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Países Baixos: o guia

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Seleção feminina dos Países Baixos (@OranjeLeeuwinnen)

ANÁLISE

O que vale a seleção neerlandesa sem Sarina Wiegman? Essa é a grande questão. Depois de quatro anos e meio gloriosos, a treinadora atravessou o Canal no verão de 2021, para assumir o leme da seleção feminina inglesa. Na busca por um sucessor, a KNVB (Federação dos Países Baixos) manifestou a ambição de encontrar uma “Sarina Mais”. É mais fácil de dizer do que de fazer.

Nos Países Baixos, apenas um punhado de mulheres tinha as qualificações necessárias, e nomes bem conhecidos do futebol masculino não se atreveram a assumir a troca. «Isso é motivado pelo medo e o medo é sempre mau conselheiro. Sinceramente, acho inacreditável», disse Wiegman ao ouvir que a busca para a substituir estava a fracassar.

Felizmente para a KNVB, houve alguém na América que pensou o mesmo: Mark Parsons. O treinador do Portland Thorns aceitou o convite de bom grado, quando foi contactado. Com uma condição: poder terminar a época com o seu clube na NWSL, a Liga profissional feminina norte-americana. A Federação aceitou e o acordo ficou fechado.

De início os resultados ficaram abaixo daquilo a que o público neerlandês estava habituado. Vale a pena lembrar que esta é a seleção que venceu o último Europeu e depois chegou à final do Mundial em 2019, perdendo por 2-0 para os EUA. Também é preciso notar que Parsons ainda não teve à disposição a equipa na máxima força, devido a lesões.

A mudança de treinador levou indiretamente ao alargamento do campo de recrutamento. Lynn Wilms e Aniek Nouwen já batiam à porta há muito tempo, mas agora jogadoras como Esmee Brugts e Romee Leuchter também já ganharam lugar no grupo.

Com Damaris Egurrola, Parson tirou um coelho da cartola. A jogadora criada em Espanha e nascida nos Estados Unidos era elegível para jogar pelos Países Baixos graças à sua mãe neerlandesa e, depois de várias conversações positivas com o selecionador, a talentosa médio de 22 anos – que segundo as notícias de mercado estará na mira do campeão europeu Lyon, por 100 mil euros – escolheu tornar-se uma ‘Leeuwin’ (Leoa).

O quase sagrado 4x3x3 dos Países Baixos mantém-se como sistema principal, mas há algumas nuances. O treinador britânico tentou promover uma equipa um pouco mais ofensiva, as laterais são encorajadas a atacar com mais frequência e a defesa deve estar mais subida para poder rapidamente pressionar. Foco total como equipa ao perder a bola, esse é o lema hoje em dia.

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Mark Parsons (Getty)

O SELECIONADOR: MARK PARSONS

É conhecido por ser viciado em trabalho, e mesmo antes de orientar o primeiro treino já tinha visto 32 jogos da seleção neerlandesa e mantido 32 horas de reuniões online com jogadoras. Não é por acaso que o seu mote é: «Primeiro as pessoas, em segundo as pessoas, e em terceiro as pessoas. Só depois vem o futebol.»

No princípio a equipa teve de se adaptar, e as jogadoras ficavam surpreendidas quando, do nada, aparecia o nome de Parsons no ecrã dos seus telemóveis. Porque é que o selecionador está a ligar-me? Más notícias? Muitas vezes era ao contrário. Na maioria dos casos, Parsons só ligava para conversar. Às vezes, as conversas podiam demorar até uma hora.

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VIVIANNE MIEDEMA (getty)

A FIGURA: VIVIANNE MIEDEMA

Os Países Baixos sabem que têm em Vivianne Miedema um enorme talento. A avançada do Arsenal tem um instinto goleador sem precedentes. Ela marca golos de todos os ângulos e posições, com ambos os pés e de cabeça. Na seleção, a contagem da máquina goleadora de Hoogeveen está nos 92 golos em 108 jogos, dos quais ela só foi titular em 93.

