ser derrotado. Se achares que podes vencer, podes mesmo vencer», citou em tempos a treinadora de 61 anos.

O contrato de Anna Signeul termina no final deste ano, mas não será surpreendente se deixar o cargo logo após este Europeu.

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Natalia Kuikka, FINLÂNDIA (GETTY)

A FIGURA: NATALIA KUIKKA

Já foi eleita a futebolista finlandesa do ano por três vezes e ainda tem 26 anos. É uma jogadora profundamente versátil que começou a carreira a jogar no ataque: no Euro 2013, quando tinha 17 anos, atuava como extremo-esquerdo. No seu clube, os Portland Thorns, joga como lateral-esquerdo, mas na seleção é defesa-central.

É licenciada em Criminologia pela Universidade do Estado da Florida, onde venceu o campeonato nacional universitário e em 2020 esteve entre as 100 futebolistas do ano para o Guardian após ter vencido o campeonato sueco ao serviço do Kopparbergs/Goteborg.FC. Foi, aliás, a única futebolista finlandesa a figurar nessa lista. «O tempo em que joguei na Suécia permitiu ter a perceção do que era ser uma futebolista profissional», disse ao herfootballhub.com.

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Eveliina Summanen, FINLÂNDIA (GETTY)

ATENÇÃO A: EVELIINA SUMMANEN

Aos 24 anos, é considerada a próxima Anne Makinen do meio-campo da seleção finlandesa. Entre as jogadoras mais jovens, será a única que tem um lugar seguro no onze. É a típica «box-to-box», forte nos duelos, com qualidade de remate e também boa no jogo aéreo apesar de não ser muito alta.

Summanen deu um grande passou na carreira quando em janeiro deste ano se transferiu do Kristianstad, da Suécia, para o Tottenham. Será uma jogadora-chave em breve.

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Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x4x2 ou 4x4x1x1

Tinja-Riikka Korpela:
Tuija Hyyrynen, Anna Westerlund, Natalia Kuikka, Emma Koivisto;
Adelina Engman, Evelilna Summanen, Emmi Alanen, Sanni Franssi;
Ria Oling, Linda Sallstrom

Nota de rodapé: há a possibilidade de Koivisto jogar como extremo-esquerdo. Se isso acontecer, a escolha para o lado esquerdo da defesa deverá recair em Eli Pikkujamsa, com Sanni Franssi a ser relegada para o banco. No entanto, a selecionadora Anna Signeul não costuma promover alterações à equipa inicial.

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Laura Osterberg Kalmari (Getty)

REFERÊNCIA HISTÓRICA: LAURA OSTERBERG KALMARI

Foi internacional 130 vezes entre 1996 e 2011 e só Anna Westerlund vestiu mais vezes a camisola da Finlândia. É também a segunda melhor marcadora da história da seleção (atrás de Linda Sallstrom), com 41 golos. Um desses golos foi marcado à Inglaterra no Euro 2005: assinou o 2-2 aos 89 minutos, mas a Finlândia acabou por perder o jogo por 3-2. Nesse Europeu também marcou à Dinamarca.

A nível de clubes, conquistou a Liga dos Campeões em 2003 e 2004 pelas suecas do Umea IK e terminou a carreira nas norte-americanas do Sky Blue FC, equipa que esteve na fundação da Liga feminina norte-americana. Atualmente vive em Estocolmo, onde é professora e treinadora de futebol nas camadas jovens.

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Euro Feminino Dinamarca vs Finlândia [EPA/Adam Ihse]

HISTÓRICO EM EUROPEUS

O primeiro Europeu da Finlândia foi em 2005 e o primeiro jogo opôs a seleção nórdica à anfitriã Inglaterra no então designado Estádio Cidade de Manchester, casa do Manchester City. A Finlândia recuperou de uma desvantagem de 2-0 e as inglesas tiveram de fazer pela vida para vencerem com um golo de Karen Carney já em tempo de compensação. Seguiu-se um empate a zeros diante da Suécia e uma vitória sobre a Dinamarca, que valeu a passagem às meias-finais, onde as alemãs foram demasiado fortes e impuseram-se por 4-1: ainda assim, essa continua a ser a melhor campanha de sempre deste país. Em 2013, a Finlândia não passou da fase de grupos e em 2017 não marcou presença no Europeu.

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Finlândia (Getty)

OBJETIVO REALISTA

A Finlândia ficou inserida num grupo duríssimo, com Espanha e Alemanha a serem apontadas como candidatas ao título e a Dinamarca, finalista vencida no último Europeu. Mais do que um ponto somado já será encarado como uma grande conquista e talvez a história até esteja do lado desta seleção. Porquê? Pela terceira vez em três participações, a Finlândia foi sorteada para o mesmo grupo da Dinamarca, com quem não perdeu nas outras duas ocasiões.

Texto original de Ville Väänänen, da STT (Agência de Notícias da Finlândia) 

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