Depois de uma época de especulação constante, a jogadora de 25 anos prolongou o contrato, que estava a terminar, com o “seu” Arsenal. Quando a maioria dos clubes de topo europeu estavam interessados nela e se esperava que o Barcelona fosse o seu destino, Miedema ficou onde estava e começará uma sexta época com os Gunners depois do Europeu.

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JILL ROORD (getty)

ATENÇÃO A: JILL ROORD

No Mundial 2019, quando os Países Baixos foram vice-campeões, Jill Roord ainda era a suplente de luxo. Mas ela nunca mais quis usar o número 12 nas costas. «A número 12 ideal» era o tipo de definição que a deixava furiosa.

A dinâmica e goleadora médio trabalhou para evoluir e tornou-se titular indiscutível. Em parte graças aos 20 golos em 38 jogos pelo Wolfsburgo, na última época, além dos dois hat-ticks pela seleção, nas vitórias por 12-0 e 8-0 frente a Chipre. Roord, que este ano ganhou lugar na equipa ideal da época da Liga dos Campeões, forma também uma dupla forte com Miedema, de quem foi companheira de equipa no Bayern Munique e no Arsenal.

Mas atenção também a Esmee Brugts, do PSV. Provavelmente não será titular este verão, mas pode ser a nova suplente de luxo da seleção.

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Genéricas Maisfutebol

ONZE PROVÁVEL

4x3x3

Sari van Veenendaal;

Lynn Wilms, Aniek Nouwen, Stefanie van der Gragt, Dominique Janssen;

Jackie Groenen, Daniëlle van de Donk, Sherida Spits;

Jill Roord, Vivianne Miedema, Lieke Martens

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Vera Pauw (AP)

REFERÊNCIA HISTÓRICA: VERA PAUW

A avançada Lieke Martins e a selecionadora Sarina Wiegman tornaram-se heroínas com o seu brilhante trabalho no Campeonato da Europa de 2017. A jogadora e a treinadora lideraram a seleção até à conquista do primeiro grande troféu da sua história. Mas quem olhe para o início do processo, no entanto, não pode ignorar Vera Pauw.

Como selecionadora, ela levou os Países Baixos à primeira grande competição de sempre: o Europeu de 2009. Pauw, que é uma de trigémeos, ao lado de dois irmãos, também desempenhou um papel pioneiro nos bastidores. Ela conseguiu que as raparigas jogassem com rapazes (fisicamente mais fortes) na mesma equipa, algo de que beneficiou muitas das atuais jogadoras da seleção. Pauw foi também a primeira mulher a completar o nível UEFA Pro de treinador, e tornou-se a primeira mulher treinadora da seleção feminina dos Países Baixos.

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Futebol Feminino: Holanda-Dinamarca (Reuters)

HISTÓRICO EM EUROPEUS

As neerlandesas têm uma boa relação com o Campeonato da Europa. Na primeira presença, em 2009, atingiram as meias-finais, e a partir daí as jogadoras da seleção passaram a receber uma compensação financeira da Federação dos Países Baixos e puderam realmente começar a viver do desporto. Enquanto o Europeu de 2013 acabou por ser de má memória, com o último lugar na fase de grupos, a fase final de 2017, a jogar em casa, representou o momento da afirmação definitiva. O país inteiro cobriu-se de laranja graças à marcha vitoriosa de Wiegman e das suas jogadoras. Depois de vencerem a final, elas até tiveram direito a um passeio de vitória pelo canal, atravessando o centro da cidade de Utrecht.

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Países Baixos (Getty)

OBJETIVO REALISTA

Se os Países Baixos terminarem o grupo em segundo lugar, atrás da Suécia, provavelmente terão a França à espera nos quartos de final. Se vencerem o grupo, no entanto, o caminho para as meias-finais e mais além está aberto.

 

Textos originais de Lars van Soest, do De Telegraaf

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